De Paul McCartney a Bruce Springsteen, livro investiga como astros da música se mantêm em atividade durante décadas
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De Paul McCartney a Bruce Springsteen, livro investiga como astros da música se mantêm em atividade durante décadas

Obra do jornalista David Remnick reúne perfis de músicos conhecidos, entre os quais Patti Smith, Leonardo Cohen, Bob Dylan e Aretha Franklin

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    GERADO EM: 28/02/2026 - 19:23

    "David Remnick explora longevidade de ícones da música em livro"

    O livro do jornalista David Remnick, "Sustentar a nota", explora como ícones da música como Bruce Springsteen, Paul McCartney e Aretha Franklin permanecem ativos por décadas. Com perfis publicados na "New Yorker", a obra investiga a persistência desses artistas em continuar criando e se apresentando, desafiando o tempo. Remnick destaca como a paixão pela arte mantém esses músicos em atividade, mesmo na idade avançada.

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    Olhando de longe, ninguém diz, mas Bruce Springsteen já é um senhor de idade. São 76 anos, e nem mesmo ele parece perceber, porque mantém sua maratona de espetáculos extenuantes mundo afora, como se não houvesse amanhã. E faz isso não por necessidade de grana para pagar os boletos: é uma questão de driblar o tempo para manter sua arte viva. Ou, como diz David Remnick, “Sustentar a nota”, título de sua coletânea de perfis de músicos que chega agora por aqui.

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  • No livro, Remnick reuniu artigos que publicou ao longo de décadas na "New Yorker", revista que começou a circular em 1925 e é considerada referência no jornalismo cultural em muitos cantos do planeta. Remnick é seu diretor de redação há 28 anos, e eis aí uma oportunidade para conferirmos o que escreve.

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    Gao Xingjian, vendedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2000 - Foto Jwh / Wikimedia Commons

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    O escritor Vidiadhar Surajprasad Naipaul, vencedor do Nobel de literatura em 2001 — Foto: Ulf Andersen / Aurimages

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    O escritor Húngaro Imre Kertész, vencedor do Nobel de literatura em 2002 — Foto: AFP PHOTO / ANDREAS ALTWEIN

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    J.M. Coetzee, escritor sul-africano vencedor do Nobel de literatura em 2003 — Foto: Divulgação

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    A austríaca Elfriede Jelinek, vencedora do prêmio em 2004 - Foto divulgação

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    Harold Pinter, dramaturgo britânico, morto em 2008, foi o vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 2005

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    Orhan Pamuk, romancista turco, venceu o prêmio Nobel de Literatura em 2006 - Foto Helena Celestino

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    Doris Lessing, morta em 2013, aos 94 anos, foi a pessoa mais velha a ganhar o Nobel de Literatura em 2007 - Foto AFP PHOTO/SHAUN CURRY

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    Jean-Marie Gustave Le Clézio, vencedor do Prêmio Nobel da Literatura em 2008 - Foto Holger Motzkau / Wikimedia Commons

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    Herta Muller, escritora, vencedora do prêmio Nobel de Literatura em 2009 - Foto Robert Caplin/The New York Times

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    Mario Vargas Llosa, escritor peruano, vencedor do Nobel de Literatura em 2010. Foto Edilson Dantas / Agencia O Globo

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    Tomas Tranströmer, vencedor do prêmio em 2011 - Foto Andrey Romanenko / Wikimedia Commons

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    Mo Yan, escritor, vencedor do Nobel de Literatura em 2012 - Foto AFP PHOTO / Jonathan Nackstrand

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    Alice Munro, escritora, vencedora do Nobel de Literatura em 2013 - Foto AFP PHOTO/ Peter Muhly

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    Patrick Modiano, escritor, vencedor do Nobel de Literatura em 2014 - Foto divulgação

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    A bielorrusa Svetlana Alexievich, vencedora do Nobel de Literatura em 2015 - Foto Bárbara Lopes / Agência O Globo

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    Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura em 2016 - Foto Hector Mata / AFP

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    Kazuo Ishiguro, autor do livro "O gigante enterrado", venceu o Nobel de Literatura em 2017 - Foto Divulgação / Ryan Stevenso

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    Olga Tokarczuk, vencedora do Nobel de Literatura em 2018 - Foto Maciek Nabrdalik/The New York Times

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    Peter Handke, escritor austríaco, vencedor do Nobel de Literatura em 2019 - Foto Alain JOCARD / AFP

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    A poeta americana Louise Gluck, vencedora do Nobel de Literatura 2020 - Foto ROBIN MARCHANT / AFP

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    Abdulrazak Gurnah, escritor tanzaniano, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2021 - Foto Tolga Akmen / AFP

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    A escritora francesa Annie Ernaux, vecedora do Prêmio Nobel de Literatura em 2022 - Foto Isabelle Eshraghi/The New York Times

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    Jon Olav Fosse, escritor e dramaturgo norueguês, vendedor do Prêmio Nobel de Literatura - Foto Ole Berg-Rusten / NTB / AFP

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    Han Kang, escritora da Coreia do Sul — Foto: Jean Chung/The New York Times

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    Húngaro László Krasznahorkai vence o Nobel de Literatura 2025 — Foto: NEUMAYR / APA / AFP

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    Nos 11 textos, o jornalista acompanha estrelas como Leonard Cohen, Paul McCartney, Bob Dylan, Aretha Franklin, Patti Smith e outros, além de Springsteen e, numa vertente musical bem distinta do restante, o tenor Luciano Pavarotti. Alguns já morreram, mas os textos foram publicados na "New Yorker" quando eles ainda estavam na ativa.

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    Em comum a todos os personagens, o fato de viverem na estrada por muitas décadas, sem pensar em aposentadoria. Remnick foi atrás desses veteranos justamente para identificar como conseguiam essa proeza. E eles são muitos, como resumiu Stevie Van Zandt, guitarrista da E Street Band, a banda de Springsteen: “A geração do rock mudou o conceito de tempo cronológico. Conheço, pessoalmente, sete artistas que estão na casa dos 80 ainda trabalhando. Quando éramos crianças, nossos avós não passavam dos 60.”

    Na coletânea (onde bem caberia um perfil do nosso incansável Ney Matogrosso, de 84 anos), Remnick mostra que, mesmo que o vigor desses artistas não seja mais o de outrora, existe uma força estranha no ar que eles respiram, e é por isso que cantam e não podem parar (aqui parafraseando Caetano Veloso, de 83 anos). E daí a conclusão do jornalista: “Para um músico em fim de carreira, é o espírito do sostenuto, da sustentação, que prevalece: compor, tocar e se apresentar mantêm os artistas vivos no jogo, ajudando a recarregar o que a idade atenuou.”

    Então é isso: algo da ordem etérea faz a nota de alguns poucos eleitos vibrar até o fim do espetáculo, que acontece sem aviso prévio. E a plateia aplaude enquanto pode.

    Mais do que metáforas sobre a vida alheia, o que interessa no livro são suas histórias saborosas sobre ídolos demasiadamente humanos.

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