Vorcaro, fraude no INSS, 'sinais de mentira': o debate entre Flávio Bolsonaro e Lula na Band em cinco pontos
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Vorcaro, fraude no INSS, 'sinais de mentira': o debate entre Flávio Bolsonaro e Lula na Band em cinco pontos

Primeiro embate direto entre os dois candidatos à Presidência, a uma semana do segundo turno, é marcado por ofensas pessoais e pouco espaço para propostas

19/10/2026 03h30 Atualizado 19/10/2026 03h30

No primeiro debate que reuniu os dois principais candidatos ao Palácio do Planalto neste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações de envolvimento com o Banco Master e com fraudes no INSS, e gastaram boa parte do encontro apontando supostas mentiras em discursos de um e de outro.

Com respostas curtas, ambos priorizaram manejar seu tempo de fala na tentativa de evitar que o adversário tivesse a palavra final, o que deixou o debate truncado e recheado de ofensas pessoais. Veja a seguir os principais pontos do debate:

1- Nervos à flor da pele

Com um formato que permitia que os candidatos caminhassem pelo estúdio e escolhessem o tema de perguntas, o debate teve diversos momentos de nervos à flor da pele. Flávio obteve um direito de resposta no primeiro bloco, em que foi chamado mais de uma vez de “miliciano” por Lula.

O presidente, por sua vez, se irritou devido a gestos que Flávio fazia por trás dele enquanto falava e chamou o adversário de “palhaço”, o que gerou uma breve interrupção para que os mediadores pedissem respeito às regras do encontro.

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O início do debate já deu o tom do que seria o encontro: na primeira pergunta, Lula questionou Flávio sobre ter votado contra a ampliação de licença maternidade quando era deputado estadual, e o candidato do PL rebateu citando uma entrevista da lobista Roberta Luchsinger anteontem, à CNN Brasil, na qual sugeriu que denunciará irregularidades na gestão petista.

Lula, então, acusou o adversário de ser “sócio do Careca do INSS”, com quem a lobista trabalhava, e depois perguntou a Flávio o destino dos R$ 134 milhões negociados com o banqueiro Daniel Vorcaro a pretexto de financiar o filme “Dark horse”. Flávio rebateu lembrando acusações de corrupção contra Lula na Lava-Jato e buscou associar Vorcaro e as fraudes do INSS ao atual governo.

2- Troca de acusações sem resposta

As trocas de acusações entre Lula e Flávio sobre o caso Master e as fraudes no INSS ocuparam boa parte do primeiro bloco. Diante do impasse gerado pelos assuntos, com ambos se recusando a se alongar sobre questionamentos, os dois temas acabaram abandonados.

Lula insistiu em questionar Flávio se a real destinação dos recursos negociados com Vorcaro era “sustentar seu irmão”, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, para “instigar golpe contra o Brasil” em seu autoexílio nos EUA.

— Vocês fizeram ele (Vorcaro) banqueiro, e eu fiz dele prisioneiro — disse Lula.

Flávio procurou trazer para si o discurso de combate à corrupção, e elogiou tanto o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master, quanto ex-integrantes da Lava-Jato como o governador eleito do Paraná Sergio Moro (PL) e o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo), que foram ao debate como seus convidados:

— Não foi você que prendeu Vorcaro, foi o ministro André Mendonça, que você diz que é seu inimigo — rebateu Flávio.

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O candidato do PL, por sua vez, insistiu em questionar Lula sobre a relação entre seu filho Fábio Luís, conhecido como Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger — que era próxima ao também lobista Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS” e acusado de fraudes em aposentadorias.

— A Roberta é caso de Polícia Federal — disse Lula, que em outros momentos desafiou Flávio para ambos “abrirem o sigilo bancário e telefônico para a população saber quem é ladrão”.

Flávio evitou responder diretamente ao desafio, e acusou Lula de ser “o único já condenado por corrupção”.

— Não tenho nada a esconder. A questão é que seu dinheiro é por fora sempre. Não está na sua conta — alegou o candidato do PL.

3- "Mea-culpa" na saúde

Em um raro momento em que os dois candidatos de fato responderam um ao outro, já no segundo bloco, Lula criticou a proposta de Flávio de nomear o médico Claudio Lottenberg, diretor do Hospital Albert Einstein, como eventual ministro da Saúde, e acusou o rival de querer “privatizar o SUS”. O petista criticou a condução do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, na pandemia da Covid-19, citando o dado de 700 mil mortos pelo vírus no país.

— Ele poderia ter evitado metade das mortes se acreditasse na ciência. Eles não acreditaram — afirmou.

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Flávio, que vem tentando emplacar o discurso de que é uma versão “moderada” do pai, reconheceu que “saúde não foi a área em que tivemos o melhor resultado no governo Bolsonaro”.

— Eu faço esse mea-culpa. Mas quero falar que, nos 20 anos de governos do PT, mais de 700 mil morreram assassinadas. Isso era uma pandemia que poderia ser evitada — argumentou.

4- Segurança pública

A segurança pública, apontada em pesquisas eleitorais como a principal preocupação dos brasileiros neste ano, foi um dos temas mais explorados pelos dois nesse primeiro debate com a participação de ambos. Lula e Flávio procuraram assumir o crédito pela Lei Antifacção, aprovada pelo Congresso no atual governo, e que prevê aumento de penas para líderes de organizações criminosas.

Flávio também defendeu mudar a legislação para implementar “castração química em estupradores” e a redução da maioridade penal de 18 para 14 anos de idade. O candidato do PL buscou associar o governo Lula, que também passou a defender a redução da maioridade penal, de uma suposta leniência com o crime.

— Eles fizeram emenda para a maioridade penal ser apenas para crimes hediondos. Sabe quem ia ficar de fora? Ladrão de celular, traficante de drogas. São esses marginais que apontam arma para sua cabeça no sinal de trânsito.

Em resposta, Lula listou medidas já implementadas no seu governo para combate a roubo de celulares, e evitou entrar em propostas de endurecimento da legislação penal, tema que gera resistências na esquerda. O petista buscou se contrapor ao discurso de Flávio citando medidas com apelo entre os mais pobres, como o perdão de dívidas.

— Podemos continuar gerando condições de o país dar um salto de qualidade, ou voltar ao retrocesso e ao atraso. Vamos fazer as pessoas ficarem livres dessa dívida — disse Lula.

Ainda na seara da segurança pública, Flávio defendeu classificar facções criminosas como “organizações terroristas”, em linha com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump. Lula rebateu acusando o rival de estar “subordinado aos interesses americanos” e de “pedir intervenção do Trump no Brasil”.

5- Sinais de mentira

A exemplo de uma estratégia adotada em debates contra Jair Bolsonaro em 2022, Lula procurou colar no adversário o rótulo de mentiroso, e Flávio devolveu no mesmo tom. O presidente afirmou que podia ver “nos olhos” de Flávio que ele não falava a verdade:

— Toda vez que ele falar, olhe nos olhos desse homem. Porque qualquer pessoa aprende desde pequeno que a mentira está nos olhos, não na palavra.

Já o candidato do PL disse que o rival tinha “cacoetes” de quem mentia.

— Cada vez que o Lula fala ‘sabe, sabe’ e cada vez que olhar para cima, é porque está mentindo. São dois cacoetes que ele tem — afirmou Flávio.

(*estagiários sob supervisão de Luã Marinatto; colaboraram Felipe Gelani, Luis Felipe Azevedo e Rafaela Gama)

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