'Há uma politização desse delegado', afirma Castro sobre investigação da PF que aponta loteamento de cargos no Executivo
Governador reagiu às conclusões do relatório que mostra uma planilha com a divisão de postos entre deputados aliados em estruturas como o Ceperj, a Fundação Leão XIII, a Lei Seca e o próprio Segurança Presente
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GERADO EM: 28/02/2026 - 14:23
Governador Cláudio Castro critica investigação da PF sobre cargos no RJ
O governador Cláudio Castro criticou a investigação da Polícia Federal que aponta loteamento de cargos no Executivo estadual, envolvendo deputados aliados em órgãos como Ceperj e Fundação Leão XIII. Castro acusou o delegado responsável de politização e defendeu que seu governo segue práticas comuns de coalizão. Ele negou descontrole nas nomeações e comparou a situação à divisão de ministérios no governo federal.
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Neste sábado (28), durante a inauguração de uma base da Operação Segurança Presente em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias, o governador Cláudio Castro reagiu às conclusões do relatório da Polícia Federal que apontam loteamento de cargos em órgãos do Executivo estadual.
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A investigação que indiciou o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, menciona uma planilha com a divisão de cargos entre deputados aliados em estruturas como o Ceperj, a Fundação Leão XIII, a Lei Seca e o próprio Segurança Presente.
Segundo a PF, sob a administração de Bacellar, a Alerj “potencializou sua influência na tomada de decisões que estariam inseridas no rol de prerrogativas do Governador do Estado”.
— Olha, eu li o relatório. Eu vi o que vocês falaram, ele tem que fazer a mesma leitura no governo federal deles, que tem todos os partidos de lá igual tem aqui, tem que fazer a leitura na prefeitura que também é aliado deles, que tem 39 secretarias — alfinetou Castro.
O governador comparou a composição de seu secretariado à divisão de ministérios no governo federal, citando partidos que ocupam pastas em Brasília. “Essa é a maneira de eu ir fazer política”, disse, acrescentando que gostaria que o mesmo delegado federal analisasse também a distribuição de cargos na União.
Castro elevou o tom ao questionar a atuação do responsável pelo relatório.
— Eu tenho certeza de que há uma politização desse delegado, esse delegado é conhecido por ser politizado, por ser parcial, e ele coloca isso como uma forma de desgastar o governo — declarou.
Em seguida, reforçou a crítica: — Acho que o delegado tem que ser perguntado se isso também não cabe para o governo federal do qual ele faz parte e no qual hoje é mais que isso até, que ele está completamente instrumentalizado.
Sobre a possibilidade de perda de controle das nomeações, o governador foi categórico:
— Então não tem isso de perder o controle, são 460 mil servidores, então é impossível o governador saber qual é a questão agora — disse.
Ele argumentou ainda que o Estado tem menos secretarias que a prefeitura da capital e que o governo federal.
O relatório da PF cita a existência de uma anotação na planilha apreendida com a expressão “cargos para compensar o Ceperj”, em referência ao órgão que já foi alvo de investigações sobre pagamentos realizados durante o período eleitoral de 2022. O caso também é analisado no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral.
A investigação sustenta que a influência parlamentar teria ultrapassado a articulação política comum em governos de coalizão, avançando sobre decisões que seriam prerrogativas do Executivo estadual. O governador, no entanto, rejeitou essa interpretação e atribuiu a apuração a motivações políticas.