Fórum dos Leitores
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Fórum dos Leitores

O que temer?

O que temerão os governistas com a aprovação, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, da quebra dos sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha (Estadão, 27/2)? Ou ele não tem o que esconder – e, neste caso, a grande preocupação das legiões do Planalto se resume ao estrago político, de relativamente fácil correção, mas capaz de influenciar a conquista do Santo Graal representado pela reeleição de Lula; ou paira no ar uma quase certeza, conhecida pelos mais próximos do governo, de que ele realmente esteve envolvido com os desvios das aposentadorias do INSS, deles se beneficiando financeiramente, fato que resultaria em dano não somente político, mas também – e principalmente – moral, o que certamente terá potencial para prejudicar superlativamente a marcha ao quarto mandato. Opiniões sobre a mesa.

Paulo Roberto Gotaç

Rio de Janeiro

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O cidadão entende

Deputados trocam socos e empurrões em votação (Estadão, 27/2, A7). A gritaria na Câmara dos Deputados durante a aprovação da quebra de sigilos de Lulinha não foi indignação moral; foi desespero político. Quando parlamentares se esgoelam para impedir uma investigação, o cidadão comum entende o recado: há mais medo de transparência do que compromisso com a verdade. O presidente Lula já declarou que, se seu filho tivesse alguma coisa que ver com o escândalo do INSS, teria de pagar. A frase era bonita. O problema é a prática. Se não há nada a esconder, por que a tropa de choque para barrar quebras de sigilo? Por que transformar procedimento institucional em batalha campal?

Luciana Lins

Campinas

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Jogo de cena

Pouco tempo atrás o presidente da República, Luiz Inácio, disse que, se o filho dele estivesse envolvido com as fraudes no INSS, teria de pagar o preço. Ora, então que baixaria foi aquela, quando a CPMI aprovou a quebra dos sigilos de Lulinha? A verdade é que Lula jogou para a plateia, como sempre faz. Pobre país...

Panayotis Poulis

Rio de Janeiro

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Por onde anda?

Nos últimos dias a imprensa tem noticiado a quebra dos sigilos do filho de Lula na investigação da fraude no INSS, mas não se fala mais de outro familiar do presidente, José Ferreira da Silva, irmão de Lula, que era vice-presidente de uma entidade envolvida nos descontos ilegais. Por quê?

Aldo Bertolucci

São Paulo

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Poderes da República

‘Eu quero saber’

O bom artigo Ninguém acima da lei (27/2, A4), de José Cesar “Zeca” Martins, coordenador da iniciativa cívica Derrubando Muros, nos induz a pensar numa campanha fundamental para este momento do Brasil. “Eu quero saber” seria um bom título para ela. Se nós, cidadãos, somos os empregadores dos agentes do Estado, queremos saber, por exemplo, por que emendas parlamentares secretas? Por que sigilo só quando os envolvidos são poderosos e têm advogados especialistas em encobrir falcatruas? Por que penduricalhos que furam o teto constitucional, se sou eu o empregador e ninguém me consultou? Por que inquérito interminável para defender dúvidas inerentes a figuras públicas, que em bons ventos querem ser estrelas e, nos maus momentos, inquisidores? Eu quero saber, e sei que tenho esse direito. Ou não?

Carlos Ritter

Caxias do Sul (RS)

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Crimes contra mulheres

Impunidade

Brilhante o artigo de Elena Landau no Estadão de ontem (Matou a companheira e foi ao cinema). A lei de progressão penal no Brasil, por si só, já e um descalabro – vejam os exemplos citados pela articulista. Agora, quando se trata de agressões com ou sem morte contra as mulheres, “progressão” penal já passa a ser cumplicidade. Ou se reconhece que somos um país de leis frouxas e lenientes ou vamos continuar assistindo a este teatro de horrores. O Brasil está se tornando terra de ninguém. Quantos anos se passarão até os irmãos Brazão irem para a prisão domiciliar?

João Israel Neiva

Cabo Frio (RJ)

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Educação

A falência da Cultura

Quando uma livraria do tamanho da Livraria Cultura vai à falência e deixa R$ 288 milhões em dívidas (Estadão, 25/2), sabemos que a educação do Brasil não é prioridade.

Mica Barbosa

Casa Branca

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

IMORALIDADE

O documento obtido pelo Estadão contendo anotações do senador Flávio Bolsonaro feitas durante reunião na sede do PL mostra textualmente: “Pollon pediu 15 mi para não ser candidato”, referindo-se à desistência de eventual candidatura do deputado federal Marcos Pollon ao governo do Mato Grosso do Sul em troca de R$ 15 milhões. Flavio reagiu à divulgação do documento dizendo que, embora reconhecesse a anotação, o significado era outro. Pode ser. Entretanto, no início de dezembro passado, quando o senador anunciou sua candidatura à presidência, disse, em conversa com jornalistas: “Tem uma possibilidade de eu não ir até o fim [da candidatura] e eu tenho um preço para isso, que eu vou negociar. Eu tenho um preço”. Esse “preço” seria eventualmente o Congresso pautar a anistia. Ou seja, por mais que se tente negar, negociações envolvendo dinheiro ou qualquer outra coisa para que possíveis candidatos não se candidatem ou retirem suas candidaturas existem sim e não são de agora. Até certo ponto podem até fazer parte da política. Mas quando adentram o território da imoralidade, e isso frequentemente acontece, o assunto é outro.

Luciano Harary

São Paulo

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PARTIDO DA PRODUTIVIDADE

Roberto Solano

Rio de Janeiro

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TERCEIRA VIA

O País está precisando, urgentemente, de uma terceira via para excluir e eliminar, de uma vez por todas, a dupla Lula-Bolsonaro. Ninguém merece suportar os seus interesses espúrios. Na verdade, quem está despontando à cadeira presidencial - apesar de negar - é o corajoso ministro Flávio Dino que resolveu fazer uma lavagem contra servidores públicos que afrontam o teto constitucional salarial, mesmo que alguns sejam considerados legais. Vale a pena pensar no nome de Flávio Dino que pode ser uma opção interessante. Não precisa ter medo, pior não fica, disse aquela senhorinha de Taubaté!

Júlio R. A. Brisola

São Paulo

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SEPULTAMENTO

Se este desgoverno Lula for reeleito, nestas eleições, em 2026, seremos responsáveis pelo sepultamento da democracia no País.

Arcangelo Sforcin Filho

São Paulo

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DIA DO COMEDIANTE

Celso David de Oliveira

Rio de Janeiro

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VERGONHA SUPREMA

A revista britânica The Economist afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) está envolvido em um enorme escândalo ao relatar o envolvimento de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro e as fraudes do Banco Master. Os ministros acuados por denúncias de conflito de interesses, se defendem dizendo que as críticas direcionadas à Suprema Corte são ataques contra a democracia. A reputação do STF cai, dia após dia, até no cenário internacional. É uma vergonha suprema.

Jose Alcides Muller

Avaré

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OXIGÊNIO

O presidente da Unafisco prestou depoimento à Polícia Federal no âmbito do chamado inquérito das fake news por críticas dirigidas a ministros do STF. A situação produz um efeito curioso: cidadãos passam a declarar amor institucional preventivo. Elogiam antes mesmo de opinar. Aplaudem para evitar constrangimentos. Ironizam para se proteger. Crítica não é ataque. Discordância não é crime. Em qualquer democracia madura, instituições fortes convivem com questionamentos – e não os temem. Quando o receio de “criar problema” substitui o debate aberto, algo está fora do eixo. Respeito se constrói com transparência e equilíbrio, não com intimidação percebida. Se o cidadão começa a elogiar por medo, a democracia começa a perder oxigênio.

Izabel Avallone

São Paulo

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OFÍCIO

Que Deus abençoe e conforte os seus filhos, vítimas da tragédia construída pelo verbo e ações dos fúnebres humoristas estabelecidos na Praça dos Três Poderes: agentes errados, no lugar errado, no momento errado. Muito espertos, de ofício.

Celso David de Oliveira

Rio de Janeiro

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SE IMPOR

O Brasil não precisa dragar a Amazônia para movimentar milhares se barcaças e exportar centenas de milhões de toneladas de soja em grãos, seria muito mais racional e lucrativo o País industrializar a soja antes de exportar, isso reduziria muito o volume bruto e aumentaria muito o valor agregado das exportações. O presidente Lula da Silva afirmou que as valiosas Terras Raras não serão exploradas como o ferro, o Brasil exigirá o processamento interno de minerais críticos. Está mais do que na hora do Brasil se impor e parar de exportar matérias primas sem qualquer valor agregado. O País é especialista em criar riqueza para os países que compram as materiais primas a preço de banana, industrializam os produtos brasileiros e vendem com grandes lucros. Chega de vender café em sacas, soja em grãos, boi vivo, o país precisa aprender a ganhar dinheiro como gente grande, exportar café em cápsulas, soja e carne processadas e embaladas. O País precisa deixar de ser o eterno otário do mercado internacional e se posicionar como o País de primeiro mundo que ele almeja ser um dia.

Mário Barilá Filho

São Paulo

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CEDEU

O governo de Lula revogou o decreto das hidrovias amazônicas depois de invasões e vandalismo. Chamou de “escuta ativa”. No português claro: cedeu. Quando um governo recua após pressão organizada, não está dialogando – está ensinando método. A lição é simples: invada, quebre, pressione, e o Estado dobra. A pergunta que não quer calar: certos movimentos já têm ministro próprio dentro do Planalto? A presença de Guilherme Boulos na engrenagem política não é mero detalhe quando decisões estratégicas evaporam sob pressão de grupos ideologicamente aliados. Ninguém discute o direito de indígenas serem ouvidos. O que se discute é a autoridade do Estado. Projeto estratégico não se decide no grito. Se hidrovias são viáveis ou não, que estudos técnicos digam. O que não pode é transformar vandalismo em instrumento legítimo de negociação. Hoje são hidrovias. Amanhã será o quê? Política agrícola? Concessões? Marco legal? Basta elevar o volume? Governar não é temer militância. É estabelecer limites. Quando o poder formal se intimida, o poder informal ocupa o espaço.

Luciana Lins

Campinas

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MACHISMO

Matéria do Estadão de domingo, São Paulo derrota o Bragantino e vai as finais. Ao final da matéria, consta que o jogador Gustavo Marque disparou uma forma machista contra a arbitra alegando que mulher não deveria apitar. O jogador foi punido porque andou pensando alto. Se ao contrário tivesse dito a verdade, ou seja, que as mulheres embelezam o campo e são mais delicadas, homens não deveriam apitar quem poderia contestar?

Paulo Delleva Chagas

São Paulo

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MONSTRO

O Brasil “País do Futebol”, desde 1994 não é campeão da Copa do Mundo, mas agora Carlo Ancelotti vai quebrar o jejum. Ancelotti é consagrado, um dos melhores técnicos e, a peso de ouro, foi contratado pela CBF. Nas convocações esqueceu do “monstro”, Thiago Silva, que está em plena forma física, mental, esbanjando vigor e qualidade. Só tem explicação, a de que o Thiago não precisava ser testado e Lancelotti, visando a conquista do hexa, convoca o “monstro” para erguer a taça.

Humberto Schuwartz Soares

Espírito Santo

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ESCALA DE TRABALHO

Como sempre José Pastore em seu artigo Jornada e produtividade: causa ou efeito? (Estadão, 26/2, B7) foi claro, didático, sereno, apartidário, sem populismo, sem casuísmo e com bons argumentos ao dizer que o essencial para reduzir a jornada e cancelar uma escala de trabalho é inevitável usar a negociação coletiva para cada atividade específica e não na base da “canetada”, como está sendo encaminhada. Do jeito que está sendo executada, todos perdem.

Vital Romaneli Penha

Jacareí