Críticos internacionais miram os vinhos brasileiros
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Críticos internacionais miram os vinhos brasileiros

A aposta de Atkin ao lançar este relatório aponta o crescimento da relevância do Brasil no mercado do vinho. O crítico, hoje, é uma das únicas 422 pessoas no mundo que pode adicionar as duas letras mágicas (MW) a seu sobrenome, a abreviatura de Master of Wine, um dos títulos mais difíceis e cobiçados deste segmento. Seus reports, de grande influência no exterior, são conhecidos por indicar tendências e pelas análises precisas do mercado avaliado, com foco no consumidor europeu. Até então, os vinhos brasileiros eram avaliados apenas pelo crítico chileno Patrício Tapia, que incluiu os nossos rótulos a partir da edição de 2015, do seu guia Descorchados.

O guia brasileiro chega ao mercado 15 anos depois de Atkin lançar a sua avaliação dos vinhos da África do Sul, o que faz anualmente deste então, e também de mercados como Rioja e Ribera del Duero (seu trabalho tem um foco grande nos vinhos espanhóis), Argentina e Chile, relatórios que foram lançados nos anos seguintes. Em suas 50 páginas, destaca vinícolas e vinhos já bastante conhecidos dos brasileiros – a maior surpresa são os brancos da Cata Terroirs, de Santa Catarina, e o enoturismo da Floppa & Ambrosi, da Serra Gaúcha. A maioria dos grandes produtores estão premiados, como Aurora, Nova Aliança, Casa Perini, entre outros.

“Este é o momento para o mundo olhar o Brasil não apenas com um mercado atrativo para a venda de vinhos, mas como um país produtor, com sua própria identidade, sistemas consolidados e uma história que merece ser contada”, escreve Gabi Zimmer, a especialista uruguaia que assina o report. Gabi degusta com Atkin desde 2021 e, em 2024, assinou a primeira edição do relatório sobre os vinhos uruguaios.

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A diversidade brasileira é bastante destacada no relatório. Há ênfase nas três formas de viticultura praticadas por aqui – a tradicional, como acontece no sul do Brasil; a tropical, com as várias podas realizadas no Nordeste, e a poda invertida, que acontece em regiões do Sudeste e do Centro Oeste, com a colheita no inverno. “O desafio internacional é comunicar a diversidade brasileira com clareza”, conta Gabi.

E entre os dez pontos que ela elenca sobre os nossos vinhos está no método charmat longo, de segunda fermentação dos espumantes em tanques, como diferenciação, e a nossa afinidade com os vinhos de estilos mais doces, e o papel fundamental do suco de uva no mercado.

O Pódio

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(os destaques do Brazil 2026 Special Report)

Enólogo do ano: Daniel Dalla Valle, da Casa Valduga

Jovem enólogo do ano: Eduardo Strechar, da Cata Terroirs

Enólogo lendário: Flávio Pizzato, da Pizzato

Melhor experiência: Floppa & Ambrosi

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Vinho tinto do ano: Pizzato DNA 99 2022, da Pizzato

Vinho branco do ano: Gran Cata Alvarinho 2022, da Cata Terroirs

Vinho rosé do ano: Fração Única Rosé Pinot 2025, da Casa Perrini

Espumante do ano: Ouro Extra Brut, da Don Giovanni

Tinto custo-benefício do Ano: Cerro da Cruz Assemblage 2022, da Nova Aliança

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Branco custo-benefício do Ano: Chardonnay Pinto Bandeira 2025, da Aurora

Rosé custo-benefício do Ano: Tannat Rosé 2024, da Nova Aliança

Espumante custo-benefício do Ano: Ouro Brut, da Salton

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