A conta chega a ser ridícula de tão simples. O Brasil tem mais de 2,5% da população mundial e não produz 2,5% da riqueza mundial, produz 1,5%. Países onde a população ocupa um espaço maior na população global do que a riqueza ocupa na riqueza global são países mais pobres. E países onde a riqueza é maior do que a população são países mais ricos.
Você pega a Alemanha, menos de 1,5% da população mundial, mais de 4% do PIB mundial, um país rico. Os Estados Unidos representam um pouco mais de 4% da população mundial e produzem entre 26% e 27% do PIB global, então eles são riquíssimos.
Claro que esse não é o único indicador de riqueza, tem outros, mas em todos o Brasil tá mal na foto, seja porque não é rico, seja porque não consegue enriquecer. Aliás, esse é o problema mais grave porque os países não nasceram pobres ou nasceram ricos, podem ter nascido com mais ou menos recursos minerais, podem ter tido um solo mais fértil, menos fértil, mais adequado à agricultura ou não, mais água, menos água, mas foi o trabalho da sociedade que produziu a riqueza. Se não fosse assim, Singapura ia ser uma miséria, e virou um hub financeiro, um hub tecnológico. O Japão, o Japão não tem petróleo, o Japão os recursos minerais não impressionam, e tem uma posição de destaque na indústria. Você pega eletrônico, automobilístico. Suíça prosperou com banco, banco não nasce do solo, indústria farmacêutica. Isso para citar alguns exemplos.
Coreia do Sul, é sempre bom lembrar, você volta 40 anos no tempo, Coreia do Sul e Brasil tinham uma renda per capita semelhante, a Coreia era um pouquinho mais rica já, mas enquanto o Brasil no período conseguiu aumentar a renda per capita 190%, a Coreia do Sul aumentou 650%.
Então a gente não é rico, a gente não se tornou rico e a gente tá com dificuldade pra enriquecer. Tem jeito de resolver? Claro que tem. Tem jeito certo, demonstrado, testado e jeito errado, o jeito dos políticos, o jeito da demagogia, o jeito do populismo, da ideia atrasada de que gasto público aumenta a renda das pessoas, como se o estado fosse uma fonte de justiça, quando ele é na verdade a origem do mal, é um mal necessário mas é um mal. O jeito demonstrado, testado, passa pela abertura comercial.
E eu toco nesse assunto porque saiu uma publicação de primeira linha coordenada pelo economista Daniel Glazer com vários autores que aprofunda o peso da abertura comercial, o papel no enriquecimento dos países, disseca a relação direta entre abertura da economia, aumento do volume de importações, redução de tarifas, redução de número de entraves não tarifários e enriquecimento do país, redução de pobreza, aumento de oportunidades, aumento da massa salarial, aumento, aliás redução da informalidade.
O estudo é sobre o Brasil mas faz comparação com outros países. Não é uma leitura emocionante naturalmente, são 400 páginas quase, mas é inquietante. Tomara que esse trabalho não seja mais um que se perca nas prateleiras e que seja lido por aqueles que prometem cuidar da nação, prometem mas não cumprem o que prometem.