Israel não prevê um feliz ano novo
politica

Israel não prevê um feliz ano novo

Israel não espera um feliz ano novo de 2026: o Índice de Voz Israelense apurou que a maioria da população, ou 71%, diz que haverá uma guerra com o Hezbollah, no Líbano; 69% preveem que a guerra será contra o Irã; e 53% acreditam no recrudescimento dos combates contra o Hamas, em Gaza.

A guerra contra o Hezbollah não acabou com o cessar-fogo promovido pelos EUA e França: Israel confirmou ter atacado, hoje, um campo de treinamento das forças de elite Radwan, no sul do Líbano.

“Os alvos atingidos e o treinamento militar realizado em preparação para atividades contra o Estado de Israel constituem uma violação dos entendimentos entre Israel e Líbano e uma ameaça ao Estado de Israel”, afirmou o porta-voz militar em Jerusalém.

A Comissão de Defesa e Relações Exteriores do Parlamento israelense aprovou, por 8 a 7, ontem, a extensão de emergência para a mobilização de 280 mil soldados, a pedido do ministro da Defesa, Israel Katz, que se disse “convencido de que a segurança do Estado requer a continuação dos serviços”.

O APOCALIPSE, ONTEM.

O novo diretor do Mossad, a espionagem israelense no exterior, escolhido esta semana pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apresentou uma tese de doutorado na National Security College, em 2019, em que propôs que Israel venda ogivas nucleares ao Egito, Arábia Saudita e Turquia, como solução radical para a crise nuclear com o Irã.

Netanyahu descreveu seu secretário militar Roman Gofman, o novo diretor do Mossad, como “criativo, com iniciativa, astúcia e profundo conhecimento do inimigo”. O jornal Yedioth Ahronot publica hoje um resumo de sua tese, “O Apocalipse de Ontem”. E comenta: “O artigo de Gofman prevê uma resposta altamente não convencional: uma transferência controlada de armas nucleares para três estados-chave do Oriente Médio, a fim de criar um novo equilíbrio estratégico multipolar.”

E mais: “Segundo o cenário hipotético, Israel ameaçaria disseminar armas nucleares na região como forma de pressionar as grandes potências — Estados Unidos, Rússia e China.” A ameaça, escreveu Gofman, levaria cada potência a “adotar” um Estado (Arábia Saudita, Egito e Turquia, respectivamente) e armá-lo com armas nucleares.

Israel, certamente, não escolheria a Turquia para tutelar com armamento nuclear. Não a escolhe, hoje, nem para tomar parte na Força Internacional de Estabilização que os EUA estão criando para Gaza. O presidente turco Erdogan e o primeiro-ministro Netanyahu brigam publicamente há muito tempo.

Mas a Turquia insiste em participar, afirmando que é um avalista do cessar-fogo entre Israel e Hamas, e “precisa estar lá”.

“Nossas forças estão prontas. Preparamos todas as unidades necessárias. No momento em que a ordem for dada, formaremos imediatamente uma unidade modular”, anunciou a Turquia. “Se você diz que 'as tropas turcas não podem vir', então você não quer que esta missão [o processo de cessar-fogo e as Forças de Segurança Israelenses] tenha sucesso. Você pretende continuar com o genocídio”.