Conhecido como “Faraó das Bitcoins”, Glaidson Acácio dos Santos entrou com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a revogação de sua prisão preventiva. Preso desde 2021, ele é apontado como um dos principais responsáveis por esquemas de pirâmide financeira envolvendo criptomoedas no Brasil. Além dos crimes contra o sistema financeiro, Glaidson também responde por homicídio e tentativa de homicídio.
A defesa sustenta que há excesso de prazo na custódia, afirmando que o empresário segue preso preventivamente há mais de três anos sem que o processo tenha sido concluído, o que violaria garantias constitucionais. Nesta terça-feira (9), porém, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a sua soltura. Para a PGR, a prisão está fundamentada na gravidade dos crimes, no risco de novos delitos e na possibilidade de fuga.
O recurso será analisado pelo ministro Luiz Fux. Se a liberdade não for concedida, os advogados pedem a substituição da prisão por medidas cautelares, como monitoramento eletrônico.
Operação da PF amplia suspeitas sobre estrutura ligada ao Faraó
Também nesta terça-feira, horas antes da manifestação da PGR, a Polícia Federal deflagrou uma operação no Distrito Federal que reforça as conexões do caso. A ação mirou um braço financeiro que, segundo os investigadores, teria movimentado valores bilionários de origem ilícita e atuado para ocultar patrimônio ligado ao grupo empresarial associado a Glaidson.
A investigação aponta que o esquema funcionava por meio de uma rede de empresas usadas para mascarar a circulação de recursos e para adquirir bens como imóveis, veículos e participações comerciais. De acordo com a PF, o volume total rastreado ultrapassa a casa dos bilhões, com centenas de milhões identificados como resultado direto de práticas criminosas.
A operação cumpriu mandados de busca e de prisão em vários endereços do DF e no exterior, e resultou na apreensão de materiais e na detenção de suspeitos apontados como responsáveis pela movimentação e pela blindagem patrimonial. A Justiça também determinou o bloqueio de valores que chegam a quase R$ 700 milhões, além do sequestro de propriedades urbanas e rurais.
Investigadores afirmam que parte das transações identificadas nesta nova ofensiva está diretamente ligada a pessoas e empresas já monitoradas no esquema original da GAS Consultoria, criada por Glaidson. Trata-se da primeira operação que, oficialmente, rastreia a expansão do suposto esquema para Brasília, revelando ramificações com grande volume financeiro e novos núcleos empresariais.