Sabalenka é contra mulheres competirem contra trans: "É injusto"
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Sabalenka é contra mulheres competirem contra trans: "É injusto"

A tenista Aryna Sabalenka, número 1 do mundo, chamou atenção ao falar sobre a participação de atletas transgêneros, em entrevista publicada nesta terça (10). Ela disse ao jornalista britânico Piers Morgan que trans não deviam jogar.

"É uma questão complicada. Não tenho nada contra eles (atletas transgêneros), mas sinto que ainda têm uma grande vantagem sobre as mulheres. Acho injusto para as mulheres terem de se deparar com um homem biológico. Elas trabalharam a vida inteira para atingir seu limite e, então, tem que enfrentar um homem, biologicamente muito mais forte. Eu não concordo com eles no esporte", disse ela.

Sabalenka vai participar da "Batalha dos Sexos", duelo que acontece desde 1970 e terá nova edição em 28 de dezembro. A número 1 do mundo enfrentará o australiano Nick Kyrgios.

A Batalha dos Sexos surgiu em um contexto de luta por igualdade de gênero no tênis. O evento mais famoso aconteceu em 1973, entre Bobby Riggs e Billie Jean King, com vitória da tenista.

Questionada por Morgan se o evento pode contribuir com uma visão misógina no esporte, a tenista disse que o objetivo, na verdade, é explorar ao máximo a capacidade dos tenistas.

"É muito engraçado ver como as pessoas vê isso (a Batalha dos Sexos). Assim como disse Nick antes, e muito bem, nós só estamos elevando o nível do nosso esporte e mostrando isso. A visibilidade que esse evento conseguiu nos últimos meses é incrível e nós vamos competir. Nós vamos explorar mais do nosso esporte e acho que esse é o nosso objetivo. Claro que eu quero brigar, quero me divertir e quero colocar esse cara (Kyrgios) em uma situação inconfortável", completou.

A “Batalha dos Sexos” tem algumas mudanças em relação a um jogo comum, como a diminuição da quadra para as mulheres. Sabalenka admitiu que só é capaz de derrotar um tenista que já esteve dentro no top 20 da ATP, Kyrgios, pelas mudanças do evento.

"Bom, para ser honesta, eu acho que se jogarmos com uma quadra toda, com todas as regras, seria muito difícil para mim competir contra homens. Fisicamente, eles são mais fortes, velocidade, força dos golpes na bola, tudo é mais forte. Então, é difícil competir. Mas nessas condições, com, como teremos agora, com uma quadra 9% menor, acho que é ok. Talvez, no mínimo, eu tenha um chance maior de para competir. Acho que posso vencer nessas condições", concluiu.

Com Estadão Conteúdo