Rubens Barbosa vê "caos internacional" após ataques ao Irã
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Rubens Barbosa vê "caos internacional" após ataques ao Irã

Em entrevista especial à edição da noite da BandNews TV, o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa, classificou como "muito grave" a escalada de tensão no Oriente Médio após os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

O diplomata analisou o cenário de incerteza global, apontando para uma crise no multilateralismo e um provável impacto econômico imediato.

Incerteza sobre a liderança iraniana e "guerra de narrativas"

O ponto central da tensão reside nas informações conflitantes sobre o alvo dos ataques. Enquanto o presidente americano Donald Trump afirmou à NBC News acreditar que os relatos sobre a morte do Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, estão corretos, Teerã classifica a informação como "guerra psicológica".

Para Rubens Barbosa, a confirmação ou não da eliminação da cúpula iraniana e de comandantes da Guarda Revolucionária é a peça-chave para os próximos dias.

"Estamos aguardando a confirmação da notícia da 'decapitação' do líder religioso do Irã. Se isso ocorreu, a capacidade deles de recompor o governo e a resiliência em responder será testada", afirmou o ex-embaixador, ressaltando que, no momento, vive-se uma guerra de narrativas entre as potências envolvidas.

Impactos econômicos e militares

Barbosa prevê consequências imediatas para a economia global. "Na segunda-feira já vamos ver o preço do petróleo subindo", alertou, citando também o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio de óleo, caso o conflito se prolongue.

Do ponto de vista militar, o ex-embaixador avalia que a infraestrutura defensiva do Irã foi severamente comprometida. "As instalações estratégicas, radares e sensores devem ter sido destruídos, o que limita a capacidade de defesa e retaliação imediata do Irã", explicou.

No entanto, durante a transmissão, a âncora informou que a agência estatal iraniana Fars anunciou o início de uma "terceira e quarta ondas" de ofensivas com mísseis avançados contra bases militares dos EUA e de Israel, sugerindo que o regime ainda possui capacidade de resposta.

O enfraquecimento da ONU

Um dos pontos mais críticos da análise de Barbosa foi o papel das Nações Unidas. Com o Conselho de Segurança reunido em emergência, o diplomata foi cético quanto à eficácia da organização.

"A situação do ponto de vista da ordem internacional é caótica, sem regras e sem influência dos organismos internacionais", disparou Barbosa. Ele apontou que tanto a ONU quanto a OMC (Organização Mundial do Comércio) estão enfraquecidas, citando a retirada de apoio financeiro por parte dos Estados Unidos e o poder de veto das grandes potências (EUA, Rússia e China) que paralisa decisões efetivas.

"A reunião do Conselho de Segurança é simbólica, mas não tem poder de influir nos acontecimentos. O multilateralismo está muito enfraquecido", completou.

A Posição do Brasil

Sobre a postura do governo brasileiro, que emitiu uma nota padrão condenando o conflito e pedindo paz, Barbosa defendeu a atitude do Itamaraty.

"A nota está correta. O Brasil não tem excedente de poder para interferir num conflito dessa magnitude. Devemos nos limitar a lamentar o ocorrido e pedir o restabelecimento da paz, assim como fizeram China, Rússia e países europeus", concluiu o ex-embaixador, ressaltando que o isolamento do Irã na região e a falta de apoio global tornam o cenário ainda mais complexo para uma intervenção diplomática de terceiros.