Suspeita de integrar esquema de exploração sexual infantil é presa no Rio; rede mirava meninas de Cidade de Deus e Jacarezinho
Mariana de Oliveira Minas, de 42 anos, foi a quarta integrante da rede a ser detida; rede tinha como alvos meninas de comunidades como Cidade de Deus e Jacarezinho
17/10/2026 11h16 Atualizado 17/10/2026 11h59
Uma mulher suspeita de integrar um esquema de exploração sexual infantil, estupro de vulnerável e produção de conteúdo pornográfico com menores de idade no Rio foi presa por agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV). Mariana de Oliveira Minas, de 42 anos, foi encontrada em um abrigo em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio na quarta-feira. Ela é a quarta integrante da rede a ser detida. Segundo as investigações, o bando aliciava meninas de diversas comunidades, como Cidade de Deus, Bateau Mouche, ambas na Zona Sudoeste, e Jacarezinho, na Zona Norte.
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— Essa prisão faz parte da segunda fase de uma operação que investiga uma verdadeira organização criminosa de aliciamento e favorecimento à prostituição de crianças e adolescentes — afirma a delegada Maria Luíza Machado, titular da DCAV. — A desarticulação desse grupo é fundamental para proteger as crianças e adolescentes e impedir e proliferação de rede de pedofilia.
De acordo com as investigações, Mariana participava do núcleo em que mães teriam explorado sexualmente as próprias filhas, submetendo-as à prostituição ou negociando vantagens em troca. As vítimas incluiriam até bebês de poucos meses de idade.
Em março, a Polícia Civil já havia prendido o professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins, apontado como cliente do esquema. No sábado passado, foram presos Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, na Gávea, na Zona Sul, considerado um dos chefes da rede. No mesmo dia, Ariane de Oliveira foi detida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Contra esses dois últimos, foram cumpridos mandados judiciais de prisão temporária.
A participação de cada um no esquema
Réu em um processo na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital (Veca), do Tribunal de Justiça do Rio, e preso preventivamente, Cordovil era responsável pela exploração sexual, produção de conteúdos pornográficos com menores de idade e pagamento para vítimas e responsáveis. De acordo com as investigações, as vítimas preferenciais eram pessoas em situação de vulnerabilidade social, a quem ele atraía com oferta de vantagens, como dinheiro, festas e e a compra de aparelhos celulares. Luiz Alberto, com histórico na polícia por crime patrimonial, também participava do aliciamento e dos abusos sexuais.
Mariana, que já tinha passagens por abandono de incapaz e pelo homicídio a facadas do ex-marido, em 2012, e Ariane, por sua vez, eram responsáveis pelo recrutamento e apresentação das vítimas aos abusadores, diz a polícia.
— O inicial investigado (Cordovil) solicitava que crianças e adolescentes fossem levadas para que ele pudesse praticar atos libidinosos e produzir conteúdo de abuso sexual infantil. Ele filmava as ações — detalha a delegada. — Conseguimos chegar aos demais integrantes com base na investigação que começou com a participação de Cordovil. Agora, estamos avançando para tentar chegar a outras pessoas. Desta vez, apreendemos os celulares do Luiz e da Ariane. A Mariana não estava com celular.
Após a quebra de sigilo de um aparelho celular de Cordovil, a polícia encontrou conversas, a que o portal g1 teve acesso, em que os integrantes da rede de exploração falavam abertamente sobre o aliciamento de menores. Em algumas delas, Mariana envia fotos de possíveis futuras vítimas, como em novembro de 2022, quando ela encaminha registros de duas meninas, uma de 14 e outra de 15 anos.
Os quatro respondem por estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição, associação criminosa e corrupção de menores. Contra Cordovil, pesam ainda os crimes de produção, armazenamento e compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. Já no caso de Luiz Alberto, acrescenta-se o de armazenamento desse tipo de conteúdo.
O GLOBO tenta contato com as defesas dos presos.