Roubos dispararam em bairro da Zona Sul do Rio onde arqueóloga levou três tiros durante uma tentativa de latrocínio; entenda
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Roubos dispararam em bairro da Zona Sul do Rio onde arqueóloga levou três tiros durante uma tentativa de latrocínio; entenda

Só o delito de assalto a pedestre subiu mais de 47% no Leblon nos primeiros nove meses de 2026, em relação ao mesmo recorte de 2025

17/10/2026 04h00 Atualizado 17/10/2026 04h00

Perdeu! É com esta palavra que bandidos costumam anunciar os assaltos no Rio. E ela tem sido cada vez mais ouvida por quem passa pelo Leblon, na Zona Sul. Foi no bairro, dono de um dos metros quadrados mais caros da cidade, que na última quinta-feira, Tania Andrade Lima, de 81 anos, arqueóloga e professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acabou sendo atingida por três tiros após sacar dinheiro em uma agência bancária. Números divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam o crescimento da incidência dos roubos no Leblon nos nove primeiros meses de 2026.

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  • Na Zona Sul: polícia identifica um dos responsáveis por tentativa de latrocínio contra arqueóloga e professora aposentada da UFRJ no Leblon
  • O roubo a pedestres foi o delito que mais aumentou na região. Foram 238 casos entre janeiro e setembro de 2026, contra 161 registrados no mesmo período de 2025. A comparação revela um aumento de 47,8% na incidência desse tipo de crime.

    O roubo de celulares no Leblon também aumentou. Nos primeiros nove meses de 2026, foram registrados 244 casos. Já de janeiro a setembro de 2025, houve 227 ocorrências. Os números mostram uma elevação de 7,5% desse tipo de delito na comparação entre os dois períodos. O roubo após saque, mesmo tipo de crime que vitimou Tania Andrade Lima, foi outro que aumentou. Nos nove primeiros meses de 2025, foi registrado apenas um caso. Já no mesmo período de 2026, foram registrados cinco casos.

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    A Polícia Civil descobriu, por exemplo, que os dois criminosos responsáveis por assaltar e balear a arqueóloga nesta quinta-feira já haviam feito outras duas vítimas horas antes de a professora ser atingida pelos tiros. As ocorrências foram registradas em Copacabana e em Ipanema. Os dois homens fariam parte de uma quadrilha da região central do Rio que costuma atuar na Zona Sul.

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    Um dos criminosos já foi identificado, mas seu nome não foi divulgado pela polícia para não atrapalhar as investigações. Ele tem passagens por roubos registrados nas áreas da 14ª DP (Leblon), da 18ª DP (Praça da Bandeira) e da 6ª DP (Cidade Nova).

    — Esta pessoa identificada já tinha passagens e vinha sendo investigada, inclusive em outros procedimentos. Trata-se de um grupo criminoso que age de maneira reiterada e que vem atuando na Zona Sul — explicou ao GLOBO o delegado Alexandre Cardoso Netto, da 14ª DP.

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    A polícia já sabe que Tania Andrade Lima foi seguida após sair de uma agência bancária, onde teria sacado cerca de R$ 3 mil. Ela foi alcançada e abordada por um suspeito na Rua General Venâncio Flores, no Leblon. A professora tentou impedir que o criminoso levasse sua bolsa, mas acabou derrubada e arrastada pelo homem, que disparou três tiros contra ela. O assaltante fugiu na garupa de uma motocicleta conduzida por um comparsa, levando a bolsa da vítima, com o dinheiro e um celular.

    Imagens de câmeras de segurança registraram a ação. Um criminoso se aproxima da arqueóloga e tenta arrancar sua bolsa, fazendo com que ela caia na calçada. Mesmo com a vítima no chão, o assaltante insiste em puxar seus pertences e dispara contra ela. Três homens correm para socorrê-la, enquanto o bandido foge em direção a uma motocicleta conduzida por um comparsa.

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    Ferida no ombro, no pescoço e em uma das mãos, a arqueóloga foi levada inicialmente para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Em seguida, foi transferida pela família para uma clínica particular. Segundo a unidade de saúde onde está internada, ela passa bem e se recupera dos ferimentos.

    Tania Andrade Lima foi vencedora da 14ª edição do Prêmio Faz Diferença, do GLOBO, na categoria Rio, em 2016, por liderar as escavações arqueológicas que revelaram o Cais do Valongo, na Região Portuária do Rio.

    Responsável pelo policiamento ostensivo do bairro, a Polícia Militar informou que o policiamento da região é orientado por informações de inteligência e pela análise de indicadores criminais para direcionar o efetivo para áreas de maior necessidade. Abaixo, a íntegra da nota enviada pela corporação.

    "A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, de acordo com o comando do 23º BPM (Leblon), o policiamento na região é orientado por informações de inteligência e pela análise de indicadores criminais, com o objetivo de aprimorar as estratégias de segurança e direcionar o efetivo para as áreas de maior necessidade. A atuação ocorre de forma integrada com equipes da Operação Segurança Presente.

    O Comando destaca ainda que, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), no primeiro semestre de 2026, foram registradas, na área correspondente ao 23º BPM, 258 prisões em flagrante, 25 armas de fogo apreendidas, entre elas dois fuzis, 71 registros de apreensão de drogas e 48 veículos recuperados. Os indicadores refletem os resultados das ações de segurança pública desenvolvidas na região."

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