Escala 6x1, salário mínimo, cargos para a família em eventual governo: a entrevista de Flávio à TV Globo em seis pontos
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Escala 6x1, salário mínimo, cargos para a família em eventual governo: a entrevista de Flávio à TV Globo em seis pontos

Candidato admitiu que apoio à redução da jornada de trabalho foi eleitoral e defendeu fim da reeleição, mesmo com mandato de 4 anos

17/10/2026 03h30 Atualizado 17/10/2026 03h30

Em entrevista Globo, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) afirmou ter mudado de opinião e decidido apoiar o fim da escala 6x1 por conta da campanha eleitoral. Disse ainda que “não está no radar” oferecer um cargo em um eventual governo ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. Flávio não descartou de forma taxativa uma participação do pai na sua gestão; por outro lado, negou a hipótese de o irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, assumir o posto de chanceler. Buscando se esquivar de maiores esclarecimentos sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e sobre inconsistências em propostas de ajuste fiscal, o candidato procurou redirecionar essas cobranças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Escala 6x1

Flávio fez uma série de promessas com apelo eleitoral, como a de não reverter o fim da escala 6x1, cuja emenda constitucional foi promulgada ontem pelo Congresso. Embora se opusesse inicialmente à medida, ele votou a favor no Senado nesta semana, às vésperas do segundo turno.

— Rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores. Como ouvi que muitos estavam favoráveis ao fim da escala 6x1, eu votei de acordo com a maioria — afirmou. Não vou (reverter). Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento.

Salário mínimo

Flávio afirmou que manterá o reajuste acima da inflação do salário mínimo, e a vinculação deste com a correção das aposentadorias, além de manter os pisos de investimento anual em saúde e educação. Questionado sobre como entregar um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões, prometido por seus assessores econômicos, sem mexer nesses três pilares, o presidenciável do PL fez propostas genéricas, como a de cortar dez ministérios, e projetou “receitas novas” com a exploração de petróleo na Margem Equatorial, projetado para só começar na prática em 2033 — depois, portanto, do próximo mandato presidencial. Flávio reafirmou que não disputará a reeleição, mesmo que o mandato seja mantido em quatro anos. Ele alegou ainda que o “maior ajuste fiscal é tirar o Lula”.

Cargo para o pai

Em mais de um momento, ao ser instado a explicar propostas e posicionamentos públicos, o candidato optou por criticar o atual presidente. Ao ser lembrado, por exemplo, sobre o episódio em que Bolsonaro admitiu, em uma reunião ministerial gravada, que desejava interferir na Polícia Federal, Flávio minimizou a declaração do pai e acusou Lula de colocar “um amigo dele na direção da PF”.

Flávio evitou precisar qual será a influência de Bolsonaro em um eventual governo, e indicou que buscará se aconselhar com ele.

— O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo. Não está no radar — afirmou Flávio, que depois descartou nomear o irmão ministro das Relações Exteriores. — Eduardo não vai ser meu chanceler. Ele é um perseguido político que está denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil.

Desvio de perguntas

Flávio chegou a ser advertido pela entrevistadora, a jornalista Renata Lo Prete, por desviar do assunto de perguntas. O presidenciável do PL evitou responder inicialmente, por exemplo, sobre uma proposta defendida por ele no Congresso para retirar a marcação de munições de armas de fogo de forças de segurança, medida criticada por especialistas por abrir brecha para desvio de material para o crime organizado. Ao ser instado a esclarecer o assunto, Flávio disse que a proposta era um “detalhezinho” e uma “coisa muito menor ante o problema que o Brasil tem”.

Flávio chamou de “teses malucas” o argumento de que o aumento da quantidade de armas de fogo tende a elevar índices de violência; pesquisa Quaest divulgada em setembro, porém, indicou que a maioria dos brasileiros considera que limitar o acesso a armas melhora a segurança pública. Ao defender sua posição sobre o assunto, Flávio argumentou que os eleitores que votarem nele “sabem exatamente o que estão levando”, e voltou a buscar um contraponto com Lula, acusando o atual presidente de mudar seus posicionamentos sobre determinados temas às vésperas da eleição.

— Hoje o Estatuto do Desarmamento proíbe o cidadão comum de se defender e autoriza marginais a comprarem armas de guerra — alegou.

Vorcaro e Master

A exemplo de entrevistas anteriores, Flávio disse já ter prestado as explicações necessárias sobre sua negociação com Vorcaro, dono do Banco Master, para o aporte de até R$ 134 milhões a pretexto de financiar o filme “Dark horse”, em homenagem ao pai. O candidato do PL buscou comparar esta situação com contratos de patrocínio do Master com o grupo Globo, mas foi lembrado pela entrevistadora que, neste caso, os contratos “obedeceram a regras de transparência” e não tiveram “qualquer relação com a linha editorial” dos veículos jornalísticos. O contrato negociado por Flávio com Vorcaro, por outro lado, só veio à tona após reportagem do portal Intercept Brasil, e sua existência chegou a ser negada pelo presidenciável do PL, que depois teve que admiti-lo.

Flávio reiterou que os recursos repassados por Vorcaro “não tiveram nenhuma contrapartida” envolvendo sua atuação parlamentar no Senado, e que a verba ajudou a custear uma “obra-prima maravilhosa (...) e muito emocionante” sobre seu pai, que, segundo o candidato do PL, será lançada em breve.

Impeachment de Moraes

Flávio defendeu que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) citados em conversas com Vorcaro sejam investigados, para que se saiba se suas condutas são passíveis de impeachment. Ele evitou, porém, criticar diretamente o ministro Kassio Nunes Marques, indicado por seu pai à Corte e citado nessas conversas; em vez disso, Flávio redirecionou cobranças de impeachment ao ministro Alexandre de Moraes, a quem acusou de se comportar como “amigo do Lula” e de ter “atuação político-partidária” no processo da trama golpista, em que Bolsonaro foi condenado.

— Do jeito que está hoje, de fato, temos que proteger a instituição do STF. Não dá para um ministro, o Alexandre de Moraes, seguir dando canetada e perseguindo adversários — afirmou o presidenciável.

As entrevistas de ontem e anteontem foram uma das últimas oportunidades de escrutínio dos candidatos à Presidência em rede nacional antes do segundo turno. Flávio e Lula devem se encontrar ainda nos debates da Band, amanhã, e da TV Globo, na próxima sexta-feira.

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