Quem é Marcus Amim: delegado que comandou a Polícia Civil e teve nomeação articulada com Bacellar foi preso pela PF
politica

Quem é Marcus Amim: delegado que comandou a Polícia Civil e teve nomeação articulada com Bacellar foi preso pela PF

Operação também prendeu ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella e outros quatro policiais civis

Por O GLOBO — Rio de Janeiro

15/10/2026 09h33 Atualizado 15/10/2026 10h38

O delegado e ex-chefe da Polícia Civil Marcus Vinícius Amim Fernandes foi preso em uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira. Também foram presos o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella e outros quatro policiais civis. As prisões ocorreram no âmbito da oitava fase da Operação Unha e Carne, que visa a desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro. À frente da Polícia Civil entre outubro de 2023 e setembro de 2024, Amim chegou ao cargo após uma articulação política entre o então governador Cláudio Castro e o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar.

  • Operação Unha e Carne: Ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim são presos pela PF
  • Investigação: PF aponta movimentação de R$ 7,6 bi em esquema alvo de operação que prendeu Marcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil do Rio
  • Natural de Niterói, Marcus Amim é formado em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), onde concluiu a graduação em 2003. Por sua atuação na polícia, recebeu, em 2018, a Medalha Tiradentes, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2021, foi agraciado com a Medalha José Clemente Pereira, da Câmara Municipal de Niterói.

    Na Polícia Civil, Amim também recebeu outras condecorações em reconhecimento pelos serviços prestados: a Medalha de Fidelidade, em 2020; a Medalha de Honra, em 2019; e a Medalha de Devotamento, em 2018.

    Amim entrou na Polícia Civil e 2002 e é delegado há mais de dez anos. Como delegado-titular, comandou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e a 27ª DP (Vicente de Carvalho). Antes de ser nomeado secretário de Polícia Civil, em outubro de 2023, ele presidia o Detran-RJ.

    Indicado por Bacellar, também preso

    A indicação de Amim para chefiar a Polícia Civil, em outubro de 2023, partiu de uma articulação política. Seu nome foi escolhido pelo então governador Cláudio Castro e pelo então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, que também está preso, suspeito de envolvimento com o Comando Vermelho (CV).

    Para que Amim pudesse assumir o cargo, a Alerj aprovou às pressas um projeto que alterou a Lei Orgânica da Polícia Civil. A mudança permitiu que a corporação fosse comandada por delegados com 15 anos de atuação na instituição, inclusive em outros cargos. Antes, a legislação previa que o chefe da Polícia Civil tivesse 15 anos no cargo específico de delegado.

    Na época, o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro (Sindelpol) divulgou uma nota criticando a mudança e apontando “interferências políticas” na escolha do chefe da Polícia Civil.

    “Infelizmente, a prática corriqueira de interferências políticas diretas na escolha do chefe da Polícia Civil pelos mais diversos agentes externos se tornou tão banal e escancarada no Estado do Rio de Janeiro que não causa mais sequer surpresa ou perplexidade à sociedade carioca”, diz um trecho da nota.

    Amim foi exonerado do cargo de chefia da Polícia em setembro de 2024, quando foi substituído pelo delegado Felipe Curi.

    Polícia Civil divulga nota sobre operação

    Em nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) participa da operação e que "não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades."

    "A instituição mantém atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle, respeitando as atribuições de cada instituição, para garantir a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, quando cabível", diz a nota.

    O que é a operação Unha e Carne

    A Operação Unha e Carne é uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais no Rio de Janeiro. Tudo começou com um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV) numa operação anterior batizada de Zargun, que significa cor de ouro ou tonalidade dourada, cujo alvo era o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias. As investigações apontavam o ex-parlamentar como o elo político entre o Comando Vermelho e o Poder Legislativo.

    Notícias do Rio:

  • Milícia cobrava taxas de moradores de condomínio com mais de mil apartamentos e arrecadava R$ 100 mil por mês, diz polícia
  • Fantasias de Batman, Xuxa e Mulher-Maravilha: professora de Bangu recebe prêmio por alfabetização criativa
  • Cotado para presidir a Alerj, Delaroli entra no radar de Ruas para comandar superpasta de infraestrutura no governo do Rio
  • Fernanda Louback integrará equipe de transição de Douglas Ruas no governo do Rio
  • Tempo no Rio deve continuar instável nos próximos dias; veja previsão
  • As melhores rodas de samba 2026: júri do GLOBO elege os pagodes imperdíveis do Rio; veja ranking
  • CLIQUE AQUI E VEJA NO MAPA DO CRIME DO RIO COMO SÃO OS ROUBOS NO SEU BAIRRO
  • ← Volver a noticias