Após nova tarifa de 10% de Trump, estudo mostra que Brasil teve o maior alívio. Argentina viu situação piorar
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Após nova tarifa de 10% de Trump, estudo mostra que Brasil teve o maior alívio. Argentina viu situação piorar

Derrota na Suprema Corte fez presidente americano ameaçar nova taxa global de 15%, mas ele acabou impondo só 10%. Com isso, exportações brasileiras terão a maior redução de alíquota entre os principais parceiros dos EUA

Por Bloomberg

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    GERADO EM: 26/02/2026 - 12:28

    Brasil se beneficia com redução tarifária após decisão nos EUA

    Após a imposição de uma nova tarifa de 10% por Trump, o Brasil se beneficiou com a maior redução tarifária entre os parceiros dos EUA, passando de uma média de 31,2% para 12,2%. A decisão da Suprema Corte dos EUA, que determinou ilegal a maior parte das tarifas de Trump, foi crucial para esse alívio. Em contrapartida, a Argentina viu suas tarifas subirem, enquanto EUA planejam possíveis ajustes futuros.

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    Quando o presidente americano Donald Trump impôs tarifas de até 50% sobre os produtos brasileiros em julho do ano passado, o país se tornou o mais taxado do mundo pelos Estados Unidos. Houve algumas exceções depois e, na média, o país vinha pagando alíquota de 31,2% nos seus produtos exportados para os EUA — tarifa maior até mesmo do que os 30,7% pagos pela China.

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  • Mas, agora, com a reviravolta na política comercial dos EUA após a Suprema Corte determinar que a maior parte das tarifas de Trump são ilegais, o Brasil foi o grande vencedor. Cálculos da Bloomberg Economics mostram que, agora, a tarifa média aplicada sobre os produtos brasileiros é de 12,2%. Foi uma redução de 19 pontos percentuais, ou seja, o maior alívio entre os principais parceiros comerciais dos EUA.

    Após a derrota na Justiça na semana passada, Trump disse que iria criar uma nova tarifa comercial global de 10% e depois escalou a ameaça citando uma alíquota de 15%. Mas a Casa Branca acabou baixando um decreto com a taxa de 10% e, nesta quinta-feira, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, indicou que os 15% só seriam adotados “quando apropriado” e que buscava uma “continuidade” com os países que fecharam acordos comerciais.

    O ponto é: se a taxa for elevada para 15%, países com os quais os EUA vinham negociando abertura comercial, serão tarifados em patamar bem maior do que o praticado atualmente. Mesmo com os 10%, países considerados aliados políticos dos EUA se viram em situação pior do que estavam antes da derrota do presidente americano na Suprema Corte.

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  • É o caso da Argentina, que está no grupo dos "perdedores" com a nova taxa global de 15%. Os produtos argentinos pagam agora, na média, tarifa de 9,5% — ou seja, patamar bem próximo dos 12,2% pagos pelo Brasil. Só que, antes da derrota de Trump na Suprema Corte, a Argentina pagava tarifa de 7,6%. Com isso, viu sua alíquota subir em 1,9 ponto percentual.

    Austrália e Reino Unido também estão entre os países que se viram numa situação pior do que estavam antes, assim como União Europeia e Japão.

    Encontro Lula-Trump

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    A decisão da Suprema Corte acabou levando a uma redução significativa sobre as tarifas impostas ao Brasil num momento oportuno para o país — justamente quando Lula visitava o primeiro-ministro Narendra Modi, da Índia, como parte de seu esforço contínuo para diversificar os laços comerciais e de investimento do Brasil além dos EUA e da China, seus dois maiores parceiros comerciais.

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    Lula deve ir a Washington em março para uma visita à Casa Branca. Entre os temas que o presidente brasileiro espera discutir, segundo um integrante do governo familiarizado com seus planos, estão as tarifas sobre o aço impostas por Trump e um possível retorno ao sistema de cotas para o produto que anteriormente se aplicava ao Brasil, o terceiro maior fornecedor de aço aos EUA.

    Os próximos passos de Washington em relação às tarifas, porém, não estão claros para o Brasil nem para muitos outros parceiros comerciais, já que diferentes dispositivos legais serão usados para justificar as tarifas daqui para frente.

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  • Além disso, o Escritório de Comércio da Casa Branca abriu no ano passado uma investigação com base na Seção 301 contra o Brasil, embora autoridades brasileiras tenham rejeitado as alegações de práticas comerciais desleais feitas por Washington. A Casa Branca lembrou na sexta-feira que as investigações 301 envolvendo Brasil e China continuam em andamento.

    "Se essas investigações concluírem que há práticas comerciais desleais e que medidas de resposta são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas”, afirmou o representante de Comércio Greer em seu comunicado.

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