Direita se divide sobre ataques contra ministros do STF
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Direita se divide sobre ataques contra ministros do STF

Flávio Bolsonaro tenta emplacar imagem de moderado e busca interlocução na Corte para pleitear regime de prisão domiciliar em favor do pai

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    GERADO EM: 26/02/2026 - 11:23

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    Lideranças bolsonaristas estão divididas sobre o tom que devem adotar nas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre membros da direita, a divergência está entre investir em pedidos de impeachment contra ministros da Corte ou no tom mais moderado que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tem adotado como postulante ao cargo.

    O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou nas redes sociais que sua ideia é focar o discurso no impeachment de dois ministros do STF: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Além deles, o parlamentar sugere pedir o impedimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    "O objetivo do impeachment é mostrar que até os 'deuses de toga' não são intocáveis. E que, se derrubarmos um, o outro também pode. E vai ser assim com todos que cometerem crimes e que traírem o povo", afirmou Nikolas, nas redes sociais. Procurado pelo GLOBO, ele não deu entrevista sobre o tema.

    Já o deputado estadual Tomé Abduch (PL-SP), coordenador do movimento Nas Ruas, avalia que a pauta da direita não deve se centrar em ataques aos ministros da Corte.

    — A gente não tem intenção de atacar o Supremo, né? — disse Abduch. — Ao mesmo tempo, a gente também não pode se calar em relação ao que nós estamos vendo do Banco Master, né? Não dá para a gente achar que o que está acontecendo ali é algo natural e normal — afirmou o parlamentar.

    As teses divergentes ocorrem no momento em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do grupo político a presidente da República, tenta emplacar uma imagem mais moderada e dialogar com outros setores, principalmente o centro. Ao mesmo tempo, Flávio e o aliado Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, tentam interceder no STF para que o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por atos golpistas, cumpra pena em regime domiciliar.

    Na segunda-feira (23), o senador fez uma postagem no X pedindo apoio a “todas, todos e todes”. “Tá todo mundo querendo vencer a discussão. Mas o que precisamos é vencer a eleição! Gostaria de contar com apoio de todas, todos, todes, todys e todoXs”, escreveu, em mensagem vista como uma tentativa de se apresentar como mais moderado e agregador que o pai. Também procurado pela reportagem, o senador não se pronunciou.

    O pastor Silas Malafaia, no entanto, reconhece que as críticas ao STF são inevitáveis.

    — O que eu garanto é que eu não estou nem chegado ao Flávio, depois dessas últimas que eu dei aí em cima dele e tal, essa discussão de que o candidato ideal era o Tarcísio, então eu não tenho nem contato com o Flávio até aqui. Mas eu vou te prometer uma coisa: eu, Nikolas e Magno Malta vamos 'descer a borracha'. É fora Lula, é fora Alexandre de Moraes e fora Dias Toffoli — ele diz.

    O cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que as redes sociais são ambiente propício para recortes em redes sociais, o que pode interessar aos atores do bolsonarismo em suas declarações públicas.

    — O bolsonarismo se nutre de um discurso, de uma militância que visa o desgaste e o confronto às instituições. Existe agora uma ala que, embora tenha essa crença arraigada, também tem intenções eleitorais. Flávio Bolsonaro busca construir uma imagem. No marketing político, a gente chama isso de "vacina". Ou seja, ele é aquele que pode acenar para o centro, mostrando-se distante do radicalismo. O bolsonarismo, por ter pretensões eleitorais, precisa fazer moderações e pausas — diz o professor.