Jogo Político: a carta Felipe Curi que Flávio Bolsonaro guarda como coringa depois que Castro renunciar
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Jogo Político: a carta Felipe Curi que Flávio Bolsonaro guarda como coringa depois que Castro renunciar

Newsletter semanal do jornalista Thiago Prado aponta que secretário de Polícia Civil do Rio foi conversar com senador depois de ser excluído da chapa e recomenda o filme 'Hamnet'

Por Thiago Prado na newsletter Jogo Político

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    GERADO EM: 26/02/2026 - 21:34

    Flávio Bolsonaro se reúne com Felipe Curi para discutir futuro político no Rio

    A newsletter de Thiago Prado revela que Flávio Bolsonaro se reuniu com Felipe Curi, após este ser excluído da chapa eleitoral do Rio. Curi, que liderou operações policiais significativas, planeja entrar na política e é cobiçado por diversos partidos. Flávio sugere que ele coordene a segurança pública de Douglas Ruas e o convida para ser deputado federal. O futuro político do Rio ainda é incerto, com possíveis mudanças à vista.

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    Bom dia, boa tarde, boa noite, a depender da hora em que você abriu esse e-mail. Sou o editor de Política e Brasil do GLOBO e nessa newsletter você encontra análises, bastidores e conteúdos relevantes do noticiário político.

    Um dia depois de divulgar a chapa da direita para as eleições deste ano no Rio, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) chamou o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, para uma conversa a sós na quarta-feira à noite em Brasília. Depois de ser estimulado — e até ter se animado — a concorrer ao Palácio Guanabara pelo próprio Flávio, Curi incomodou-se com o anúncio que o ignorou. Na terça-feira, o secretário de Cidades, Douglas Ruas (PL), foi lançado para o governo do estado, e o governador Cláudio Castro (PL) e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), para o Senado.

    Curi já decidiu que entrará na política esse ano e vai se desincompatibilizar do cargo nas próximas semanas. Desde a operação policial nos Complexos do Alemão e da Penha que matou 122 pessoas em outubro do ano passado, ele passou a pontuar em pesquisas de intenção de voto para governador e senador.

    Na mesma terça-feira em que caciques de PL, PP e União Brasil posavam para fotos selando a aliança no Rio, o secretário da Polícia Civil excluído da imagem estava à frente de mais uma operação do governo Cláudio Castro: naquele dia, a Polícia Civil fluminense prendeu 616 acusados por roubo, latrocínio e receptação no estado.

    Para celebrar essas detenções e outras, o Instagram de Curi com 470 mil seguidores já funciona em modo campanha. Diariamente, as postagens celebram resultados de operações e destacam frases de efeito do secretário. A estratégia costuma repercutir. Com edição caprichada e uma trilha sonora sombria, o vídeo com uma fala sua na coletiva de imprensa da operação desta semana recebeu quase 20 mil curtidas:

    — O ladrão é a pior raça que existe. É a pior raça da face da Terra — pregou com microfone em mãos num corte com cerca de 200 mil visualizações nas redes.

    Na quarta-feira, Flávio reafirmou o convite do PL para Curi ser candidato a deputado federal. O PP já havia feito a mesma proposta ao secretário. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro lembrou, contudo, que o xadrez eleitoral no Rio ainda pode mudar diante do futuro imprevisível pela frente para Cláudio Castro e Márcio Canella.

    Flávio ainda tentou seduzir Curi com outros argumentos: coordenar o programa de governo de Douglas Ruas na segurança pública, indicar o sucessor na Polícia Civil do Rio e ter papel relevante a nível nacional caso a direita vença o presidente Lula na disputa pelo Planalto.

    Nas últimas semanas, a cobiça em torno do nome de Curi cresceu. O Novo o convidou para lançá-lo como o candidato à sucessão de Castro em uma dobradinha com o ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Rodrigo Pimentel, hoje consultor na área de segurança pública. Pimentel tem sinalizado ao partido que poderia concorrer a vice ou se lançar ao Senado pela sigla que hoje tem o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como pré-candidato a presidente.

    Desde o ano passado, Pimentel deixa o próprio nome correr como hipótese eleitoral, assim como Curi. Embora diga a dirigentes do Novo que a sua mulher e sócia, Thais Menezes, seja contra qualquer candidatura, o ex-capitão do Bope autorizou a sigla a gastar recursos do fundo partidário com a empresa de pesquisas Prefab Future, do jornalista Mario Marques, para testar a aceitação ao seu nome.

    Eduardo Paes vinha trabalhando para que Curi, e não Douglas Ruas, fosse o candidato da direita ao governo do estado. Acenou ao secretário das Cidades que ele poderia ser o presidente da Alerj a partir de 2027 e cedeu a São Gonçalo — governada pelo Capitão Nelson, pai de Ruas — R$ 200 milhões de recursos da prefeitura do Rio em royalties do petróleo. O prefeito estava tão certo que seria bem-sucedido que já tinha escolhido um mote para atacar Curi: compará-lo ao ex-governador Wilson Witzel. Seja pela falta de histórico na política, seja pela semelhança física.

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    • "Hamnet"

  • "Hamnet"
  • O bonequinho do GLOBO aplaudiu de pé. Sobre o fim do filme, o colega André Miranda escreveu (e eu assino embaixo): "O desfecho, quando a arte entra no jogo, é arrebatador, é uma das cenas mais impactantes que o cinema já produziu sobre o efeito do teatro em seus espectadores."

    A crítica da Folha de S. Paulo foi mais mal humorada, embora reconheça o favoritismo ao Oscar. "Hamnet faz chorar ao mesmo tempo em que transfere para si o prestígio de Shakespeare. E Shakespeare é uma garantia —já deu o Oscar a "Shakespeare Apaixonado", para não ir longe. Como a atriz do filme é muito boa e Paul Mescal não destoa, o círculo dos grandes prêmios nos Estados Unidos se fecha. E Chloé Zhao (a diretora), que ganhou seu primeiro Oscar com "Nomadland", há cinco anos, pode muito bem emplacar outro. Mas os limites deste filme são tão evidentes quanto a força de seu apelo".

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