Epstein tentou comprar palácio milionário no Marrocos às vésperas da prisão, em 2019, revelam documentos
Documentos do Departamento de Justiça dos EUA revelam transferência de US$ 14,95 milhões um dia antes da detenção; negociação envolvia empresa offshore e estratégia tributária
Por O Globo — Rabat
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GERADO EM: 27/02/2026 - 06:28
Epstein Tentou Comprar Palácio no Marrocos Antes de Prisão em 2019
Documentos do Departamento de Justiça dos EUA revelam que Jeffrey Epstein tentou comprar um palácio no Marrocos, transferindo US$ 14,95 milhões um dia antes de sua prisão em 2019. A aquisição, intermediada por uma empresa offshore, foi suspensa após sua detenção. Especula-se que o Marrocos, sem tratado de extradição com os EUA, poderia ter sido um refúgio para Epstein, embora documentos não confirmem essa intenção.
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Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que Jeffrey Epstein tentou adquirir um palácio multimilionário no Marrocos na véspera de sua prisão, em julho de 2019. Em 5 de julho daquele ano, ele autorizou a transferência bancária de US$ 14,95 milhões, após fechar acordo para comprar, por € 18 milhões, a empresa offshore proprietária do imóvel.
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A operação foi descrita como a última grande transação financeira realizada por Epstein antes de ser preso pelas autoridades americanas sob acusações de tráfico sexual, ao retornar a Nova York. Três dias depois da detenção, seu contador, Richard Kahn, cancelou a transferência, e o negócio não foi concluído, segundo informações divulgadas pela BBC.
A imprensa marroquina chegou a especular que a aquisição poderia ter como objetivo transformar o país em refúgio, já que o Marrocos não possui tratado de extradição com os Estados Unidos. Um ex-associado de Epstein afirmou, contudo, que a negociação indicava que ele “não fazia ideia” de sua prisão iminente. Segundo essa fonte, “faria sentido se ele estivesse pensando em um possível santuário onde pudesse continuar vivendo como um rei”.
Apesar das conjecturas, os documentos tornados públicos não fazem qualquer menção a discussões de Epstein sobre o uso do Marrocos como abrigo contra autoridades americanas.
Veja fotos de Jeffrey Epstein, financista americano acusado de crimes sexuais
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Jeffrey Epstein — Foto: Departamento de Justiça dos EUA via AFP
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Jeffrey Epstein — Foto: Departamento de Justiça dos EUA via AFP
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Jeffrey Epstein — Foto: Departamento de Justiça dos EUA via AFP
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Jeffrey Epstein — Foto: Departamento de Justiça dos EUA via AFP
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Jeffrey Epstein — Foto: Departamento de Justiça dos EUA via AFP
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Jeffrey Epstein: fortuna é administrada por um truste — Foto: Departamento de Justiça via The New York Times
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Jeffrey Epstein, acusado de comandar um esquema de tráfico sexual e morto em 2019 — Foto: Departamento de Justiça dos EUA
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Financista Jeffrey Epstein, morto em 2019 e acusado de comandar um esquema de abuso de menores e tráfico humano — Foto: Divulgação/Departamento de Justiça dos Estados Unidos
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Jeffrey Epstein foi condenado por abuso sexual — Foto: Divulgação / AFP
Palácio Bin Ennakhil
Palácio Bin Ennakhil
A propriedade em questão é o Bin Ennakhil, localizado no bairro de Palmeraie, em Marrakech. O nome significa “entre as palmeiras” em árabe. O palácio é descrito como uma obra-prima arquitetônica, construída por 1.300 artesãos e adornada com entalhes e mosaicos ornamentados.
Epstein tentava adquirir o imóvel desde 2011. À época, o palácio pertencia ao magnata alemão do setor de resíduos Gunter Kiss. O valor pedido inicialmente era de € 55 milhões. Considerando o preço elevado, Epstein apresentou uma oferta substancialmente inferior, o que levou Kiss a se sentir ofendido e a interromper as negociações.
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Durante as tratativas, a Kensington Luxury Properties, representada por Marc Leon, teve papel central na intermediação. Em determinado momento, foi apresentada a Epstein uma “estratégia de venda e tributação”, segundo a qual o imóvel seria registrado junto às autoridades marroquinas como vendido por € 10 milhões, enquanto uma operação separada de € 20 milhões envolveria as ações da empresa offshore que detinha a propriedade.
A estrutura permitiria que Epstein figurasse como proprietário formal do bem no Marrocos e, ao mesmo tempo, reduzisse o montante de impostos devidos no país.
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A empresa negou qualquer irregularidade.
— Essa transação não violou nenhuma regulamentação fiscal — disse Marc Leon: — O sr. Epstein queria pagar taxas de registro no Marrocos, embora não fosse obrigado a fazê-lo… para possuir a propriedade em seu próprio nome.
Posteriormente, Epstein optou por adquirir o ativo exclusivamente por meio da compra das ações da offshore e ainda definia como proceder ao registro no Marrocos quando foi preso.
Nos e-mails trocados durante as negociações, o vendedor Gunter Kiss era tratado como “Sr. Kiss”. Apesar das tensões iniciais, ele concordou em retomar o diálogo.
Caso Epstein: veja famosos que aparecem em fotos relacionadas a escândalo
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Jeffrey Epstein e Michael Jackson — Foto: US DEPARTMENT OF JUSTICE
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O ex-príncipe Andrew, expulso da coroa britânica, de quatro sobre uma menina menor de idade — Foto: Reprodução: Departamento de Justiça dos Estados Unidos
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Donald Trump esteve em festas com Jeffrey Epstein — Foto: Reprodução de cena / Netflix
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O ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, é citado diversas vezes nos arquivos ligados a Jeffrey Epstein — Foto: Reprodução: Departamento de Justiça dos Estados Unidos
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Mick Jagger e Bill Clinton nos arquivos de Epstein — Foto: US DEPARTMENT OF JUSTICE
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Kevin Spacey e Bill Clinton nos arquivos de Epstein — Foto: US DEPARTMENT OF JUSTICE
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O autor Noam Chomsky e Jeffrey Epstein em jato particular — Foto: Reprodução
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Bill Gates: Bilionário aparece em imagens com meninas menores de idade — Foto: Reprodução: Departamento de Justiça dos Estados Unidos
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O ator e comediante americano Chris Tucker em foto com Ghislane Maxwell, apontada como colaboradora de Epstein — Foto: Reprodução: Departamento de Justiça dos Estados Unidos
As conexões de Epstein com o país remontam ao início dos anos 2000. Virginia Giuffre, uma de suas acusadoras mais conhecidas, relata em seu livro de memórias ter sido levada por Epstein e Ghislaine Maxwell a Tânger para avaliar projetos de design de interiores de propriedades de luxo. Naquele período, ele pretendia reformar partes de sua residência em ilha com inspiração marroquina.
Em 2002, Epstein participou do casamento do rei do Marrocos, Mohammed, ao lado de Maxwell, após convite feito pelo ex-presidente americano Bill Clinton.
Depois de sua condenação, em 2008, por aliciamento de menores para fins sexuais e da libertação da prisão domiciliar em 2010, seu interesse pelo Marrocos aparentemente se intensificou. Documentos indicam que, naquele mesmo ano, ele solicitou ao ex-ministro trabalhista britânico Peter Mandelson que encontrasse para ele um assistente capaz de “encontrar uma casa em Marrakech”.
A partir de 2012, passou a visitar o país com frequência, hospedando-se em Palmeraie, distrito conhecido por abrigar uma comunidade de expatriados abastados, entre eles Jabor al Thani, integrante da família real do Catar, a quem Epstein se referia como seu “irmão árabe”.