Cruzamentos entre neandertais e homo sapiens há dezenas de milhares de anos moldaram o DNA atual, aponta estudo
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Cruzamentos entre neandertais e homo sapiens há dezenas de milhares de anos moldaram o DNA atual, aponta estudo

Pesquisa publicada na revista Science aponta que padrão de acasalamento pode explicar diferenças genéticas

Por AFP — Nova York

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    GERADO EM: 27/02/2026 - 05:39

    Cruzamentos entre neandertais e humanos moldaram nosso DNA atual

    Estudo publicado na Science revela que cruzamentos entre neandertais e humanos moldaram o DNA atual. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia sugerem que machos neandertais e fêmeas humanas tinham uma inclinação para acasalamento, explicando a abundância de DNA humano moderno nos cromossomos X neandertais. Hipóteses variam de escolhas reprodutivas a cenários de coerção.

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    Um estudo publicado nesta quinta-feira na revista acadêmica Science sustenta que homens neandertais e mulheres humanas apresentavam uma inclinação particular para o acasalamento — um padrão que ajuda a explicar aspectos centrais da evolução do genoma humano moderno.

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  • Desde 2010, pesquisas já haviam comprovado que humanos e neandertais se cruzaram há dezenas de milhares de anos. Hoje, a maioria das pessoas carrega fragmentos de DNA neandertal. No entanto, no cromossomo X — um dos dois cromossomos responsáveis pela determinação do sexo biológico do embrião — há pouco ou nenhum vestígio desses ancestrais.

    A explicação predominante até então era a da seleção natural. Especialistas levantaram a hipótese de que esses genes seriam biologicamente “tóxicos” para os humanos modernos e, por isso, teriam sido eliminados ao longo do tempo.

    O novo estudo, conduzido por geneticistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, propõe outra interpretação. Segundo os pesquisadores, o fenômeno pode ter origem mais social do que biológica e estaria ligado a “preferências de acasalamento de longa data”.

    Na análise comparativa, a equipe identificou uma abundância de DNA humano moderno no cromossomo X dos neandertais — exatamente o oposto do que se observa nas populações humanas atuais.

    O fluxo genético “ocorreu predominantemente entre machos neandertais e fêmeas humanas anatomicamente modernas”, afirmou Alexander Platt, pesquisador científico sênior do estudo.

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    Cientistas reconstroem rosto de mulher neandertal, na Inglaterra — Foto: JUSTIN TALLIS/AFP

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    Cientistas reconstroem rosto de mulher neandertal, na Inglaterra — Foto: JUSTIN TALLIS/AFP

    De acordo com os especialistas, a explicação pode estar na própria genética: fêmeas possuem dois cromossomos X, enquanto machos neandertais tinham apenas um. Se o cruzamento entre machos neandertais e fêmeas humanas foi mais frequente, o resultado seria a incorporação de mais cromossomos X humanos ao acervo genético neandertal.

    Em contrapartida, menos cromossomos X neandertais teriam sido transmitidos às populações humanas modernas.

    O “por quê” desse padrão, contudo, permanece em aberto. Os pesquisadores consideram diferentes hipóteses: desde escolhas reprodutivas voluntárias até cenários que podem ter envolvido violência ou coerção.

    A próxima etapa do trabalho deve aprofundar a investigação sobre as dinâmicas sociais dos neandertais. Entre as possibilidades analisadas estão as relações de gênero nessas sociedades e os padrões migratórios — como a hipótese de que machos deixariam seus grupos de origem com maior frequência, enquanto fêmeas permaneceriam em suas comunidades.