Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança, mas governo teme desgaste com inclusão da redução da maioridade penal
De autoria do governo federal, a proposta é considerada bandeira de Lula para a área da segurança
15/10/2026 03h30 Atualizado 15/10/2026 03h30
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou após a aprovação do fim da escala 6 por 1, que votará nesta quinta-feira a proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que reforça o papel da União.
O projeto foi aprovado nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Apesar do gesto a favor do governo, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva temem que o texto seja desfigurado com a aprovação, em plenário, de uma emenda que reduz a maioria penal para 16 anos.
A votação está marcada para as 14h, mas esse impasse ainda deve ser objeto de conversas entre senadores antes da sessão.
Alcolumbre anunciou também a votação de um requerimento que garante um calendário especial à tramitação da PEC da Segurança, acelerando o processo de apreciação da proposta. Ou seja, garantindo que o texto possa ser votado em dois turnos no mesmo dia.
Na quarta-feira, houve um movimento de senadores governistas para evitar que a PEC da Segurança fosse votada no mesmo dia em que o fim da escala 6x1.
Isso aconteceu porque o fim da jornada de trabalho é uma das bandeiras eleitorais de Lula, e a avaliação era que nenhum outro tema deveria roubar atenção dessa proposta.
Além disso, governistas querem usar a aprovação da matéria para desgastar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente nas eleições, que se posicionou desde o início da discussão contra o avanço do tema.
A PEC da Segurança é uma bandeira do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a área da segurança e foi enviada pelo governo ao Congresso em abril de 2025.
O desejo da gestão petista é aprovar a proposta antes das eleições, para explorar a medida na reta final da campanha. O presidente da República disse que criaria o Ministério da Segurança Pública assim que a PEC for aprovada pelo Congresso.
Nos últimos dias, Lula passou a gravar vídeos no formato selfie e endureceu o discurso contra Flávio. Em um desses vídeos, desafiou o senador a votar favorável ao texto.
— Eu espero que a bancada do Flávio Bolsonaro vote para que a gente possa de uma vez por todas combater o crime organizado. Por que ele não quer votar? Porque ele faz parte desse crime organizado — disse o petista.
Entre outras medidas, a PEC prevê a possibilidade de que autores de crimes graves, como integrantes de facção, sejam impedidos de progredir de regime.
O texto também aumenta a segurança jurídica para que a Polícia Federal (PF) possa combater organizações criminosas e milícias que atuam no território nacional, além de garantir maior cooperação entre estados e União para atuar contra grupos criminosos.
A proposta foi aprovada pela Câmara em março, após uma série de modificações em relação à versão originalmente enviada pelo Executivo e um amplo acordo entre governo, oposição e partidos de centro.
Caso seja aprovada pelo plenário do Senado sem nenhuma alteração de mérito, a medida vai para a promulgação, que é feita pelo Congresso. De autoria governo, a proposta enfrentava resistências de parte dos governadores e da oposição, que temiam que o Executivo assumisse atribuições que antes eram estaduais.