'Diálogo' de um lado, 'guerra aberta' do outro: Entenda a nova crise entre Afeganistão e Paquistão, apesar do cessar-fogo
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'Diálogo' de um lado, 'guerra aberta' do outro: Entenda a nova crise entre Afeganistão e Paquistão, apesar do cessar-fogo

Ataques representam a escalada mais significativa nas tensões entre as nações, que haviam concordado com uma trégua em outubro do ano passado

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    GERADO EM: 27/02/2026 - 10:04

    Crise entre Paquistão e Afeganistão: Esforços Internacionais por Paz

    O Paquistão e o Afeganistão enfrentam uma nova crise após ataques aéreos de Islamabad em retaliação a uma ofensiva do Talibã afegão na fronteira. A escalada rompe um cessar-fogo de outubro passado e ameaça um conflito mais amplo. Enquanto o Paquistão declara "guerra aberta", o Afeganistão busca diálogo. Irã e ONU pedem desescalada, e China e Arábia Saudita tentam mediar a situação.

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    O Afeganistão e o Paquistão estão novamente em confronto aberto. O Paquistão bombardeou áreas no Afeganistão nesta sexta-feira, horas depois de o Talibã afegão ter anunciado uma grande ofensiva perto da fronteira entre os países. Islamabad, que declarou "guerra aberta", retaliou, bombardeando alvos em Cabul, a capital afegã, e nas províncias de Kandahar e Paktika, próximas à fronteira. Os ataques, portanto, representam a escalada mais significativa nas tensões entre as nações, que haviam concordado com um cessar-fogo em outubro do ano passado, após uma semana de confrontos mortais. Veja o que sabemos, até o momento, sobre o conflito:

    • Contexto: Paquistão bombardeia Cabul após ataques afegãos; ministro da Defesa declara 'guerra aberta' contra governo talibã
    • Temor por um conflito mais amplo: Irã oferece ajuda para facilitar diálogo entre Afeganistão e Paquistão

  • Contexto: Paquistão bombardeia Cabul após ataques afegãos; ministro da Defesa declara 'guerra aberta' contra governo talibã
  • Temor por um conflito mais amplo: Irã oferece ajuda para facilitar diálogo entre Afeganistão e Paquistão
  • O que aconteceu?

    O que aconteceu?

    Tudo começou na noite de quinta-feira. Cabul lançou uma ofensiva ao longo da fronteira, nas províncias de Nangarhar, Nuristan, Kunar, Khost, Paktia e Paktika. O Paquistão afirmou que o Talibã havia "calculado mal e aberto fogo não provocado em vários locais", o que desencadeou em uma "resposta imediata e eficaz".

    Horas depois, já na manhã desta sexta, lslamabad lançou uma série de bombardeios no Afeganistão, atingindo alvos em Cabul e nas províncias fronteiriças. Mujahid publicou – e posteriormente apagou – uma postagem no X informando que o grupo havia lançado ataques contra posições militares paquistanesas em Kandahar e Helmand, duas províncias do Afeganistão.

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    O Talibã afegão, em seguida, afirmou ter realizado ataques aéreos contra vários alvos no Paquistão, também na manhã desta sexta-feira. Fontes do governo talibã disseram à rede britânica BBC que os ataques foram realizados com drones lançados do Afeganistão.

    O ministro da Informação do Paquistão, Atta Tarar, afirmou que seu país frustrou pequenos ataques com drones em Abbottabad, Swabi e Nowshera.

    O que dizem os países?

    O que dizem os países?

    Tal como nas rodadas anteriores de hostilidades entre as forças paquistanesas e afegãs, cada lado acusou o outro de ter atacado primeiro — e ambos afirmam ter infligido pesadas baixas ao lado adversário. Mas a diplomacia, desta vez, não parece improvável. Nesta sexta, o porta-voz do governo do Afeganistão, Zabihullah Mujahid, afirmou que o país deseja um "diálogo" para resolver o conflito".

    — Insistimos repetidamente em uma solução pacífica e ainda queremos que o problema seja resolvido por meio do diálogo — disse Mujahid, acrescentando que aviões paquistaneses continuavam "sobrevoando o espaço aéreo do Afeganistão".

    Após os primeiros ataques, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que as forças de seu país foram capazes de "esmagar" seus inimigos, enquanto o ministro da Defesa declarou "guerra aberta" contra o Talibã no Afeganistão.

    • Veja: Negociações de paz entre Paquistão e Afeganistão 'fracassaram', diz ministro paquistanês

  • Veja: Negociações de paz entre Paquistão e Afeganistão 'fracassaram', diz ministro paquistanês
  • — O Talibã afegão "retaliará se formos atacados, mas não iniciaremos confrontos neste momento — disse um porta-voz do Talibã à BBC.

    Mosharraf Zaidi, porta-voz do primeiro-ministro do Paquistão, afirmou que 133 combatentes talibãs afegãos foram mortos e mais de 200 ficaram feridos pelas forças paquistanesas.

    Mais Sobre Paquistão

    Autoridades da ONU pediram uma desescalada imediata dos combates, enquanto o Irã, que faz fronteira com ambos os países, ofereceu-se para mediar a situação. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, observou que o país está em período de Ramadã, "o mês da autodisciplina e do fortalecimento da solidariedade no mundo islâmico".

    A China, que se considera amiga tanto do Afeganistão quanto do Paquistão, pediu um cessar-fogo, com a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, instando-os a "manter a calma e exercer moderação".

    Já o chanceler da Arábia Saudita, aliado do Paquistão, reuniu-se com seu homólogo paquistanês para discutir maneiras de reduzir as tensões.

    Qual o motivo do novo conflito?

    Qual o motivo do novo conflito?

    Os novos ataques aéreos ocorrem após meses de hostilidades entre os dois países. O último confronto significativo aconteceu em outubro do ano passado, quando, após intensos bombardeios, foi alcançado um frágil cessar-fogo mediado pela Turquia e pelo Catar.

    O Paquistão acusa o governo talibã do Afeganistão de apoiar "terroristas anti-Paquistão", a quem responsabiliza por ataques suicidas, incluindo um recente contra uma mesquita em Islamabad. A retomada da violência entre os países vizinhos decorre das acusações do Paquistão de que o governo afegão abriga o grupo militante Tehreek-e-Taliban Pakistan, também conhecido como Talibã Paquistanês.

    Essa alegação, no entanto, é contestada pelo governo talibã, que repetidamente afirmou que seu território não está sendo usado para ameaçar a segurança de outros países. Cabul, por sua vez, acusa o Paquistão de realizar ataques não provocados nos quais civis foram mortos.

    No início desta semana, o Paquistão realizou vários ataques aéreos noturnos no Afeganistão, que, segundo o Talibã, mataram pelo menos 18 pessoas, incluindo mulheres e crianças.

    Em desvantagem bélica em relação ao Paquistão, que possui armas nucleares, analistas acreditam ser improvável que o Talibã trave uma guerra convencional contra o Paquistão. No entanto, o Talibã afegão tem vasta experiência em confronto de guerrilha.

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  • O que torna a mais recente onda de ataques paquistaneses significativa é o fato de terem como alvo instalações do governo talibã em vez de alvos terroristas no Afeganistão, disse Michael Kugelman, pesquisador sênior para o Sul da Ásia no Atlantic Council, ao programa Newsday da BBC.

    — Agora o alvo é o próprio regime — afirmou o pesquisador.

    Entretanto, a retórica do Talibã sugere que o grupo está empenhado em "realizar ataques implacáveis" contra o Paquistão — uma "situação precária" que pode levar a um conflito real.

    Talibã e Paquistão sempre foram inimigos?

    Talibã e Paquistão sempre foram inimigos?

    Não. O Paquistão ajudou a criar o Talibã afegão no início da década de 1990, e muitos líderes talibãs se esconderam no território paquistanês durante a ocupação americana do Afeganistão. Ao longo das duas décadas da guerra liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão, autoridades americanas pressionaram o Paquistão a reprimir os militantes talibãs afegãos dentro de suas fronteiras.

    O Talibã retornou ao poder no Afeganistão em 2021, após a retirada precipitada das forças americanas do país. Desde então, as relações do governo talibã com o Paquistão azedaram devido às suas estreitas ligações com o Talibã paquistanês, formado a partir dos remanescentes de grupos militantes após uma repressão militar do Paquistão.

    O Paquistão reclamou que o Afeganistão não reprimiu o grupo. Embora as duas entidades sejam distintas, o Talibã afegão compartilha laços profundos com o Talibã paquistanês, que forneceu combatentes durante a guerra dos militantes afegãos contra as forças dos EUA e da Otan.

    (Com AFP e New York Times)

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