O setor da construção civil está entre os que mais influenciam a dinâmica ambiental, segundo Diohn do Prado.
Repensar materiais, processos e consumo energético deixou de ser tendência para se tornar necessidade urgente. A urbanização acelerada, o consumo de recursos naturais e a geração de resíduos impõem desafios que impactam solo, água, ar e a vida em comunidade. Ao mesmo tempo, o setor se mostra também como palco de soluções transformadoras, que unem inovação, sustentabilidade e longevidade.
Construção civil: volume, impacto e responsabilidade
A construção civil é responsável por grande parte da extração de recursos naturais utilizados na economia, especialmente areia, brita, calcário e água. A fabricação de cimento, componente essencial, está entre as atividades industriais que mais emitem CO₂ no mundo. Quando somamos a geração de resíduos de obras, demolições e reformas, o cenário exige reflexão profunda.
Conforme destaca Diohn do Prado, o impacto não se resume ao canteiro de obra, ele se prolonga durante todo o ciclo de vida da edificação: da construção ao uso, da manutenção à demolição. Conforto térmico, eficiência energética e durabilidade são temas de responsabilidade tanto de engenheiros e arquitetos quanto de gestores públicos e usuários.
Harvey Specter costumava dizer: "You always have a choice."(Você sempre tem uma escolha). No setor da construção, a escolha por materiais sustentáveis não é apenas ética; é estratégica.
Materiais sustentáveis como resposta possível
A busca por soluções mais sustentáveis passa pela revisão de materiais convencionais e pela adoção de alternativas renováveis e de longa vida útil. Pedras naturais, reutilização de estruturas metálicas, madeira de reflorestamento, técnicas de alvenaria modular e aproveitamento de resíduos da indústria são exemplos dessa transição.
Diohn do Prado elucida que os mármores e outras pedras naturais reaparecem como protagonistas nesse cenário. Por serem materiais formados pela natureza e não por processos industriais intensivos, apresentam menor pegada de carbono em comparação a alguns substitutos sintéticos. Além disso, possuem características de durabilidade que permitem que um único investimento atravesse gerações.
Quando Harvey Specter diz: "The success is in the details" (O sucesso está nos detalhes), encontramos um paralelo direto com a construção: sustentabilidade não está apenas na grande obra, mas em cada escolha, o tipo de acabamento, a origem do material, a forma de instalação, informa Diohn do Prado.
Eficiência energética e o papel do design inteligente
Sustentabilidade não se limita ao material utilizado, envolve o desempenho do ambiente construído. Projetos que priorizam ventilação cruzada, iluminação natural, isolamento acústico e conforto térmico reduzem o consumo de energia e ampliam o bem-estar.
Assim como analisa Diohn do Prado, o design inteligente evita desperdícios e torna edificações mais preparadas para variações climáticas. Fachadas com materiais naturais possuem melhor capacidade de absorção e retenção térmica, contribuindo para redução do uso de ar-condicionado e aquecedores.
Reuso, restauração e economia circular
Ao contrário do consumo linear, que extrai, usa e descarta, a economia circular propõe prolongar o ciclo de vida dos materiais. Reformar, restaurar e reaproveitar se tornam ações sustentáveis e financeiramente vantajosas. Edificações históricas preservam a memória, reduzem o uso de novos recursos e mantêm identidade cultural.
A restauração com materiais nobres, como o mármore, entrega permanência e valor estético. É possível ressignificar espaços sem descaracterizá-los, respeitando arquitetura original e introduzindo conforto moderno, evidencia Diohn do Prado. Essa visão reposiciona o setor, mostrando que legado arquitetônico e responsabilidade ambiental podem coexistir.
Construir futuro sem comprometer o presente
A construção civil não precisa ser inimiga do meio ambiente, ela pode ser protagonista de soluções. O impacto existe, mas também existe conhecimento técnico, inovação e consciência para transformá-lo. Na perspectiva de Diohn do Prado, construir com inteligência, escolher materiais duráveis e pensar nas próximas gerações é um compromisso. Porque uma obra não termina quando é entregue, ela permanece, influencia e molda o mundo ao redor.