Cabral pediu ajuda a Bacellar para que intercedesse em processo na Justiça, diz PF e disse 'te amo'; veja a mensagem
Relatório traz troca de mensagens entre ex-governador e ex-presidente da Alerj
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GERADO EM: 27/02/2026 - 12:31
Sérgio Cabral e Rodrigo Bacellar: Interferência no TJ-RJ Revelada pela PF
A Polícia Federal revelou que Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, pediu a Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, para intervir em um processo no Tribunal de Justiça do Rio. Mensagens mostram Cabral solicitando a retirada do julgamento da pauta, o que ocorreu. Bacellar, indiciado em outro caso, é acusado de vazar informações ao Comando Vermelho. A defesa nega as acusações, qualificando-as como arbitrárias.
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O ex-governador do Rio Sérgio Cabral pediu ajuda ao presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, para que intercedesse em um processo em andamento no Tribunal de Justiça do Rio, afirma a Polícia Federal. Cabral desejava que um processo em que é réu por improbidade administrativa saísse da pauta de julgamentos, o que acabou ocorrendo.
O pedido aparece em mensagens enviadas por Cabral a Bacellar em maio de 2025.
Uma semana depois, Cabral reforçou a solicitação, e Bacellar disse que estava tentando resolver o assunto.
O processo posteriormente saiu de pauta, o que motivou um agradecimento de Cabral: "Te amo, amigo".
Entenda o caso
Entenda o caso
A PF indiciou o deputado estadual afastado Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, por vazamento de informações à facção criminosa Comando Vermelho. Outras três pessoas também foram indiciadas.
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Segundo as investigações, TH Jóias utilizava o mandato na Assembleia Legislativa do Rio para favorecer o crime organizado. Ele é acusado de intermediar a compra e a venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, além de indicar a esposa de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão — apontado como traficante e também preso —, para um cargo parlamentar.
Em nota, o advogado Daniel Bialski, que defende Bacellar, afirmou que " inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas". A defesa acrescenta que o indiciamento é "arbitrário e abusivo".
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Em dezembro, a PF prendeu Bacellar, então presidente da Alerj, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele era suspeito de envolvimento no vazamento de informações sigilosas da ação que levou à prisão de TH Jóias, em setembro.
De acordo com a PF, a ação ilegal causou obstrução na investigação realizada no âmbito da Operação Zargunq, que apontou relação de TH com a facção Comando Vermelho. O envolvimento do presidente da Alerj foi apontado pela PF após análise do material apreendido naquela operação. Trocas de mensagens entre Bacellar e TH Jóias são apresentadas como provas do possível vazamento.
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Bacellar foi preso na sede da PF após ser chamado para uma reunião com o superintendente. Foram feitas ações de busca e apreensão em quatro endereços ligados ao deputado — em Botafogo, Campos dos Goytacazes e Teresópolis — e no seu gabinete na Alerj.
O ex-deputado preso TH Jóias também foi levado para a sede da PF. Ele passou cerca de 1h20 no local, mas decidiu ficar em silêncio e não responder aos questionamentos dos agentes.
Na petição da época, Moraes afirmou que a investigação da PF mostra que Bacellar é " primeiro contato da lista de comunicação urgente enviada pelo próprio “TH Jóias”, evidenciando a importância e a premente necessidade do investigado em se comunicar com o parlamentar" a quem chama de "01".
Na mensagem em que comunica ter mudado o número do telefone, Bacellar responde com uma figura indicando que " já tinha conhecimento de que haveria a troca”, como consta no documento do STF.
Também foram indiciados Flávia Júdice Neto, mulher do desembargador Macário Júdice Neto e ex-assessora da Alerj; Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado, ambos ligados a TH Jóias.