'Esperança no fim do túnel', diz primo que expôs tentativa de abuso aos 14 anos por desembargador afastado
tecnologia

'Esperança no fim do túnel', diz primo que expôs tentativa de abuso aos 14 anos por desembargador afastado

Saulo Láuar, de 42 anos, falou pela primeira vez sobre o caso após repercussão da decisão de Magid Nauéf Láuar que absolveu réu por estupro de vulnerável

  • Facebook
  • Twitter
  • BlueSky
  • Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

    GERADO EM: 27/02/2026 - 14:22

    Denúncia de Abuso Sexual por Primo de Desembargador Afastado Reacende Debate sobre Impunidade no Brasil

    Saulo Láuar, servidor público e primo do desembargador afastado Magid Nauef Láuar, revelou tentativa de abuso sexual sofrida aos 14 anos, após repercussão da decisão do magistrado em caso de estupro de vulnerável. O afastamento de Magid pelo CNJ e acusações similares de outra vítima reacenderam o debate sobre a impunidade e a relativização desses crimes no Brasil. Saulo, em um desabafo nas redes sociais, destacou a importância de romper o silêncio.

    CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

    O servidor público Saulo Láuar, de 42 anos, primo em segundo grau do desembargador Magid Nauef Láuar, comentou sobre o afastamento do magistrado nesta sexta-feira. "Uma esperança no fim do túnel", escreveu ele em postagem que compartilha a notícia da medida tomada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

    • 'Exceções' da Justiça relativizam o crime de estupro de vulnerável, que faz uma vítima a cada oito minutos no país

  • 'Exceções' da Justiça relativizam o crime de estupro de vulnerável, que faz uma vítima a cada oito minutos no país
  • O magistrado da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) foi afastado por determinação da Corregedoria Nacional de Justiça. A Polícia Federal também deflagrou, nesta sexta-feira, uma operação que tem o desembargador como alvo.

    Responsável pelo voto inocentando o réu por estupro de vulnerável que prevaleceu entre os colegas do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, e depois foi revertido, Magid Nauef Láuar é alvo de acusações de abuso. Um dos relatos partiu de Saulo.

    Saulo afirma que o magistrado tentou abusar sexualmente dele na adolescência, quando tinha 14 anos e trabalhava com o parente. Ao GLOBO, ele relatou que decidiu falar pela primeira vez publicamente sobre o ocorrido depois da repercussão da decisão capitaneada por Magid Láuar.

    — Estava levando a minha vida com esse trauma da maneira que dava. Mas me vi na obrigação de não deixar isso passar e resolvi denunciar — contou ele, em sua primeira entrevista sobre o caso. — Nunca tinha falado sobre o que passei. Minha mãe só soube depois de anos, e mais ninguém. Era um segredo meu.

    • Paraná: Homem invade convento e mata freira de 82 anos; 'consumiu álcool e crack', diz Polícia

  • Paraná: Homem invade convento e mata freira de 82 anos; 'consumiu álcool e crack', diz Polícia
  • Nas redes sociais, em postagem de grande repercussão, Saulo narrou que o abuso só não se consumou porque ele conseguiu fugir:

    — O que ele fez comigo causou muita tristeza. Uma tristeza latente. Ela fica ali. Se mistura com outras dores, alimenta outras dores. E também uma vontade de estar sempre fugindo, necessidade de me esconder o tempo todo.

    Na mesma publicação, uma mulher comentou afirmando ter sido “vítima dessa mesma pessoa”. Ela também foi ouvida pela Corregedoria do CNJ. Já o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que recebeu “uma representação noticiando os fatos em questão” e também instaurou procedimento administrativo para apuração de eventual falta funcional.

    “Na época, eu e minha irmã trabalhávamos para a família dele, eu trabalhava para a irmã, e a minha irmã para a mãe. Eu era nova, confiava naquele lugar e guardei tudo em silêncio por muito tempo. A gente tenta seguir a vida, fingir que esqueceu, mas não esquece. Fica guardado na memória, no corpo e na alma. Seu desabafo trouxe à tona lembranças difíceis, mas também me fez perceber que o silêncio só protege quem errou. Hoje me recuso a continuar calada”, escreveu a mulher na postagem de Saulo.

    De acordo com o servidor público, a publicação foi um “desabafo” sobre o que viveu, uma vez que comoção pelo caso da menina de 12 anos fez ressurgir “todo o episódio”. Ele era office boy do primo e, àquela altura, o admirava.

    — O meu relato ganhou uma proporção que é resultado de um desconforto social causado pela absolvição no caso que ele julgou — resumiu.

    O GLOBO procurou Magid Láuar sobre as denúncias e a investigação do CNJ por intermédio do TJMG. O tribunal informou que entrou em contato com o magistrado: “Aguardamos o retorno dele sobre a disponibilidade ou interesse em se pronunciar”. Não houve novas respostas.