Trump diz que os EUA estão considerando uma 'tomada de controle amigável' de Cuba; venda de petróleo é parte-chave de plano
No início desta semana, o governo anunciou planos para permitir o envio de combustível de empresas energéticas americanas para empresas privadas cubanas
Por O Globo e agências internacionais — Washington
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GERADO EM: 27/02/2026 - 17:14
Trump propõe "tomada amigável" de Cuba para fortalecer influência dos EUA
O presidente dos EUA, Donald Trump, considera uma "tomada de controle amigável" de Cuba para aumentar a influência americana na ilha em crise econômica e energética. O plano inclui autorizar o envio de combustível de empresas americanas para o setor privado cubano, enfraquecendo o governo comunista. A estratégia sinaliza um reconhecimento do setor privado cubano como parceiro legítimo, mas enfrenta volatilidade devido a incidentes recentes e tensões geopolíticas.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que está considerando uma "tomada de controle amigável" de Cuba, sugerindo que Washington poderia exercer maior influência sobre a ilha caribenha em meio à sua severa crise econômica e energética. A declaração acontece no contexto da pressão contínua dos EUA após a operação militar de janeiro que derrubou Nicolás Maduro na Venezuela, cortando o principal fornecimento de petróleo a Cuba, e após governo Trump autorizar envios de combustível de empresas americanas ao setor privado cubano para aumentar sua dependência e enfraquecer o governo comunista da ilha.
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— O governo cubano está conversando conosco e eles têm problemas muito sérios, como vocês sabem. Eles não têm dinheiro, não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez vejamos uma tomada de poder amigável em Cuba — disse o presidente dos EUA a repórteres ao sair da Casa Branca para uma viagem ao Texas. — Sabe, temos pessoas morando aqui que querem voltar para Cuba.
Petróleo em falta
Petróleo em falta
No início desta semana, o governo americano anunciou planos para permitir o envio de combustível de empresas energéticas americanas para empresas privadas cubanas. O plano continua a tomar forma, embora as tensões estejam elevadas após um confronto fatal na quarta-feira entre autoridades cubanas e um grupo de dez cubanos residentes nos EUA a bordo de uma lancha registrada na Flórida, ao largo da costa da ilha.
A estratégia de Trump inclui tranquilizar as empresas de energia, garantindo-lhes que podem vender petróleo e combustível para pequenas e médias empresas privadas cubanas, disseram à Bloomberg fontes familiarizadas com os planos da Casa Branca, que pediram para não serem identificadas.
Outra parte do plano é autorizar a revenda de petróleo venezuelano para Cuba, com o Departamento do Tesouro afirmando que seu Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros "implementaria uma política de licenciamento favorável" para casos específicos. Vendas que beneficiem o governo cubano continuam proibidas.
Questionado sobre a estratégia, um dos funcionários da Casa Branca disse:
— Cuba é uma nação em declínio, cujos governantes sofreram um grande revés com a perda do apoio da Venezuela e com o México interrompendo o fornecimento de petróleo.
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Os Estados Unidos mantêm um embargo comercial abrangente contra Cuba desde 1962. A Assembleia Geral das Nações Unidas tem instado Washington a abandonar essas medidas drásticas há décadas, citando o impacto negativo em tudo, desde a disponibilidade de bens básicos e o combate à pobreza até a saúde e a economia.
Diante de uma grave crise energética, Cuba recentemente começou a permitir que empresas privadas importem combustível sob certas condições. Embora os carregamentos ainda sejam pequenos, o objetivo é aumentá-los para que as empresas americanas se tornem a principal fonte de petróleo para o setor privado, substituindo décadas de dependência dos carregamentos de aliados de esquerda ligados ao governo em Havana, disseram as fontes.
A nova estratégia "sinaliza que o governo Trump está reconhecendo o setor privado cubano como um parceiro legítimo no terreno", disse Ricardo Herrero, diretor executivo do Cuba Study Group, um think tank com sede em Washington.
— Não é algo que vá substituir toda a indústria petrolífera, mas vai levar combustível para onde é mais necessário.
O incidente de quarta-feira, no entanto, destaca a volatilidade da situação em ambos os lados. A Guarda Costeira cubana matou a tiros quatro dos dez passageiros a bordo da embarcação, alegando que o grupo estava fortemente armado e planejava iniciar uma insurreição na ilha.
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O secretário de Estado Marco Rubio, em declarações ponderadas durante uma cúpula de líderes caribenhos em São Cristóvão e Névis, anunciou que os EUA conduziriam sua própria investigação antes de tirar quaisquer conclusões. Por ora, é improvável que o caso atrapalhe o plano de Washington, disse uma das pessoas familiarizadas com o assunto.
Rubio, filho de imigrantes cubanos, declarou à Bloomberg News neste mês que Havana precisará oferecer mais liberdades econômicas e políticas para aliviar a pressão dos EUA.
Doutrina 'Donroe'
Doutrina 'Donroe'
O plano de Trump dá sequência a uma Estratégia de Segurança Nacional divulgada em dezembro, que afirma a preeminência dos EUA no Hemisfério Ocidental, particularmente sobre potências externas como a Rússia e a China — um corolário da Doutrina Monroe do século XIX. Embora Moscou apoie Cuba há muito tempo, a China intensificou suas atividades na ilha nos últimos anos.
Os primeiros carregamentos para empresas privadas foram de diesel, usado para abastecer caminhões e geradores na ilha, que há anos sofre com apagões frequentes. A precária rede elétrica de Cuba é alimentada por usinas termoelétricas antigas que precisam de cerca de 100 mil barris de petróleo por dia para atender à demanda. A ilha produz apenas dois quintos desse volume, o que a torna dependente de suprimentos estrangeiros.
Após Trump ameaçar impor tarifas a qualquer nação que enviasse petróleo para Cuba, a ilha ficou mais de um mês sem uma entrega significativa pela primeira vez em mais de uma década. A demanda por combustível está agora altíssima, segundo um consultor de negócios baseado em Havana, que afirmou que o processo para a importação de cargas privadas é envolto em incertezas, visto que as importações de combustível são há muito tempo um monopólio do governo.
A instabilidade no fornecimento de energia elétrica em Cuba obrigou muitas pequenas empresas a investir em painéis solares e sistemas de baterias de reserva. No entanto, a escassez de combustível está prejudicando gravemente empresas que precisam entregar mercadorias ou operar máquinas pesadas. Os cubanos comuns, que antes cozinhavam com gás, agora preparam a comida em fogueiras.
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O governo Trump continua interessado em substituir o presidente cubano Miguel Díaz-Canel e tem conversado com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do irmão de Fidel Castro, Raúl Castro, disse uma fonte da Casa Branca. Segundo a fonte, a administração americana considera que Díaz-Canel fracassou na economia e é incapaz de promover as mudanças políticas e econômicas necessárias.
Questionado sobre as negociações, o funcionário da Casa Branca disse:
— Como o presidente afirmou, estamos conversando com Cuba, cujos líderes devem chegar a um acordo.
O governo cubano ainda não reconheceu as negociações, e não está claro o quão receptivos os cubano-americanos do sul da Flórida, que apoiaram Trump, estarão à ideia de o governo negociar com um membro da família Castro. Mas se a reação da comunidade venezuelana-americana à saída dos EUA do número dois de Maduro do comando em Caracas servir de indicador, Rubio e o presidente podem já estar em terreno seguro.
Com AFP e Bloomberg.