EUA recomendam retirada de funcionários de Embaixada em Israel por 'riscos de segurança'; Irã pede fim de 'exigências excessivas'
politica

EUA recomendam retirada de funcionários de Embaixada em Israel por 'riscos de segurança'; Irã pede fim de 'exigências excessivas'

Alemanha, China, França e Reino Unido estão entre os países que fizeram recomendações aos seus cidadãos após as medidas americanas, um dia após menções de 'progresso' em negociações

Por O Globo, com agências internacionais — Teerã, Jerusalém e Washington

  • Facebook
  • Twitter
  • BlueSky
  • Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

    GERADO EM: 27/02/2026 - 08:15

    EUA Retiram Funcionários Não-Emergenciais de Embaixada em Israel por Risco de Segurança

    Os EUA autorizaram a retirada de funcionários não-emergenciais da embaixada em Israel, citando riscos de segurança, após negociações com o Irã sobre um acordo nuclear. Apesar de "progressos" mencionados, o Irã criticou "exigências excessivas" americanas. As tensões permanecem, com milícias aliadas ao Irã alertando para possíveis respostas a ataques. Trump avalia ação militar, destacando preocupações com mísseis e grupos terroristas iranianos.

    CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

    O Departamento de Estado dos EUA recomendou nesta sexta-feira que os funcionários não essenciais da Embaixada do país em Jerusalém deixem Israel "devido a riscos de segurança", apontando que os americanos e seus familiares deveriam considerar deixar o Estado judeu "enquanto voos comerciais estão disponíveis". O anúncio de Washington, um dia após a última rodada de negociação com o Irã que vinha sendo tratada como decisiva para determinar não um ataque ou não à nação persa — às vésperas do fim do prazo de "10 a 15 dias" dado por Trump para assinatura de um novo acordo nuclear — provocou uma reação em cadeia entre países ocidentais e potências estrangeiras, que também aconselharam a saída de seus cidadãos de países da região, alertando para as preocupações relativas à segurança. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, que afirmou ter havido "progressos" nas conversas diplomáticas de quinta-feira, pediu nesta sexta que a Casa Branca abandone "exigências excessivas" para alcançar o acordo.

    • Análise: Trump diz que guerra contra o Irã seria 'facilmente vencida', mas imagens de satélite sugerem dificuldades
    • Diplomacia: Acordo está 'ao alcance' se foco for apenas não produzir armas nucleares, diz conselheiro de Khamenei

  • Análise: Trump diz que guerra contra o Irã seria 'facilmente vencida', mas imagens de satélite sugerem dificuldades
  • Diplomacia: Acordo está 'ao alcance' se foco for apenas não produzir armas nucleares, diz conselheiro de Khamenei
  • "O Departamento de Estado autorizou a saída de funcionários americanos não essenciais e familiares de funcionários do governo americano [...] devido a riscos de segurança", indicou a Embaixada dos EUA em um comunicado em seu site. "Os indivíduos devem considerar deixar Israel enquanto ainda houver voos comerciais disponíveis."

    Mais Sobre Irã

    O anúncio público americano, no dia seguinte à participação de delegações diplomáticas de Teerã e Washington em conversas em Genebra, foi feito com termos mais suaves do que as comunicações em reservado. Em e-mail enviado à equipe diplomática, o embaixador Mike Huckabee afirmou que qualquer pessoa que desejasse deixar Israel deveria "fazê-lo HOJE".

    "Concentrem-se em obter uma passagem aérea para qualquer destino de onde possam continuar sua viagem para Washington, mas a prioridade absoluta é deixar o país rapidamente", escreveu Huckabee em uma comunicação a qual o jornal americano New York Times teve acesso. "Não há necessidade de pânico, mas, para aqueles que desejam sair, é importante planejar a partida o quanto antes."

    O termômetro internacional acompanha os movimentos de Washington. A China desaconselhou nesta sexta-feira seus cidadãos a viajarem ao Irã devido ao que chamou de "aumento acentuado nos riscos de segurança externos". Pequim também alertou os cidadãos que se encontram na nação persa e em Israel a "reforçarem as medidas de segurança e saírem do país o mais rápido possível". A Alemanha desaconselhou viagens a Israel e a Jerusalém Oriental — território palestino nos termos da divisão pré-1967. A Turquia cancelou voos a partir de Istambul para Teerã e Tabriz.

    O Reino Unido anunciou a retirada temporária de toda a sua equipe diplomática do Irã, reduzindo os trabalhos diplomáticos para o que pode ser executado remotamente. A justificativa também menciona a situação de segurança da região. A França emitiu uma recomendação para todos os seus cidadãos evitassem viajar a Israel, Cisjordânia e Irã, referindo-se as tensões. Outros atores já tinham anunciado medidas similares antes.

    A companhia aérea holandesa KLM já havia anunciado nesta semana que suspenderia seus voos para Tel Aviv a partir de 1º de março — quando vence o primeiro prazo, de 10 dias, dado por Trump para que fosse alcançado um acordo, sob risco de consequências "muito ruins". A Austrália anunciou na quarta-feira que os dependentes de seus diplomatas em Israel e no Líbano devem deixar os países, e ofereceu a opção de saída voluntária ao mesmo grupo nos Emirados Árabes Unidos, no Catar e na Jordânia — todos prováveis alvos de retaliação iraniana.

    Entre 'progressos' e 'exigências excessivas'

    Entre 'progressos' e 'exigências excessivas'

    A Casa Branca não se pronunciou de forma oficial após a rodada de negociação em Genebra, embora o encontro tenha acabado com indícios de avanços.

    A mediação do sultanato de Omã afirmou que uma nova negociação de nível técnico, com participação da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA), havia sido confirmada para segunda-feira, em Viena, e que uma nova tratativa diplomática, no formato já estabelecido entre Washington e Teerã, seria realizado durante a semana.

    A parte iraniana chegou às negociações de quinta com o discurso de que um acordo histórico poderia ser fechado com os EUA. Ali Shamkhani, um importante assessor do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, sugeriu que um acordo imediato poderia ser alcançado se o foco americano se limitasse ao compromisso sobre o não desenvolvimento de armas atômicas. Autoridades iranianas disseram que a proposta apresentada aos EUA incluiria um compromisso de compra de produtos americanos, como aviões comerciais, e um convite para que empresas americanas investissem nos setores de energia, petróleo e gás iraniano, além de obterem acesso a minas com minerais como o lítio — uma conquista que superaria uma proibição do próprio Khamenei à entrada de empresas americanas no país.

    Os termos, porém, parecem não ter sido considerados suficientes por Washington. Em uma conversa com o chanceler do Egito, Badr Abdelatty, nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã pediu que os EUA abandonassem todas as "exigências excessivas" para alcançar o acordo.

    — O sucesso neste caminho exige seriedade e realismo da outra parte, além de evitar qualquer erro de cálculo e exigências excessivas — disse Araghchi, sem especificar a quais exigências se referia.

    Em meio ao processo, os EUA apontaram, para além da questão nuclear, o programa de mísseis iraniano e o patrocínio de grupos considerados terroristas como pontos de preocupação. Durante discurso perante o Congresso americano, na terça-feira, Trump afirmou que o país já "desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa" e que estaria trabalhando para construir mísseis que "em breve" alcançariam os EUA".

    Fontes americanas afirmaram que entre as demandas apresentadas pelo enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, na quinta-feira estariam a desativação completa das três principais centrais nucleares iranianas — Fordo, Natanz e Isfahã, e a entrega de todo o urânio enriquecido ainda em posse do país, que após os bombardeios americanos de junho ficaram fora do radar das autoridades internacionais.

    Oficialmente, o regime iraniano afirma que o programa de mísseis é inegociável e que faz parte de sua capacidade de garantir a própria existência, e que tem o direito de manter um programa nuclear ativo para fins pacíficos. O Wall Street Journal, descrevendo as conversas de quinta-feira, noticiou que a delegação de Teerã teria rejeitado o envio do urânio enriquecido ao exterior.

    A AIEA pediu nesta sexta-feira que o Irã cooperasse "construtivamente" e "com a máxima urgência" em seu pedido de verificação de instalações nucleares.

    Em memorando enviado a representações americanas, obtido pelo jornal britânico Guardian, o Departamento de Estado pede aos diplomatas que evitem declarações que possam elevar as tensões e minar a pressão de Trump sobre o Irã. Segundo o jornal, a mensagem teve Huckabee como destinatário principal: na semana passada, ele disse, em entrevista ao jornalista Tucker Carlson que Israel tem direito a anexar e ocupar boa parte do Oriente Medio com base em princípios bíblicos, o que enfureceu aliados na região.

    A medida anunciada pela Embaixada americana em Jerusalém mostra que mesmo os sinais na mesa de negociação diplomática não dissipam o temor de um confronto militar na região — sobretudo após Trump enviar o maior poder de fogo ao Oriente Médio desde o início da guerra do Iraque. Teerã e seus principais aliados já demonstraram que consideram respostas em um possível caso de agressão.

    O Kataeb Hezbollah, uma poderosa milícia iraquiana aliada ao Irã no chamado "Eixo da Resistência", alertou Washington sobre o risco de "imensas perdas" caso iniciem uma guerra na região. O grupo também instruiu seus combatentes a se prepararem para um cenário de longa guerra no Irã, em caso de ataque americano. Em declarações à agência francesa AFP, o comandante da milícia disse que seu grupo "provavelmente" interviria em caso de ataques.

    • Sob ameaça de ataque dos EUA: Iranianos preparam mochilas de emergência, estocam suprimentos e planejam rotas de fuga

  • Sob ameaça de ataque dos EUA: Iranianos preparam mochilas de emergência, estocam suprimentos e planejam rotas de fuga
  • Uma pesquisa realizada pelo Instituto da Democracia Israelense mostra que a opinião pública do país está dividida. Cerca de metade dos entrevistados disse que apoiaria a entrada em uma guerra com o Irã somente se Israel fosse atacado primeiro — em um sinal de que o apoio imediato aos americanos está longe de ser uma unanimidade. (Com AFP e NYT)

  • Ali Khamenei
  • Donald Trump
  • Estados Unidos
  • Irã
  • ← Volver a noticias