Presidente dos EUA voltou a insinuar a possibilidade de ordenar um ataque ao país persa um dia após a última rodada de negociações entre os países
Por O Globo com agências internacionais — Washington
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GERADO EM: 27/02/2026 - 16:13
Trump sugere possível ataque ao Irã após falhas nas negociações
O presidente dos EUA, Donald Trump, insinuou que um ataque ao Irã pode ser "necessário" após negociações inconclusivas sobre o programa nuclear iraniano. Trump expressou frustração com a postura iraniana, enfatizando a necessidade de impedir o Irã de ter armas nucleares. Enquanto as tensões aumentam no Oriente Médio, o cenário é de incerteza, com alertas de segurança e preparações de emergência em curso.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que talvez "seja necessário" atacar o Irã, um dia após o fim das negociações com o país persa. Na quinta-feira, os dois países encerraram a última rodada das conversas que vinham sendo tratadas como decisivas para determinar um ataque americano ou não ao Irã — às vésperas do fim do prazo de "10 a 15 dias" dado por Trump para assinatura de um novo acordo nuclear.
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Em conversa com jornalistas antes de embarcar na Casa Branca para uma viagem ao Texas, Trump disse que está frustrado com a posição do Irã nas negociações, mas afirmou que ainda não havia decidido se atacaria o território iraniano. Segundo o presidente americano, o Irã "não está disposto a dar o que precisamos".
— Não estamos exatamente satisfeitos com a forma como negociaram. Eles não podem ter armas nucleares, e não estamos nada contentes com a maneira como estão negociando — disse Trump. — Não queremos armas nucleares no Irã, e eles não estão dizendo essas palavras de ouro.
Ao ser questionado sobre o uso da força militar no país persa, o presidente respondeu que os EUA têm as maiores forças armadas do mundo e que "adoraria não precisar usá-las, mas às vezes é necessário". Perguntado se um ataque desencadearia uma guerra total no Oriente Médio, o presidente americano afirmou achar que "sempre se pode dizer que há um risco. Sabe, quando há guerra, há risco em tudo, tanto bom quanto ruim".
Um tempo depois, já no Texas, antes de um evento na cidade portuária de Corpus Christi, Trump afirmou ainda que não deseja que o Irã tenha qualquer enriquecimento de urânio, até mesmo para fins civis.
— Eu digo nenhum enriquecimento — declarou o presidente americano. — Nem 20% nem 30%. Eles sempre querem 20%, 30%, para uso civil, vocês sabem, uso civil. Eu acho que não é civil.
Enquanto isso, no Golfo Pérsico, uma enorme presença militar americana mobilizada para a região aguarda ordens de Trump. Diante das divergências não solucionadas, as negociações entre os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner e autoridades iranianas em Genebra terminaram sem acordo definido.
Uma fonte da Casa Branca com acesso às discussões revelou à Reuters que há um reconhecimento interno de que enfrentar o Irã seria mais difícil do que capturar o líder da Venezuela, Nicolás Maduro, ao mesmo tempo em que "há pessimismo interno quanto à possibilidade de as negociações darem frutos".
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Estado de alerta
Estado de alerta
Horas antes, o Departamento de Estado dos EUA recomendou que os funcionários não essenciais da Embaixada do país em Jerusalém deixem Israel "devido a riscos de segurança", apontando que os americanos e seus familiares deveriam considerar sair do Estado judeu "enquanto voos comerciais estão disponíveis".
O anúncio de Washington provocou uma reação em cadeia entre países ocidentais e potências estrangeiras, que também aconselharam a saída de seus cidadãos de países da região, alertando para as preocupações relativas à segurança. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, que afirmou ter havido "progressos" nas conversas diplomáticas de quinta-feira, pediu nesta sexta que a Casa Branca abandone "exigências excessivas" para alcançar o acordo.
Apesar das reiteradas ameaças feitas por ele, Trump afirma que prioriza a diplomacia, mas na última terça-feira, durante seu discurso sobre o Estado da União ao Congresso americano, acusou Teerã de ter "ambições nucleares". Segundo o republicano, o Irã desenvolveu "mísseis que podem ameaçar a Europa e nossas bases" militares e quer produzir outros ainda mais poderosos, capazes de "alcançar em breve os EUA".
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Após a maratona diplomática que teve uma etapa crucial concluída na quinta-feira em Genebra, EUA e Irã ainda não apresentaram o esboço de um acordo, como quer o presidente americano, centrado em controles do programa nuclear iraniano. Não foram divulgados detalhes sobre o que foi acertado, mas uma reunião de equipes técnicas está prevista para a semana que vem, em Viena, e o tom dos que estavam à mesa foi de otimismo.
Mesmo assim, a Casa Branca não descarta um ataque, mais amplo do que o de junho do ano passado, para forçar o regime a concordar com seus termos, ou até derrubá-lo. Trump disse que “venceria facilmente” uma guerra, mas lideranças do Pentágono alertam para os riscos de um conflito prolongado, que é rejeitado pela maioria dos americanos. Imagens de satélite comprovam que os iranianos aprenderam com os bombardeios americanos recentes, e que destruir seus alvos estratégicos não será simples como prevê o republicano.
(Com AFP)