'Não vi nada e não fiz nada de errado': em depoimento, Bill Clinton nega ter conhecimento sobre crimes de Epstein
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'Não vi nada e não fiz nada de errado': em depoimento, Bill Clinton nega ter conhecimento sobre crimes de Epstein

Ex-presidente tinha laços com o financista, acusado de liderar uma rede de abuso de menores, e foi questionado por comissão do Congresso liderada por trumpistas

Por O Globo e agências internacionais — Chappaqua, EUA

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    GERADO EM: 27/02/2026 - 17:22

    Bill Clinton nega envolvimento e conhecimento dos crimes de Epstein em depoimento ao Congresso

    Bill Clinton negou conhecimento dos crimes de Jeffrey Epstein durante depoimento a uma comissão do Congresso. O ex-presidente afirmou que "não viu nada e não fez nada de errado" e que cortou laços com Epstein em 2008. Clinton destacou que está cooperando para buscar justiça para as vítimas. A convocação de Hillary Clinton também gerou críticas, enquanto Donald Trump enfrenta pressão por suas conexões com Epstein.

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    O ex-presidente dos EUA Bill Clinton negou ter conhecimento dos crimes cometidos pelo financista Jeffrey Epstein, com quem manteve laços no início do século, e disse que “não viu nada e não fez nada de errado”. Clinton apareceu nos documentos do caso, tornados públicos nas últimos meses, e foi ouvido pela comissão da Câmara que investiga os arquivos, um dia depois de sua mulher, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, prestar depoimento.

    “Primeiro, eu não tinha ideia dos crimes que Epstein estava cometendo. Não importa quantas fotos você me mostre, há duas coisas que, no fim das contas, importam mais do que a sua interpretação dessas fotos de 20 anos atrás”, afirmou Clinton nas declarações iniciais, publicadas em suas redes sociais. “Eu sei o que vi e, mais importante, o que não vi. Eu sei o que fiz e, mais importante, o que não fiz. Não vi nada e não fiz nada de errado.”

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  • O democrata disse concordar em prestar depoimento à Comissão de Supervisão da Câmara, controlada pelos republicanos, porque acredita que os Estados Unidos “foram construídos com base na ideia de que ninguém está acima da lei, nem presidentes”, e porque as “as meninas e mulheres cujas vidas Jeffrey Epstein destruiu merecem não apenas justiça, mas também cura”. O depoimento ocorreu a portas fechadas e terminou depois de seis horas.

    “Elas esperaram tempo demais por ambas. Embora meu breve contato com Epstein tenha terminado anos antes de seus crimes virem à tona, e embora eu nunca tenha testemunhado, durante nossas limitadas interações, qualquer indício do que realmente estava acontecendo, estou aqui para oferecer o pouco que sei para que isso possa impedir que algo assim aconteça novamente”, completou.

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  • Bill Clinton não é acusado por nenhum crime relacionado a Epstein, ao contrário do ex-príncipe da coroa britânica Andrew, que chegou a ser preso. Mas seus laços com o financista há anos turbinam teorias da conspiração. No começo do século, entre 2002 e 2003, Clinton usou o avião particular do milionário cerca de 16 vezes, e foi visto com frequência ao lado dele e de outros nomes do jet-set global, como o vocalista do Rolling Stones, Mick Jagger, e de Ghislaine Maxwell, sócia de Epstein que cumpre pena de 20 anos de prisão em uma penitenciária na Flórida.

    Essa relação ficou ainda mais evidente após a divulgação dos documentos do processo contra Epstein, que morreu na prisão em 2019 antes de ser julgado por crimes como abuso de menores e tráfico humano. Além de menções em e-mails e conversas, Clinton aparece em fotos em eventos do financista, incluindo jantares, e mais à vontade, em piscinas, banheiras de hidromassagem e ao lado de jovens mulheres, cujas identidades foram preservadas. Muitos adversários políticos relembraram os escândalos sexuais envolvendo o democrata, como as relações que manteve com uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, e que quase lhe custaram a Presidência.

    Nas declarações iniciais, ele disse que cortou os laços com Epstein em 2008, quando o financista se declarou culpado por exploração de menores, dois anos depois do início de uma investigação do FBI, a polícia federal americana, por crimes sexuais.

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  • O depoimento foi tomado em Chappaqua, cidade no estado de Nova York onde vivem o ex-presidente e Hillary Clinton, ouvida na véspera, a portas fechadas. A ex-secretária de Estado relatou que não conheceu Epstein pessoalmente, e garantiu que Bill Clinton deixou de manter contato com ele em 2008.

    Em um dos poucos momentos do depoimento que vieram a público — a gravação em vídeo das seis horas e meia de conversa será liberada em breve —, Hillary foi questionada pela republicana Nancy Mace sobre como se sentiu ao ver fotos do marido recebendo massagem nas costas de outra mulher. Ela respondeu que não estava ali para falar de seus sentimentos.

    Nesta sexta-feira, o ex-presidente criticou a convocação da esposa.

    “Antes de começarmos, preciso falar sobre algo pessoal. Vocês convocaram Hillary. Ela não tinha nada a ver com Jeffrey Epstein. Nada. Ela não se lembra nem de tê-lo conhecido. Ela não viajou com ele nem visitou nenhuma de suas propriedades. Não importa se vocês intimaram 10 ou 10 mil pessoas, chamá-la foi simplesmente errado”, declarou.

    Embora tenha usado a suposta presença de democratas (como Clinton) em uma lista de clientes de Epstein como arma política, Donald Trump se vê agora em meio a um furacão causado pela divulgação dos documentos do processo, a pedido da própria base republicana. O nome dele aparece 38 mil vezes, em fotos, e-mails, conversas e alegações de abusos feitos pelas vítimas.

    Atualmente, o Departamento de Justiça, a cargo da divulgação dos documentos, investiga se o depoimento de uma mulher que diz ter sido abusada por Trump quando era menor de idade foi removido de forma deliberada, assim como outras citações potencialmente danosas. Na véspera, Hillary declarou que a pressão republicana sobre ela e Bill é uma forma de blindar o presidente. Mas para a oposição, a convocação do casal, viabilizada após meses de negociações, abriu um precedente.

    — Vamos reiterar o pedido que fizemos ontem (quinta-feira). Agora, estamos solicitando e exigindo que o presidente Trump compareça oficialmente para depor perante a Comissãosude Supervisão. Ele aparece nos arquivos de Epstein, ao lado de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, quase mais do que qualquer outra pessoa — afirmou o democrata Robert Garcia.

    Ao ser questionado se Trump deveria ser convocado, Clinton disse que "cabia aos deputados decidir", revelou o presidente da comissão, o republicano James Comer.

    — Ele prosseguiu dizendo que o presidente Trump nunca lhe disse nada que o fizesse pensar que estivesse envolvido e que se encontrou com Epstein — afirmou Comer, em entrevista coletiva durante um intervalo do depoimento. —Sei que há muita curiosidade sobre o presidente Trump. Achei interessante o que o presidente Clinton disse.

    Em declarações a jornalistas na Casa Branca, Trump, que no ano passado pediu ao Departamento de Justiça que investigasse os laços de Bill Clinton com Jeffrey Epstein, disse que não gostou de vê-lo prestando depoimento.

    — Mas certamente me perseguiram muito mais do que isso — completou o presidente, que aproveitou para defender seu secretário de Comércio, Howard Lutnick, citado nos arquivos e que admitiu ter ido a um almoço na ilha do financista no Caribe, onde ocorreram muitos dos abusos documentados.

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