Bradsaúde: Como fica a consolidação do Bradesco para o consumidor? Planos vão mudar? Preço vai subir? Entenda
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Bradsaúde: Como fica a consolidação do Bradesco para o consumidor? Planos vão mudar? Preço vai subir? Entenda

Especialistas acreditam que conglomerado reduz a competitividade no mercado e pode acabar tornando serviços de saúde menos acessíveis, diante da falta de regulação

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    GERADO EM: 27/02/2026 - 23:00

    Bradesco Seguros cria Bradsaúde e pode impactar preços futuros

    O conglomerado Bradesco Seguros anunciou a criação da Bradsaúde, incorporando Bradesco Saúde, Odontoprev e Mediservice. Especialistas apontam que, apesar de não haver mudanças imediatas para o consumidor, a consolidação pode elevar preços a longo prazo, devido à redução da competitividade e regulação insuficiente. Os planos de saúde e suas condições contratuais permanecerão inalterados, mas a tendência é de migração para planos mais baratos.

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    O grupo Bradesco Seguros anunciou, nesta sexta, a criação da Bradsaúde, nova companhia que irá incorporar os serviços da Bradesco Saúde, Odontoprev e Mediservice, como antecipou o colunista Lauro Jardim. Mas qual será o impacto para o consumidor?

    Especialistas acreditam que, embora não haja grandes mudanças diretas a curto prazo, o novo conglomerado pode ter impactos futuros nos preços de serviços de saúde.

    • Potencial: Valor de mercado da BradSaúde pode chegar a R$ 50 bilhões, afirma presidente do Bradesco
    • Entenda: Empresas fazem ‘rateio’ do custo e ampliam cobrança de co-participação com plano de saúde de empregados

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  • Os planos de saúde e odontológicos serão unificados?

    Os planos de saúde e odontológicos serão unificados?

    O Bradesco Saúde e a Odontoprev irão continuar operando com seus portfólios próprios e contratos independentes, de forma que os planos não serão unificados.

    "Os produtos comercializados se mantêm, com suas respectivas coberturas, condições contratuais e rede credenciada", explicou, em nota, Carlos Marinelli, CEO da Bradsaúde.

    • Crescimento da demanda: Planos de saúde investem em clínicas especializadas no tratamento do Transtorno do Espectro Autista

  • Crescimento da demanda: Planos de saúde investem em clínicas especializadas no tratamento do Transtorno do Espectro Autista
  • "A iniciativa representa uma sinergia estratégica entre as empresas do grupo, com potencial de criação de novos negócios e ampliação da oferta de produtos e serviços", ressaltou.

    A rede credenciada vai mudar?

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    Haverá impacto no preço?

    Haverá impacto no preço?

    Embora a Bradsaúde assegure que as condições dos planos continuarão as mesmas, especialistas acreditam que o novo conglomerado pode resultar em um aumento de preços de serviços de saúde no longo prazo. É o que pensa Ligia Bahia, professora e pesquisadora da Faculdade Nacional de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Segundo ela, o conglomerado reduz a competitividade no mercado e deve acabar restringindo o acesso, não só aos planos de saúde, mas também a produtos e serviços.

    — Essas consolidações estão acontecendo em vários grupos econômicos da saúde e o que a gente tem observado é que não tem uma mudança imediata na vida do consumidor, não é uma relação direta, as redes credenciadas, em geral, continuam. Entretanto, tem consequências importantes de médio e longo prazo em um processo de elevação de preços, com a formação de oligopólios e a saída de uma empresa de saúde para uma lógica financeira.

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    Ela acredita que, ao invés de os consumidores terem a cobertura ampliada, como prometem os executivos do Bradesco, as mudanças podem reduzir o acesso de consumidores aos planos mais completos.

    — Isso estabelece um padrão de concorrência entre esses grupos econômicos num patamar muito elevado, então a gente tem observado uma tendência de migração dos usuários para planos mais baratos e menos abrangentes. O tanto que se paga por uma internação hospitalar, por um medicamento, vai tudo subir. E isso vai acabar tendo impacto para a saúde do país, cada vez uma minoria terá acesso ao que seriam cuidados integrais de qualidade — considera a pesquisadora.

    No mercado, porém, a estratégia de verticalização é apontada por analistas como uma alternativa para reduzir custos e, assim, viabilizar reajustes menores para os consumidores.

    Faltam avanços na regulação

    Faltam avanços na regulação

    Para entender como funcionam as movimentações de preços dos planos de saúde, vale destacar que os reajustes costumam ser anuais e são aplicados, em geral, no mês de aniversário do contrato, para repor custos médicos e hospitalares.

    Nos planos individuais ou familiares, o percentual máximo de aumento é definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que estabelece um teto válido para todas as operadoras nesse tipo de contrato, além de permitir reajustes por faixa etária. Dessa forma, há um controle maior sobre os preços.

    Já nos planos coletivos, como os empresariais, o índice não é fixado pela ANS, mas negociado entre a operadora e a empresa ou entidade contratante, o que faz com que os percentuais variem mais e, muitas vezes, sejam mais elevados.

    Uma pesquisa do Idec, lançada em 2023, mostrou que planos coletivos representam 80% do mercado e que os aumentos nos valores de suas mensalidades chegaram a ser quase duas vezes maiores do que os sofridos pelos planos individuais no período de cinco anos.

    — A regulação efetiva é peça-chave para proteger os direitos de quem tem um plano de saúde. A solução para as distorções nesse mercado passa pela aproximação das regras entre planos individuais e coletivos, de modo que ambos tornem-se igualmente viáveis para o consumidor. Enquanto os planos coletivos e mudanças econômicas continuarem sendo mais atrativos para as operadoras, por sua falta de regulação, os planos individuais seguirão restritos a poucos — concluiu Paullelli.

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