Quem manda mais? Entenda como é a estrutura política do Irã, alvo de ataque dos EUA e de Israel
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Quem manda mais? Entenda como é a estrutura política do Irã, alvo de ataque dos EUA e de Israel

País possui figuras com papel político e religioso, como o líder supremo, além da temida Guarda Revolucionária; chefes militares importantes foram mortos por Israel

Por O Globo e agências internacionais — Teerã

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    GERADO EM: 28/02/2026 - 09:48

    Complexidade Política do Irã e Tensão Nuclear Ameaçam Paz Global

    O Irã, alvo de ataques dos EUA e Israel, possui uma complexa estrutura política onde o líder supremo, Ali Khamenei, detém o máximo poder, acima do presidente e das instituições civis. A Guarda Revolucionária, criada para proteger o regime, é uma força temida e poderosa. O conflito recente destaca tensões sobre o programa nuclear iraniano, que Teerã defende como civil, mas que gera desconfiança internacional.

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    Os Estados Unidos e Israel realizaram um ataque contra o Irã após semanas de pressão por um acordo nuclear, medida defendida pelo presidente Donald Trump diante do impasse nas negociações. A ofensiva, ligada à tentativa de conter o enriquecimento de urânio, põe em foco a estrutura de poder iraniana, onde decisões estratégicas estão concentradas no líder supremo, Ali Khamenei, autoridade máxima acima do presidente eleito e das instituições civis.

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  • A situação vinha escalando desde fevereiro, quando Washington e Teerã retomaram o diálogo e realizaram duas rodadas de negociações sobre o programa nuclear iraniano, embora tenham mantido a troca de ameaças. Nos últimos dias, os EUA mobilizaram forças navais e aéreas na região, primeiro em reação à repressão de protestos no Irã e depois como instrumento de pressão diplomática.

    O Irã, por sua vez, nega ter ambições militares, mas insiste em seu direito a um programa nuclear civil, especialmente para fins energéticos, em conformidade com o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual é signatário.

    Saiba quem é quem no poder no Irã:

    Organização política

    Organização política

    O aiatolá Ali Khamenei é quem manda no Irã. Ele é o chefe de Estado e ocupa o cargo vitalício de líder supremo, posto de maior autoridade política e religiosa do país. O aiatolá é o responsável por nomear os líderes das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária, definir quem ocupa os cargos mais importantes do Judiciário e comandar as ações de política interna e externa do país.

    No posto desde 1989, Khamenei escolhe até os líderes da mídia estatal iraniana, além de controlar operações de inteligência e ratificar os resultados das eleições presidenciais. O líder supremo é escolhido por uma assembleia formada por especialistas na lei islâmica e eleita por voto direto a cada oito anos. A lista de candidatos precisa ser aprovada pelo chamado Conselho de Guardiões, formado por seis juristas e seis clérigos — estes também eleitos por indicações de Khamenei.

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  • Abaixo dele está o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que, por conta das limitações impostas pela atuação do líder supremo, possui um foco maior na economia. Ele foi eleito em 2024 por voto direto — assim como os 290 parlamentares são, a cada quatro anos. As leis elaboradas pelos políticos, no entanto, precisam passar pelo Conselho de Guardiões.

    Guarda Revolucionária

    Guarda Revolucionária

    Em 1979, quando a República Islâmica foi instaurada, o Irã cortou todas as suas relações oficiais com Israel, deixando de reconhecê-lo. Nesse contexto, a Guarda Revolucionária foi criada justamente para proteger o regime. Em 1982, quando Israel invadiu o Líbano, a Guarda ajudou a criar o Hezbollah, um movimento xiita que se implantou no sul libanês e lançou uma luta armada contra o Estado judeu.

    Mais Sobre Irã

    A organização é o braço mais poderoso e temido das Forças Armadas do país. O Irã nunca divulgou os números oficiais, mas uma estimativa do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos calcula que a força de elite seja hoje formada por cerca de 125 mil homens, divididos em áreas de atuação distintas. A Guarda Revolucionária tem as próprias tropas especiais para o Exército, Marinha e Aeronáutica.

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  • Em 2019, Trump, então em seu primeiro mandato como presidente americano, declarou a Guarda Revolucionária como uma “organização terrorista estrangeira”.

    Há ainda a Força Quds — unidade de elite da Guarda Revolucionária responsável pela articulação com movimentos revolucionários islâmicos em outros países, entre eles o Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano, e os Houthis no Iemên.

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