Ataques de EUA e Israel tiveram como alvo líder supremo, presidente do Irã e outras lideranças do regime
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Ataques de EUA e Israel tiveram como alvo líder supremo, presidente do Irã e outras lideranças do regime

Retaliação iraniana fechou o espaço aéreo em diversos países do Oriente Médio e forçou sistemas de defesa de vizinhos ao máximo

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    GERADO EM: 28/02/2026 - 14:25

    EUA e Israel atacam Irã visando líderes e programas nucleares

    EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã, visando líderes como o aiatolá Ali Khamenei e o presidente Masoud Pezeshkian, conforme anunciado pelas Forças Armadas israelenses. A ação, parte das operações "Fúria Épica" e "Rugido do Leão", busca destruir programas nucleares e provocar mudança de regime. Teerã confirma bombardeios em locais estratégicos, mas o impacto total e possíveis mortes de líderes ainda não foram divulgados. Retaliações iranianas atingiram Israel e bases americanas na região, aumentando as tensões.

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    Ataques coordenados de EUA e Israel contra o Irã neste sábado mataram o líder supremo, Ali Khamenei, e outras lideranças do regime teocrático iraniano, anunciou o presidente dos EUA, Donald Trump, horas após ele e o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmarem, em declarações separadas, que a ação tinha por objetivo não apenas a destruição dos programas nuclear e de mísseis de Teerã, mas de provocar uma mudança de regime — em um momento em que a Revolução Islâmica enfrenta a maior crise de sua História. O regime confirmou a morte de "alguns comandantes", mas ainda não fez declarações sobre Khamenei. Também afirmou que o presidente Masoud Pezeshkian, também alvo, está bem. Antes de Trump, o líder israelense se referiu a "fortes indícios" de que Khamenei teria morrido durante os bombardeios, que atingiram a sede da Presidência iraniana e o complexo residencial do líder supremo.

    • Perfil: Ataques de EUA e Israel matam Ali Khamenei, anuncia Trump; líder supremo dominou a política do Irã por quatro décadas
    • Análise: Ao lançar ataque contra o Irã sem objetivo definido, Trump evoca fracassos passados dos EUA
    • Ataques contra o Irã: Acompanhe a cobertura completa

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  • Em seu anúncio, Trump afirmou que a morte de Khamenei, ainda não confirmada pelo governo iraniano, "é a maior chance para o povo iraniano recuperar seu país", que ele declarou ter sido "amplamente destruído em apenas um dia". Em uma publicação em sua plataforma Truth Social, Trump reverenciou a atuação das forças de inteligência americanas, destacando que, "trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos junto com ele, pudessem fazer".

    A operação conjunta — que nos EUA recebeu o nome "Operação Fúria Épica" e em Israel foi chamada de "Rugido do Leão" — atingiu uma extensa área do território do Irã. O Crescente Vermelho divulgou um balanço de 201 mortos e 747 feridos no país, com 24 das 31 províncias sendo afetadas. Algumas das principais cidades iranianas, como Teerã, Tabriz e Isfahã — essa última, onde fica uma importante central nuclear — foram alvo de bombardeios e registraram cenas caóticas de pessoas correndo nas ruas e buscando abrigo. O Exército israelense disse ter atingido 500 alvos, incluindo locais em Teerã "onde altos funcionários políticos e de segurança estavam reunidos", acrescentando que "oficiais graduados" estão entre as vítimas.

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    O Irã denunciou os ataques israelenses e americanos como uma "guerra totalmente gratuita, ilegal e ilegítima", classificando o caso como um ato de agressão que violou princípios do direito internacional e a Carta das Nações Unidas. Ainda na manhã de sábado, a Guarda Revolucionária do Irã — o braço mais ideológico das Forças Armadas do país — deu início a uma campanha de retaliação que se fez sentir por todo o Oriente Médio: espaços aéreos foram fechados, alertas soados e sistemas de defesa acionados quando mísseis e drones iranianos cortaram os céus de pelo menos oito países, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e outros países de maioria muçulmana que abrigam bases militares americanas. Danos a estruturas civis e militares foram confirmados, incluindo a um hotel no bairro de alto padrão de Palm Jumeirah, formado por ilhas artificiais em formato de palmeira em Dubai. A ação levou a uma condenação geral e advertências de possíveis retaliações pela violação de suas soberanias. Ao longo do dia, a diplomacia iraniana sustentou que todas as instalações ou meios israelenses e americanos eram um alvo legítimo, e afirmaram aos países vizinhos que visavam alvos locais.

    À medida que a troca de agressões se prolongava, fontes ouvidas pela mídia internacional sugeriam que líderes iranianos importantes para a estrutura de poder teriam morrido, em acusações que eram rejeitadas por autoridades do país. Em uma entrevista durante a tarde, o chanceler Abbas Araghchi afirmou que todos os funcionários de alto-escalão do governo estavam vivos, referindo-se à "perda de alguns comandantes". Quando se referiu ao líder supremo, porém, fez uma ressalva: "Que eu saiba, está vivo". A rede de TV Al-Alam afirmou que o aiatolá falaria ao vivo ainda neste sábado. Em uma fala televisionada durante a noite (tarde no Brasil), Netanyahu disse que haver "fortes indícios" da morte de Khamenei. A imprensa estatal iraniana publicou declarações de porta-vozes do governo alertando a população sobre a "guerra informacional" de Israel.

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    Imagem capturada da televisão estatal iraniana mostra o local que seria da escola da escola primária para meninas na província iraniana de Hormozgan, perto do estreito de Ormuz. — Foto: IRIB TV / AFP

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    Frame de vídeo mostra pessoas inspecionando os danos em um local atingido após ataques dos EUA e de Israel em Teerã, no Irã — Foto: AFP

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    Frame de vídeo de redes sociais mostram explosões em Teerã após EUA e Israel bombardearem a capital em ataque coordenado ao Irã — Foto: AFP

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    Uma nuvem de fumaça se eleva após uma explosão relatada em Teerã após EUA e Israel bombardearem capital em ataque coordenado. — Foto: ATTA KENARE / AFP

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    Projétil iraniano atinge base naval dos EUA no Bahrein — Foto: AFP

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    Fumaça sobe nos céus de Abu Dhabi em meio a ataque retaliatório do Irã por agressões dos EUA e Israel — Foto: AFP

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    O rastro de um foguete do sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro de Israel é visível sobre os céus de Jerusalém — Foto: JACK GUEZ / AFP

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    Fumaça de um ataque aéreo israelense na área sul do Líbano, al-Qatrani. EUA e Israel bombardearem a capital do Irã, Teerã, em ataque coordenado — Foto: Rabih DAHER / AFP

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    EUA e Israel lançam ataque coordenado contra o Irã; bombas no Teerã (foto) começaram na manhã deste sábado (28) — Foto: ATTA KENARE / AFP

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    Pessoas correm para se abrigar ao som das sirenes em Tel Aviv. As Forças Armadas de Israel afirmaram que seus ataques contra o Irã, em coordenação com os Estados Unidos, atingiram dezenas de instalações militares. — Foto: Jack GUEZ / AFP

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    Motoristas lotam ruas de Teerã, capital iraniana — Foto: AFP

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    O rastro de um foguete do sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro de Israel é visível sobre os céus de Jerusalém — Foto: JACK GUEZ / AFP

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    Regime fragilizado

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    O cerco ao Irã se fechou em um golpe que se pretende decisivo em um momento de grande pressão interna e externa para a nação persa. Ao anunciar o ataque nas primeiras horas deste sábado, Trump afirmou que a operação "de grande envergadura" tinha por objetivo "defender o povo americano" de "ameaças iminentes", citando o patrocínio de Teerã a grupos terroristas e os programas nuclear e de mísseis desenvolvidos pelo regime, que lembrou ter atacado no ano passado, durante os bombardeios em junho de 2025.

    — Vamos destruir seus mísseis e arrasar completamente sua indústria de mísseis. Ficará totalmente aniquilada, novamente. Vamos aniquilar sua Marinha — afirmou Trump, estendendo as ameaças às milícias aliadas ao Irã e ao programa nuclear. — Vamos garantir que o Irã não obtenha uma arma nuclear.

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  • O presidente americano também citou o processo diplomático com Teerã, afirmando ter oferecido ao regime dos aiatolás chances de evitar um confronto. A indicação durante o discurso, na avaliação da professora iraniana, Sara Bazoobandi, pesquisadora não residente no Centro de Análise de Conflitos e Gestão de Crises da Universidade de Kiel, na Alemanha, demonstra a razão imediata para o ataque, e revela também uma decisão consciente por parte do Irã.

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  • Os preparativos, porém, não foram suficientes para reverter um processo de enfraquecimento de longo prazo. Os três pilares da estrutura de dissuasão montada pelo regime foram enfraquecidos um a um ao longo dos últimos anos, desde o início da guerra em Gaza, iniciada pelo ataque terrorista do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023. A rede de alianças conhecida como "Eixo da Resistência", que incluía o regime sírio liderado por Bashar al-Assad e movimentos como o Hamas e o Hezbollah, foi duramente castigada, e as instalações nucleares e militares do Irã foram fortemente atacadas, com a morte de vários líderes militares e cientistas nucleares somando-se ao dano às infraestruturas no terreno.

    'Sinal verde' apesar de dúvidas

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    A decisão final para o ataque também parece ter observado sinalizações internas e externas sobre o Irã. A onda de protestos que irrompeu no país em dezembro, seguida pela forte repressão aos civis, levou à uma ampla condenação internacional que isolou ainda mais o regime. Em sinal do efeito desse processo, a União Europeia rompeu um impasse de anos, designando a Guarda Revolucionária do Irã uma organização terrorista. Em paralelo, grandes movimentos apoiados pela comunidade iraniana na diáspora pediram apoio à queda do governo— com parte dos apoiadores de algumas das maiores manifestações defendendo o retorno da monarquia Pahlevi, deposta pela Revolução Islâmica de 1979.

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  • Contudo, a decisão da parte americana parece ter sido tomada unilateralmente do Gabinete de Trump. Líderes do partido democrata, incluindo o governador da Califórnia, Gavin Newsom, e ativistas da linha-dura do movimento "Façam os EUA Grandes de Novo" (Maga, na sigla em inglês) questionaram o uso de militares americanos em uma nova ofensiva no Oriente Médio, sem uma discussão mais profunda internamente. Fontes americanas afirmaram ainda que o presidente autorizou o ataque, mesmo tendo sido informado sobre um alto risco de perdas humanas.

    A analista também apontou que as crises internas cumpriram um papel importante para a decisão dos EUA sobre o ataque, citando o discurso do presidente americano, em declarou apoio a uma mudança de regime e afirmou que o povo iraniano deveria tomar o controle das instituições — uma menção que pareceu direcionada aos manifestantes que saíram às ruas em dezembro e janeiro, e enfrentaram uma forte repressão do regime.

    Em uma mensagem na rede social X, o chanceler do Irã sugeriu que as razões de Trump para o ataque ao país estariam relacionadas a interesses eleitorais. O diplomata compartilhou uma captura de tela de uma mensagem publicada pelo republicano em 2012, na qual dizia que o então presidente Barack Obama lançaria um ataque contra o Oriente Médio para superar uma queda de popularidade interna.

    A mensagem dizia: "Agora que os índices de aprovação de Obama estão em queda livre – fiquem de olho nele, pois ele pode lançar um ataque na Líbia ou no Irã. Ele está desesperado". Pesquisas divulgadas nesta semana nos EUA apontaram que a desaprovação ao governo Trump alcançou o patamar de 56%.

    (Com AFP e NYT)

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