Medicamento experimental contra HIV é promessa na terapia para idosos
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Medicamento experimental contra HIV é promessa na terapia para idosos

Pessoas mais velhas que vivem há muitos anos com o HIV chegam a tomar mais de 10 comprimidos ao dia. Medicamento pode simplificar tratamento

atualizado

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Um novo tratamento pode simplificar a vida de pessoas que têm HIV há décadas e são obrigadas a seguir protocolos complexos e tomar vários comprimidos por dia.

A eficiência da pílula BIC/LEN, de dose única diária, foi demonstrada em um novo ensaio clínico publicado nessa quarta-feira (25/02) na revista científica The Lancet.

O HIV – o vírus da imunodeficiência humana – já foi descrito como uma “sentença de morte” para as pessoas que o contraíam, por enfraquecer o sistema imunológico e deixá-las vulneráveis a infecções fatais ou câncer.

Embora os medicamentos modernos tenham melhorado a vida das pessoas com HIV, permitindo suprimir o vírus e impedir sua transmissão, o sucesso do tratamento depende de regimes específicos ajustados para cada paciente.

Isso pode ser frustrante para algumas das pessoas mais idosas vivendo com HIV, já que comprimidos tomados uma vez ao dia, usados por pacientes mais jovens, nem sempre funcionam bem para grupos mais velhos.

Isso acontece porque os primeiros tratamentos contra o HIV podem ter levado ao desenvolvimento de resistência nesses pacientes mais antigos, exigindo hoje regimes altamente especializados com múltiplos comprimidos.

Novo tratamento combina bictegravir e lenacapavir

A pílula BIC/LEN, ainda em fase de testes, combina as drogas antivirais bictegravir e lenacapavir. A expectativa é de que ela possa oferecer uma rotina mais conveniente a pessoas mais idosas com HIV.

“Esse é um medicamento para pessoas com resistência viral, que não puderam se beneficiar de avanços na terapia de HIV”, explica Chloe Orkin, professora da Queen Mary University of London e principal pesquisadora envolvida nos estudos.

A equipe dela conseguiu reunir o grupo mais velho já formado para um teste de tratamento de HIV. A idade média deles é de 60 anos, mas alguns já estão na casa dos 80 anos.

Ao longo de nove meses, parte dos participantes recebeu uma pílula diária BIC/LEN, enquanto a outra parcela manteve o tratamento convencional, com a ingestão de múltiplos comprimidos ao longo do dia.

Ambos os tratamentos conseguiram suprimir o vírus em cerca de 96% dos pacientes. Mas a pílula BIC/LEN também melhorou os níveis de colesterol, o que pode ajudar pacientes que também têm risco de desenvolver doenças cardiovasculares na velhice.

HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. O causador da aids ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida

A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a aids

Os medicamentos antirretrovirais (ARV) surgiram na década de 1980 para impedir a multiplicação do HIV no organismo. Esses medicamentos ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico

O uso regular dos ARV é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas

O tratamento é uma combinação de medicamentos que podem variar de acordo com a carga viral, estado geral de saúde da pessoa e atividade profissional, devido aos efeitos colaterais

Em 2021, um novo medicamento para o tratamento de HIV, que combina duas diferentes substâncias em um único comprimido, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

A empresa de biotecnologia Moderna, junto com a organização de investigação científica Iavi, anunciou no início de 2022 a aplicação das primeiras doses de uma vacina experimental contra o HIV em humanos

O ensaio de fase 1 busca analisar se as doses do imunizante, que utilizam RNA mensageiro, podem induzir resposta imunológica das células e orientar o desenvolvimento rápido de anticorpos amplamente neutralizantes (bnAb) contra o vírus

Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças aprovou o primeiro medicamento injetável para prevenir o HIV em grupos de risco, inclusive para pessoas que mantém relações sexuais com indivíduos com o vírus

O Apretude funciona com duas injeções iniciais, administradas com um mês de intervalo. Depois, o tratamento continua com aplicações a cada dois meses

O PrEP HIV é um tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) feito especificamente para prevenir a infecção pelo vírus da Aids com o uso de medicamentos antirretrovirais

Esses medicamentos atuam diretamente no vírus, impedindo a sua replicação e entrada nas células, por isso é um método eficaz para a prevenção da infecção pelo HIV

É importante que, mesmo com a PrEP, a camisinha continue a ser usada nas relações sexuais: o medicamento não previne a gravidez e nem a transmissão de outras doenças sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia e sífilis, por exemplo

Promessa para um grupo cujo tratamento “parou no tempo”

Embora os avanços na medicina voltada ao HIV tenham beneficiado muitas pessoas, aquelas que são mais velhas e vivem há muito tempo com o vírus ficaram sem acesso a tratamentos mais convenientes.

“Trata-se de uma população para a qual o tempo praticamente parou, porque nenhum desses avanços chegou até eles”, comenta Orkin.

Além de não serem tão convenientes, outro problema dos regimes médicos complexos é que um único comprimido esquecido pode comprometer ganhos importantes no tratamento.

Uma rotina de tratamento mais simples pode significar também mais qualidade de vida: usuários da pílula BIC/LEN relataram maior satisfação do que aqueles que seguiam um regime complexo.

Embora o tratamento ainda não esteja disponível e tenha que ser aprovado pelas autoridades regulatórias de saúde, defensores de pacientes com HIV saudaram o estudo como promissor.

“Do ponto de vista do indivíduo, isso simplifica o uso dos medicamentos”, afirma Mitchell Warren, diretor executivo do AVAC, grupo de advocacy em prevenção do HIV, que não participou do estudo.

“É uma oportunidade incrível de facilitar a adesão a medicamentos, para as pessoas manterem a supressão viral. E isso é bom não só para quem vive com HIV – sabemos, com dados dos últimos 15 anos, que pessoas em terapia antirretroviral e com carga viral suprimida não transmitem o vírus a outras pessoas”, acrescentou Warren.

A pílula BIC/LEN está passando por duas avaliações complementares e deve ser submetida às agências reguladoras para aprovação, incluindo a FDA nos Estados Unidos e a Agência Europeia de Medicamentos.

“O medicamento também está sendo testado em comparação com uma terapia de referência para HIV em pessoas que não têm tratamentos complexos, e também mostrou ótimos resultados nesses casos, portanto representa um avanço geral na terapia contra o HIV”, comemora Orkin.

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