Paquistão e Afeganistão trocam ataques após declaração de guerra | G1
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Paquistão e Afeganistão trocam ataques após declaração de guerra | G1

Paquistão divulga imagens de bombardeio a Cabul, capital do Afeganistão

O Paquistão e o Afeganistão trocaram ataques na madrugada desta sexta-feira (27), no horário de Brasília, após o governo paquistanês ter declarado uma "guerra aberta" ao país vizinho.

  • De aliado a inimigo: o que está por trás do conflito entre Paquistão e Afeganistão?
  • O Exército do Paquistão bombardeou diversas cidades afegãs, incluindo a capital Cabul. Em retaliação, o Talibã afirma ter usado drones para bombardear instalações militares paquistanesas na capital Islamabad e em outra regiões do país.

    ➡️ Contexto: o Paquistão, uma potência nuclear, acusa o Talibã de oferecer cobertura a militantes armados que lançam ataques contra seu território, o que o governo do Afeganistão nega.

    Paquistão bombardeia Cabul após declarar 'guerra aberta' contra o Afeganistão

    O ataque do Paquistão:

    • O Exército do Paquistão bombardeou cidades afegãs e compartilhou um vídeo do que afirma ser ataques à capital Cabul.
    • Segundo a agência Reuters, o bombardeio envolveu mísseis disparados por via aérea.
    • Os alvos são escritórios e postos militares do Talibã em Cabul, Kandahar e também na província de Paktia.
    • Kandahar, uma grande cidade localizada no sul do Afeganistão, é considerada o quartel-general do Talibã e é onde fica o líder espiritual supremo do grupo, Haibatullah Akhundzada.

  • O Exército do Paquistão bombardeou cidades afegãs e compartilhou um vídeo do que afirma ser ataques à capital Cabul.
  • Segundo a agência Reuters, o bombardeio envolveu mísseis disparados por via aérea.
  • Os alvos são escritórios e postos militares do Talibã em Cabul, Kandahar e também na província de Paktia.
  • Kandahar, uma grande cidade localizada no sul do Afeganistão, é considerada o quartel-general do Talibã e é onde fica o líder espiritual supremo do grupo, Haibatullah Akhundzada.
  • A retaliação do Afeganistão:

    • O Talibã afirmou ter retaliado lançando bombardeios com drones contra instalações militares paquistanesas em: Islamabad (capital do Paquistão), Nowshera, Jamrud e Abbottabad.

  • O Talibã afirmou ter retaliado lançando bombardeios com drones contra instalações militares paquistanesas em: Islamabad (capital do Paquistão), Nowshera, Jamrud e Abbottabad.
  • Mortos na troca de ataques

    Mortos na troca de ataques

    O Exército do Paquistão atingiu 22 alvos militares afegãos e matou 274 "autoridades e militantes do regime do Talibã" desde a noite de quinta (26), segundo o porta-voz Ahmed Sharif Chaudhry. Ele afirmou também que ao menos 12 soldados paquistaneses foram mortos no conflito.

    O Afeganistão não confirma as mortes.

    Paquistão divulga imagens de bombardeio a Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de fevereiro de 2026. — Foto: Forças Armadas do Paquistão via Reuters

    Declaração de guerra

    Declaração de guerra

    O Paquistão declarou guerra contra o Afeganistão na quinta (26) após ter dito que sua "paciência chegou ao limite". O conflito atual eclodiu após meses de tensão na fronteira e põe fim ao frágil cessar-fogo firmado em outubro entre os dois países.

    Nesta sexta (27), o governo paquistanês afirmou estar pronto para "esmagar" o Talibã, que controla o Afeganistão, disse ainda que "a operação está em andamento" e que qualquer provocação afegã será respondida.

    O governo do Talibã adotou um tom mais contido, apesar da ter retaliado os ataques, e disse querer resolver o novo conflito por meio do diálogo.

    O conflito ocorre após meses de tensões entre os países vizinhos e confrontos na fronteira. Um vídeo feito nesta quinta mostra o que seria o início da nova escalada: uma troca de tiros em uma região fronteiriça. Os embates no local continuaram ao longo da madrugada desta sexta. Soldados de ambos os países utilizam armas e artilharia para alvejar o outro lado. (Leia mais abaixo)

    Paquistão e Afeganistão entram em confronto intenso

    Irã e China tentam mediar tensões

    Irã e China tentam mediar tensões

    Preocupados, Irã e China se apresentaram como possíveis mediadores do conflito.

    O governo do Irã, que compartilha uma fronteira ao leste com Afeganistão e Paquistão - e está, por sua vez, envolvido em negociações para evitar um conflito com os Estados Unidos -, se ofereceu para "facilitar o diálogo".

    As autoridades chinesas pediram aos países que mantenham a calma e atuem com moderação, para "alcançar um cessar‑fogo o mais rápido possível e evitar mais derramamento de sangue".

    Paquistão divulga imagens de bombardeio a Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de fevereiro de 2026. — Foto: Forças Armadas do Paquistão via Reuters

    Aliados históricos em confronto

    Aliados históricos em confronto

    O Paquistão tem sido o aliado mais próximo do Talibã afegão por décadas e ajudou a dar origem ao regime no início dos anos 1990 – como forma de conferir ao país "profundidade estratégica" em sua rivalidade com a Índia.

    No entanto, desde que o Talibã retomou o poder em 2021 - volta que foi saudada pelo então primeiro-ministro paquistanês -, os dois países passaram a enfrentar uma série de tensões.

    A aproximação diplomática do Afeganistão com o governo indiano, que começou com o envio de ajuda humanitária ao país a partir de 2022 e culminou com um encontro e anúncio de parcerias em outubro de 2025, não é vista com bons olhos pelo Paquistão.

    A atuação do grupo terrorista Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), responsável por vários atentados no território paquistanês, também é constante causa de troca de acusações.

    O Paquistão afirma que a liderança do grupo e muitos de seus combatentes estão baseados no Afeganistão, e que insurgentes armados que buscam a independência da província de Baluchistão, no sudoeste do Paquistão, também usam o país como refúgio.

    Cabul nega repetidamente permitir que militantes usem o território afegão para lançar ataques no Paquistão e, por sua vez, acusa o país vizinho de abrigar combatentes de seu inimigo, o Estado Islâmico - o que o governo paquistanês também nega.

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