Fórum dos Leitores
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Energia em São Paulo

‘Só Jesus Cristo’

CEO da Enel diz que ‘só Jesus Cristo’ pode evitar apagão em SP(Estadão, 24/2, A14). Essa fala lembra o prefeito de Aparecida (SP) Zé Louquinho, que em 2007, no seu primeiro mandato, enviou um projeto de lei à Câmara Municipal proibindo as enchentes no município, pressionado que foi pelos vereadores para tomar uma atitude em relação à catástrofe da época. Ficou fácil delegar para o além o que ficou aquém do planejamento urbano.

Adilson Roberto Gonçalves

Campinas

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Hidrovias na Amazônia

Decreto revogado

Lula vai revogar decreto de concessão de hidrovias (Estadão, 24/2, B19). O Brasil optou pelo transporte rodoviário de cargas em detrimento do ferroviário e do hidroviário, muito mais baratos e com maior capacidade de carga. Com um litro de óleo diesel, numa rodovia, por exemplo, é possível transportar 30 toneladas de cargas, volume que chega a 125 toneladas numa ferrovia e a 550 toneladas numa hidrovia. O Programa Nacional de Desestatização previa a dragagem dos Rios Tapajós, Madeira e Tocantins para permitir a passagem de grandes embarcações transportando produtos do agronegócio para exportação, proporcionando maior rapidez, maior volume de cargas e diminuindo a quantidade de caminhões nas rodovias do País. Uma iniciativa louvável do atual governo, mas os povos indígenas se sentiram prejudicados, alegam que não foram consultados e que os rios seriam privatizados. Invadiram portos e sedes de empresas exportadoras e o governo, pressionado, decidiu revogar o Decreto n.º 12.600. Em ano eleitoral, vale tudo, inclusive prejudicar o setor mais rentável da economia brasileira.

José A. Muller

Avaré

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STF

Exaustão

O assunto número um na imprensa nacional é a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), uma instituição que nasceu para garantir o cumprimento da Constituição federal, mas vive burlando-a. Até quando isso ocorrerá? Quem poderá freá-los? A população de bem está muito cansada disso tudo.

Walter Fonseca Neto

Paulínia

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Geopolítica

O Brasil preparado

No artigo O impossível se tornou apenas improvável (Estadão, 23/2, A4), o autor acerta na forma e no conteúdo quando confirma o provérbio latino si vis pacem, para bellum. Os exemplos da guerra atual da Rússia contra a Ucrânia e da incursão dos EUA em Caracas ilustram a situação. Yuval Noah Harari, historiador autor do best-seller Sapiens, afirmou que a humanidade deveria ser grata à existência das armas nucleares, já que elas evitariam a eclosão de novas guerras. Parece que ele se enganou, afinal a Rússia já ameaça fazer uso de explosões nucleares pontuais. Se o Brasil estivesse mais atento e se fosse possível carrear os bilhões de reais do Fundo Eleitoral e das emendas parlamentares para o aparelhamento das Forças Armadas, talvez tivéssemos maior capacidade de dissuasão.

Raul Mario Ribeiro

Curitiba

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Agir com responsabilidade

O artigo O impossível se tornou apenas improvável está centrado na ideia da necessidade de reação do Brasil diante dos atuais movimentos geopolíticos globais. É certo que, muitas vezes, a realidade se impõe e é necessário estar preparado para as adversidades, de modo que não é absurda a ideia de que o País precisa se alinhar à nova ordem mundial. Mas não podemos esquecer que a adoção de uma atitude defensiva e armamentista tem o potencial de desencadear um ciclo nefasto, que não contribui com o projeto de pacificação que o mundo deveria buscar. Quando um país aumenta seu poderio bélico, é bem provável que um movimento similar seja adotado por um vizinho ou oponente. Isso tem potencial de transformar uma situação contida, que tinha condições de ser resolvida ou ao menos permanecer inerte, em algo irrefreável, em que a força do diálogo e da diplomacia já não tem mais eficácia. Portanto, a preparação estratégica (bélica) do Brasil para enfrentar as atuais mudanças globais envolve proteção e segurança, de um lado, mas também o fortalecimento das bases para uma guerra, de outro. É uma faca de dois gumes. Temos de tomar cuidado com os próximos passos que daremos. O Brasil é um ator importante no palco mundial. O caldeirão com os ingredientes está pronto. Ajudaremos a acender a fogueira?

Bruno Moschini

Valinhos

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

JORNADA DE TRABALHO

É curioso como certas propostas ganham urgência retórica antes das eleições e, logo depois, tornam-se “complexas”, “técnicas” e merecedoras de mais estudos. A redução da jornada 6x1 é apresentada como avanço social inadiável. No entanto, fala-se nos bastidores em empurrar a decisão para depois do pleito. Se é tão essencial ao trabalhador, por que esperar? Se envolve riscos econômicos, por que vendê-la como solução simples? Entre o discurso e a responsabilidade existe o calendário. E o calendário eleitoral costuma ser mais decisivo que qualquer estudo técnico. Promessas são anunciadas no tempo do voto. As consequências, no tempo da realidade. Quando política pública vira instrumento de campanha, a sociedade precisa redobrar a atenção. Direitos trabalhistas não podem ser slogan; exigem planejamento, produtividade e responsabilidade. Caso contrário, a medida nasce popular – e amadurece problemática.

Luciana Lins

Campinas

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SENSIBILIDADE

Os empregados, juntamente com o demiurgo de Garanhuns, lutam para acabar com a jornada 6x1 e implantar a jornada 5x2. Na verdade, o Congresso Nacional irá decidir essa questão com muita sensibilidade como lhe é peculiar. Vai se espelhar na sua própria jornada e, certamente, o Colegiado irá resolver por uma jornada – mesmo que estafante – ou seja, de 3x4. E não é tamanho de foto, mas sim “três tentativas de trabalho e quatro de descanso merecido”, pois ninguém é de ferro. Com esse entendimento, reduzirão custos e proporcionarão mais produtividade, como acontece com eles próprios. Só que não. Quem viver verá!

Júlio R. A. Brisola

São Paulo

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MODERADO

O senador Flávio Bolsonaro, já em campanha visando as eleições de outubro, tenta adotar uma postura mais moderada para convencer o eleitor de centro. Fez postagens favoráveis ao carnaval, ao antirracismo e à comunidade LGBT+. Fez até elogios à equipe de cientistas responsável pela pesquisa com polilaminina. Pessoas podem mudar sim ao longo do tempo, mas a imagem “Flavinho paz e amor” que o senador está procurando construir, neste momento, não convence. Pois nem seu passado, tampouco o DNA, o favorecem. As denúncias de rachadinhas envolvendo seu ex-assessor Fabrício Queiroz, ao tempo em que era deputado estadual no Rio de Janeiro, e um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma loja de chocolates só não foram adiante por tecnicalidades jurídicas. Seu pai, Jair Bolsonaro, negou e debochou das vacinas em plena pandemia e arquitetou um golpe militar para se manter no poder. Políticos mentem em ano de eleições. Certos políticos mentem mais.

Luciano Harary

São Paulo

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POBRE PAÍS

Pobre País que precisa impor aos seus ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) normas de conduta como se eles fossem apedeutas. Pobre País que o ministro insiste em permanecer como relator de processo no qual tem interesse. Pobre País que precisa pedir ao ministro se afastar de processo do qual é relator e interessado. Pobre País em que todos os ministros do STF elogiam o ministro relator sob o argumento que não há impedimento ou suspeição na sua relatoria e, a contrassenso, o convencem a deixar o cargo de relator. Pobre País que o ministro impedido e suspeito, sai da relatoria do indigitado processo, que não queria sair, sem se declarar impedido ou suspeito e sem especificar o motivo da sua saída. Pobre País que um ministro do STF é citado em relatório da Policia Federal, que o compromete na atuação de processo do qual é relator, alegando a existência de indícios de crimes na conduta do ministro. Pobre País que todos ministros, inobstante o quanto apurado pela Policia Federal, assinam nota afirmando não haver impedimento legal do ministro relator no comando do processo.

Alpoim da Silva Botelho

São Paulo

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MORALIZAÇÃO

Gilmar vê ‘desordem’ e ‘audácia’ em penduricalhos de juízes e proíbe fura-teto em todos os tribunais(Estadão, 23/02). Gilmar não vê “desordem” e “audácia” em gastos com mordomias para ele e seus pares, para o casal presidencial e toda classe política? Dinheiro é dinheiro, do contribuinte, e gastá-lo irresponsavelmente em penduricalhos ou em mordomias, a “desordem” e a “audácia” são as mesmas. A moralização dos gastos públicos deveria começar pelo Supremo e todos os políticos em geral.

Maurílio Polizello Junior

Ribeirão Preto

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FORA DA CURVA

O lançamento de um livro pelo Instituto de Advogados de São Paulo (Iasp), vale a pena enfatizar, um livro, para apontar “disfunções” na atuação da Suprema Corte nos últimos 15 anos, mostra que algo muito fora da curva vem acontecendo por lá. Espero que o ministro Flávio Dino, o comunista infiltrado, não diga que o livro é um “lixo”, como ele afirmou sobre o relatório da Polícia Federal colocando em suspeição as atitudes de outro ministro, Dias Toffoli, no caso Master.

Luiz Gonzaga Tressoldi Saraiva

Salvador

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IMPUNIDADE

Com tudo que de pior foi feito no escândalo do Banco Master por Daniel Vorcaro, parece ser necessário pedir por favor para que ele compareça a prestar depoimento. E ele é quem decide. Depois não sabem por que o Brasil é o País da impunidade.

Luiz Frid

São Paulo

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RENOVAÇÃO

Temos visto o quanto parte do Congresso e do Senado brasileiros têm atuado para impedir o crescimento do Brasil e a diminuição das contas públicas. Simplesmente uma aberração atuarem em benefício próprio, aumentando impostos, criando burocracias desnecessárias e elevando o fundo partidário. Precisamos reverter esse quadro não reelegendo em outubro nenhum desses políticos de carreira que aparecem em escândalos e depois aparecem em helicópteros, abraçando prefeitos e vereadores e pedindo votos. Ou renovamos nossos votos em outubro ou tudo continuará ainda pior.

Daniel Marques

Minas Gerais

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BLOQUINHO

O carnaval acabou. O único bloco que continua em plena festa é o Bloco dos Penduricalhos. É só alegria o ano todo.

Roberto Solano

Rio de Janeiro

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MEDICADOS

Ao ler as noticias diárias sobre os Três Poderes (deles) no Brasil, recomenda-se ter às mãos remédios para evitar infartos, pressão alta, vômitos e depressão. E aumentar as doses nos casos que envolvam desvios de bilhões de reais.

Carlos Gaspar

São Paulo

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ESPETÁCULO DE DESCOMPASSO

Oswaldo Jesus Motta

Rio de Janeiro

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RISCO

O juiz que absolveu o homem de 35 anos acusado de estuprar uma garota de 12 anos corre o sério risco de ser aposentado com salário integral e, provavelmente, todos os penduricalhos. Temos que mudar esse País hediondo.

Aldo Bertolucci

São Paulo

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MILAGRE

Quando o CEO do grupo Enel, Flávio Cattaneo, afirma que “só Jesus Cristo pode evitar apagão em SP” é porque já entregou os pontos e não tem como justificar os prolongados apagões. Quando a Enel, em junho de 2018, assumiu a Eletropaulo no serviço de distribuição de energia elétrica em São Paulo, a maioria das árvores da cidade já deveriam existir e isso não foi impedimento para assumir a empresa. Não sei como é calculado a Recuperação da Qualidade dos Serviços, sendo que de acordo com números apresentados o Tempo Médio de Atendimento (MTA) caiu de 823 minutos em 2023 para 434 minutos no ano passado, como pode haver melhora nesse índice se a duração entre a chamada do cliente por falta de energia até o retorno da energia pode ser contada em dias, em alguns casos, semanas, e não em horas ou minutos. E o índice melhora? Será que como no arcabouço fiscal, tem falta de energia que não entra no cálculo do índice?

Vital Romaneli Penha

Jacareí SP

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FORTALECIDOS

As manifestações contra a destruição dos rios amazônicos surtiu efeito e o decreto de concessão de hidrovias foi revogado. Os rios Madeira, Tocantins e Tapajós não serão dragados. O Brasil precisa se manifestar com mais frequência: os estudos de impacto ambiental devem ser obrigatórios, sempre. Não houve estudo de impacto ambiental autorizando a construção de uma infinidade de pequenas barragens no Pantanal e não houve estudo de impacto ambiental para autorizar a erradicação de até 80% da vegetação do Cerrado. Os órgãos que realizam esses estudos devem ser fortalecidos, devem receber mais recursos para poderem realizar os trabalhos com mais agilidade. A burocracia e estudos de impacto ambiental sem prazo de conclusão abriram as portas para que legisladores contornassem esses estudos. As consequências de abandonar os estudos de impacto ambiental são sempre catastróficas.

Mário Barilá Filho

São Paulo

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BANDOLEIROS

O México é um país com governos paralelos dos Cartéis de Drogas. O Cartel de Sinaloa que corrompe com dinheiro e o Cartel de Jalisco Nova Geração que mata quem atrapalhar seus negócios. O México de Villa e Zapata permanece como sempre foi. Um país de bandoleiros.

Paulo Sergio Arisi

Salvador