Desta vez, o evento será produzido pela Bonus Track, responsável pela organização dos shows gratuitos de Madonna e Lady Gaga nos dois últimos anos, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, além do festival Doce Maravilha, também no Rio, e turnês de Criolo e Capital Inicial. Recentemente, eles ainda trouxeram ao país artistas como Ben Harper, Donavon Frankenreiter e CA7RIEL & Paco Amoroso.
A estreia do Primavera Sound não só no Brasil, mas na América Latina ocorreu em 2022, com edições em Santiago, no Chile, e Buenos Aires, na Argentina, além de São Paulo, no Distrito Anhembi.
Em entrevista ao jornal O Globo, no começo deste ano, Luiz Guilherme Niemeyer, da Bonus Track, afirmou que o line-up de 2026 do Primavera Sound São Paulo deve ser anunciado entre março e abril. Porém, eles não têm uma tarefa fácil pela frente, já que vários artistas com potencial para fazer parte do cartaz já passaram pelo Brasil há pouco tempo ou ainda vêm em outros eventos.
Blood Orange, TV Girl, Men I Trust, Addison Rae, Skrillex, Amaarae e Viagra Boys, por exemplo, tocarão no Lollapalooza, em março. Já o The xx é headliner do C6 Fest, em maio. Doja Cat e Massive Attack fizeram apresentações solo em São Paulo há poucas semanas e Mac DeMarco faz extensa turnê pelo Brasil a partir de abril, promovida pela Balaclava.
Pensando nisso, nós, da Rádio Eldorado, resolvemos compartilhar por aqui quais artistas gostaríamos de ver no palco do Primavera Sound São Paulo 2026.
Confira abaixo os nomes citados por algumas pessoas da nossa equipe:
Laís Gottardo (produtora)
Seria legal poder assistir ao show do “West End Girl”, da Lily Allen, para ser parte daquela egrégora de traídos que estaria cantando, empoderada, as letras desse trabalho, no qual Lily detalha, graficamente, os feitos do ex-marido. Outro show dos sonhos seria do Free Nationals, “banda de apoio” - que pecado essa descrição! - do Anderson .Paak, tocando na íntegra seu álbum de 2019, com, pelo menos, duas das vozes que cantam as faixas (tipo o próprio .Paak e o jamaicano Chronixx). E seria histórico também poder ver o Instituto - um dos “não-grupos” mais importantes da cena brasileira contemporânea - tocando na íntegra o álbum “Violar”, de 2015, contando com os diversos artistas que já passaram pelo coletivo e os que performam neste trabalho, como Daniel Ganjaman, Otto, Nação Zumbi, Tulipa Ruiz e Criolo.
Felipe Tellis (apresentador)
Nada faz mais sentido do que trazer ROSALÍA como headliner do Primavera Sound São Paulo 2026, já que ela é de Barcelona, assim como o festival, e só passará pelo Rio de Janeiro em seu retorno ao Brasil, em agosto. Além dela, gostaria de ver também o Tame Impala mais uma vez, apesar do disco mais recente não atender as expectativas; o “Currents”, porém, maior sucesso do projeto de Kevin Parker, completa dez anos neste ano. Outros ótimos nomes seriam Daniel Caesar, que fez uma baita apresentação no C6 Fest em 2024 e lançou disco novo no ano passado; Tom Misch, outro que promoveu uma noite mágica em São Paulo, no Mita, em 2022, e prometeu pelo menos dois discos para 2026; John Mayer, que não aparece por aqui desde 2019 e andou fazendo shows solo pelos Estados Unidos recentemente; e Frank Ocean, sonhando bem alto e também sabendo que, na verdade, ele está hibernando mais uma vez. Ainda escalaria Khruangbin, Alabama Shakes, Feng Suave, MARO, Olivia Dean, Fred again.., Air, Peter Cat Recording Co., SAULT e mais.
Emanuel Bomfim (diretor e apresentador)
Se eu tivesse o poder de trazer quem eu quisesse, traria só mulheres. Só cantoras que hoje fazem um trabalho muito acima da média. São elas: 1) Jessie Ware: fez o melhor show do primeiro Primavera, está com disco novo chegando e merece mais tempo no palco. 2) Cleo Sol: é a cantora mais visceral hoje do pop. E ainda tem a turma do SAULT que poderia vir na bagagem. 3) Olivia Dean: maior sensação da música britânica hoje, com um disco recente impecável e ainda não fez show grande por aqui. Merece! 4) Jamila Woods: do R&B americano, é a cantora e autora mais versátil hoje - jazz, soul, rap, eletrônica. Com muito refinamento e uma super presença de palco! Ouça ela aqui no North Sea Jazz só para sentir a vibe. 5) Lily Allen: é a responsável por um dos grandes discos de 2025, além de carregar um legado inestimável na definição do que seria a cena pop deste século. Bônus: Como todo festival cabe um revival em grande estilo, só para não ficar nas minas, eu apostaria num show (como headliner) do Tears For Fears. Banda que não ficou parada no tempo e possui verdadeiros clássicos em seu repertório. O que não é pouco. Quando vieram ao Rock in Rio, em 2017, fizeram o melhor show daquela edição do festival.
Felipe de Paula e Juliana Mezzaroba (programadores musicais)
Juliana | Carwyn Ellis & Rio 18: Lançou um disco no ano passado e já lançou outro disco no início deste ano. Nunca vieram ao Brasil e têm diversos músicos brasileiros, o que facilita a logística. / Young Gun Silver Fox: Outra banda que lançou disco no ano passado e que nunca fez show no Brasil. Andy Patts está cantando muito e o show deve ser incrível. / Olivia Dean: Tocamos essa moça desde o primeiro single, de 2022, e agora, com o lançamento do segundo álbum, ela está no auge. É super carismática e já se declarou fã do Brasil, então não tem motivo para não vir fazer um show aqui. / HAIM: O show das três irmãs é cheio de energia e bom som. Lançaram disco no ano passado e acho que merecia uma visita ao Brasil. / Tom Misch: Faz tempo que não pisa em terras brasileiras, mas tem estreitado seus laços com o país, tanto que fez parceria com Marcos Valle, que, inclusive, vai fazer parte do novo disco dele que chega em abril.
Sérgio Martins (colunista)