Entrevista | Galvão Bueno revela qual será sua última Copa e adverte: ‘Não precisa de palavrão para ser moderno’
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Entrevista | Galvão Bueno revela qual será sua última Copa e adverte: ‘Não precisa de palavrão para ser moderno’

Empolgado por trabalhar na emissora do ‘maior comunicador que o Brasil já teve’, Silvio Santos, Galvão projeta a transmissão da Copa do Mundo no SBT e disse que a edição de 2026 deve ser sua última como narrador. Em entrevista concedida ao Estadão, o locutor de 75 anos, ainda falou sobre como vê o futuro de Neymar na seleção brasileira, criticou misturar política com futebol e avaliou os novos formatos e estilos de transmissão esportiva que se propagam no Brasil.

Não. Absolutamente não. Uma Copa do Mundo com 48 seleções tem algumas muito fracas. Se tornou em business em excesso. O mesmo se o Mundial de Clubes fizer o mesmo caminho. A CBF, com a política, pode ter estado mais envolvida, mas não acho (que futebol e política devem se misturar). São coisas completamente distintas.

Sobre política, eu não falo, apesar das minhas posições e convicções. Eu sei que influencio muita gente, por isso não tenho o direito de me manifestar. Além do que, tem uma frase que eu criei, que define muito bem isso: ‘falo para um País inteiro, independentemente de raça, credo, cor, ideologias e de preferências pessoais. Não dá para misturar futebol com política.

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Narrador explica os motivos que o fazem ficar distante de opiniões políticas e avalia recentes movimentações da Fifa e da CBF. Crédito: Marcos Antomil/Estadão

Tem muita gente boa. Só acho que gritam demais. Isso me incomoda um pouco. Não precisa berrar tanto. Há momentos certos de gritar. É como eu faço, Luciano do Valle fazia. Trabalhei com Cleber Machado e Luís Roberto, dois grandes narradores (hoje na Record e na Globo, respectivamente).

Além de ‘vendedor de emoções’, digo que sou um equilibrista. Trabalho no fio da navalha. De um lado estão as emoções, mas do outro lado há a realidade dos fatos. Esse é o caminho. Você já viu algum equilibrista nunca cair? Imagina quantas vezes já cai... E quando cai, pede desculpas e segue em frente.

Narrador do SBT e do Prime Video se diz um 'vendedor de emoções'. Crédito: Marcos Antomil/Estadão

Alguma participação na contratação pode ter havido. Falei ao Ednaldo que ele deveria ter um técnico engatilhado e nomeá-lo assim que o Brasil fosse eliminado da Copa ou depois que ganhasse o título, dada a saída do Tite. Ele disse que teria de esperar um pouco e me perguntou quem deveria ser o novo técnico.

Fiz uma pergunta: ‘Você quer um técnico brasileiro ou atenderá os pedidos por um estrangeiro?’. Ele me disse que queria trazer um estrangeiro, então disse que só havia um: Carlo Ancelotti.

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Narrador conta ocasião em que apontou o italiano como o melhor nome para dirigir a seleção brasileira. Crédito: Marcos Antomil/Estadão

Em 2010, as pessoas não entenderam. Já havia um acordo com a Globo para parar as narrações após a Copa de 2014, no Brasil, que seria um grande momento. A gente tinha feito um acerto que provavelmente o Tiago Leifert entraria no meu lugar e hoje estamos juntos no SBT.

Pedi a palavra para agradecer as 10 Copas do Mundo (somadas até 2010) e dizia que aquela seria minha última Copa narrando fora do Brasil. Depois, a Globo e eu chegamos a conclusão para seguir até a Rússia. Foi ótima, o Arnaldo parou, o Casagrande fez um lindo discurso. Choramos os dois. E fizemos um acordo para seguir até 2022. Mas no Catar disse que estaria me despedindo da narração em TV aberta. Até continuo fazendo transmissão no streaming. Mas acabei voltando para a aberta, com o SBT.

O desafio e o prazer são muito bonitos. Trabalhar na emissora do Silvio Santos. Estão me tratando muito bem. É um ambiente diferente e que vale a pena. Não sei o que vou falar depois, mas provavelmente será minha última Copa.

Só há uma pessoa que pode decidir isso: ele mesmo. Quem pode convocar o Neymar é o Neymar. O Ronaldo Fenômeno disse no ano passado que já falou com Neymar que um ano antes da Copa a gente só faz três coisas: treina, come e dorme. A resposta está aí.

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Para o narrador do SBT e do Prime Video, decisão passa pela própria vontade do craque em defender a seleção no Mundial. Crédito: Marcos Antomil/Estadão

É a evolução da TV, a mudança do público. Há quem queira uma transmissão mais séria, outros mais leve, mais gritada, outros querem palavrão... Palavrão eu não falo! Sou contra, absolutamente. Não precisa de palavrão para ser moderno, mas cada um faz o que quer. É uma evolução natural do mundo.

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