O Irã rebateu nesta quarta-feira, 25, as “grandes mentiras” americanas, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusar Teerã de desenvolver mísseis capazes de alcançar o território americano e de manter “sinistras ambições nucleares”.
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Antes da retomada, na quinta-feira, 26, de um novo ciclo de negociações em Genebra, com mediação de Omã, Trump afirmou que dará prioridade à via diplomática, enquanto a República Islâmica avalia que um acordo está “ao alcance da mão”.
Washington intensificou as ameaças de ataque caso um acordo não seja alcançado e enviou um grande dispositivo militar à região do Golfo, incluindo porta-aviões.
“O que estão alegando a respeito do programa nuclear iraniano, dos mísseis balísticos do Irã e do número de mortos durante os distúrbios de janeiro é simplesmente a repetição de ‘grandes mentiras’”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, em publicação no X. A declaração faz referência também à onda de protestos no país asiático que culminou em repressão violenta por parte das autoridades.
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Na noite de terça-feira, 24, Trump afirmou, durante o discurso do Estado da União, que Teerã já “desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa” e bases americanas no exterior. Ele também acusou o país de trabalhar para “construir mísseis que em breve alcançarão os EUA.
“Eles seguem adiante com suas sinistras ambições nucleares”, afirmou o republicano, que tenta alcançar um acordo que impeça o Irã de desenvolver armas atômicas.
“Minha preferência é resolver este problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o principal patrocinador do terrorismo no mundo, que é, de longe, o Irã, tenha uma arma nuclear”, reiterou Trump diante do Congresso americano. “Eles querem chegar a um acordo, mas não ouvimos as palavras-chave: ‘Nunca teremos uma arma nuclear’”, acrescentou.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbass Araghchi, declarou na terça-feira que o país está “determinado a alcançar um acordo justo e equitativo, o mais rápido possível”. “Temos uma oportunidade histórica de alcançar um acordo sem precedentes que aborde as preocupações de ambas as partes e os interesses mútuos”, escreveu Araghchi em publicação no X. Segundo o ministro, um entendimento está “ao alcance da mão, mas somente se a diplomacia for priorizada”.
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Negociações e acusações
Teerã nega ter ambições nucleares militares, mas afirma ter direito ao uso civil da energia nuclear com base no Tratado de Não Proliferação (TNP), do qual é signatário.
Irã e EUA, que retomaram o diálogo em 6 de fevereiro, em Omã, realizaram cinco rodadas de negociações nucleares no ano passado. Os encontros, no entanto, foram interrompidos pela guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense, período em que Washington bombardeou instalações nucleares iranianas.
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Trump também acusou as autoridades iranianas de matar 32 mil pessoas durante a repressão à onda de protestos no país do Oriente Médio, que atingiu seu auge nos dias 8 e 9 de janeiro. O governo iraniano reconhece mais de 3 mil mortos, mas atribui a violência a “atos terroristas” orquestrados pelos EUA e por Israel.
A organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos EUA, estima que mais de 7 mil pessoas tenham morrido na repressão, embora alerte que o número real pode ser significativamente maior.
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Desde o reinício das aulas, no sábado, 21, estudantes universitários voltaram a protestar em Teerã contra o governo. A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, reconheceu na terça-feira que eles têm “direito à manifestação”, mas alertou que não devem ultrapassar certos “limites”.
Vídeos publicados nas redes sociais e verificados pela Agence France-Presse mostram estudantes queimando a bandeira da República Islâmica e entoando palavras de ordem, como “morte ao ditador”, em referência ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Segundo um morador de Teerã ouvido por um jornalista da Agence France-Presse que está fora do país, os protestos se concentram nas principais universidades da capital. / COM AFP