O carnaval de rua de São Paulo de 2026, salvo um ou outro episódio de desorganização, foi um sucesso. Pode-se dizer que o gigantismo da folia paulistana alcançou um ponto de não retorno, a ocupação das ruas durante esses dias veio para ficar e a festa parece ter entrado de vez para o calendário dos grandes eventos turísticos da cidade, como a Fórmula 1 e a Parada do Orgulho LGBT+.
Pela primeira vez, ressalte-se, a infraestrutura do carnaval de rua paulistano não contou com dinheiro público. O evento foi totalmente bancado com recursos da iniciativa privada, o que prova que se trata de um ótimo negócio.
É claro que houve os queixosos, principalmente os blocos de carnaval que esperavam mais ajuda da Prefeitura – leia-se, dinheiro público – para custear a sua folia. Poucos dias antes de o carnaval começar, o prefeito Ricardo Nunes deu seu recado: São Paulo é empreendedora, e aos blocos acostumados com o financiamento estatal só restaria ir à luta por patrocínio.
Esse desmame promovido pela gestão Nunes não frustrou a festa – pelo contrário. Nunca tantos blocos desfilaram em São Paulo como em 2026. Foram mais de 600 grupos de foliões espalhados por todas as regiões da metrópole, com os mais variados estilos musicais, como axé, pagode, sertanejo, pop e música eletrônica.
Após sustos no pré-carnaval, principalmente na região do Parque Ibirapuera, na zona sul, por causa da superlotação, o esquema de segurança foi ajustado. Houve controle de acesso do público e revistas realizadas por seguranças contratados, com a supervisão da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e da Polícia Militar (PM), sem nenhum incidente grave.
Aliás, o efetivo da GCM foi reforçado em 20% em relação a 2025, e foram mais de 7,2 mil agentes municipais e PMs nas ruas neste ano, além do apoio de 482 câmeras do programa Smart Sampa e de 23 drones. Com mais policiais, alguns dos quais fantasiados para enganar os bandidos infiltrados na multidão e prendê-los em flagrante, o índice de furtos e roubos de celulares caiu 16% em São Paulo, passando de 2.506 ocorrências, no ano passado, para 2.088, neste ano.
Tal esquema de guerra permitiu a realização de um evento de dimensões superlativas, com os blocos gigantes e os pequenos desfilando em relativa paz. Ademais, de um modo geral, as intervenções na rotina da cidade, com o fechamento de ruas e avenidas, foram em sua maioria toleráveis, graças à rígida fiscalização da Prefeitura em relação aos horários dos cortejos.
É preciso reconhecer: a organização do carnaval melhorou muito em São Paulo nos últimos anos, deixando de ser um momento de anarquia, sujeira e conflito social para se tornar um chamariz para turistas do Brasil e do exterior. Com isso, ganham todos.