Carol Castro revela ter fibromialgia; conheça a doença
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Carol Castro revela ter fibromialgia; conheça a doença

A atriz Carol Castro, conhecida por ter atuado em novelas como “Amor à Vida” e “Mulheres Apaixonadas”, revelou nesta quinta-feira, 26, como foi receber o diagnóstico de fibromialgia, uma síndrome crônica que causa dor generalizada no corpo, acompanhada de fadiga, distúrbios do sono e alterações de memória e humor.

Em participação no programa Encontro, da TV Globo, Carol ressaltou que a identificação do quadro costuma ser complexa, porque se trata de uma condição “de exclusão”. Ou seja, não existe um exame específico capaz de confirmá-la.

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O diagnóstico é feito a partir de avaliação clínica, com base no histórico do paciente e na exclusão de outras doenças reumáticas, endócrinas e metabólicas. Por isso, antes de chegar ao diagnóstico, a atriz chegou a suspeitar que os sintomas pudessem estar ligados a uma sinusite ou aos efeitos de uma disfunção temporomandibular (DTM), quadros com os quais ela já convivia.

A reumatologista Claudia Goldenstein Schainberg, do Hospital Sírio-Libanês, destaca que, muitas vezes, ao não encontrarem alterações nos exames, os primeiros médicos procurados podem acabar não acreditando na queixa e interpretá-la como exagero ou como algo sem causa definida. Isso, segundo ela, contribui para o atraso no diagnóstico.

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“É muito importante que, diante da suspeita desse tipo de condição, seja feito o encaminhamento para um especialista, como o reumatologista, ou que o paciente procure diretamente esse profissional. O reumatologista é o médico capacitado para diagnosticar e tratar a fibromialgia”, orienta.

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    O que é a fibromialgia?

    De acordo com Claudia, a fibromialgia é uma doença caracterizada por dores difusas pelo corpo, geralmente acompanhadas de alterações no sono, cansaço intenso e fadiga persistente. Também podem ocorrer alterações cognitivas, chamadas de névoa mental, além de sintomas emocionais, como ansiedade e depressão.

    “Ela não é uma doença inflamatória nem autoimune. Trata-se de uma alteração em que o sistema nervoso central passa a perceber e processar o sintoma da dor de forma diferente. O que ocorre é uma sensibilização central, com aumento da sensibilidade dolorosa. A pessoa passa a sentir que tudo dói e incomoda, e apresenta várias dessas alterações associadas”, detalha.

    Outros sintomas podem incluir dores de cabeça, cólicas abdominais, alterações de memória, hipersensibilidade ao toque e à dor, além de cansaço intenso e formigamentos.

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    O que causa o quadro?

    Segundo Roberto Heymann, reumatologista do Einstein Hospital Israelita, ainda não se sabe exatamente a causa da doença. Existem várias teorias. Uma delas indica uma predisposição genética que pode ser desencadeada por um gatilho. “Pode ser um trauma físico, emocional ou uma infecção”, exemplifica.

    “O que a gente sabe é que o paciente sente mais dor do que a população normal. Ou seja, se a gente beliscar alguém com o quadro e alguém sem, na mesma intensidade, a pessoa com fibromialgia vai sentir mais dor. São várias alterações no sistema nervoso central que fazem com que a transmissão da dor para o cérebro seja mais intensa e a inibição seja falha”, pontua.

    Como é o tratamento?

    Heymann também destaca que a doença não tem um cura conhecida. “A principal abordagem no tratamento envolve exercício físico, que é extremamente importante. Sem isso, o paciente não está sendo tratado. As melhores modalidades são musculação e atividades aeróbicas. Fazer as duas em conjunto é ainda melhor.”

    Investir no exercício foi justamente a estratégia adotada pela atriz, que também toma medicamentos para aliviar as dores. “Meu compromisso comigo mesma é seguir essa rotina de exercício o máximo que eu conseguir. Não é fácil, mas estou fazendo o possível! Cada dia é um novo dia e uma superação ainda maior”, escreveu no Instagram.

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    Claudia também afirma que, eventualmente, são utilizadas medicações que atuam no sistema nervoso central, com o objetivo de modular essa resposta e reduzir a hipersensibilidade à dor.

    “Além da atividade física, a terapia comportamental e a psicoterapia podem ajudar, assim como a melhora da qualidade do sono. Todos esses fatores contribuem para o controle dos sintomas e, quando necessário, os medicamentos de ação central auxiliam na redução da sensibilidade aumentada”, ressalta a reumatologista.