A renovada violência entre os vizinhos decorre das acusações do Paquistão de que o governo taleban do Afeganistão tem oferecido abrigo a um grupo militante. Crédito: AP, AFP e Estadão
Gerando resumo
O ministro da Defesa do Paquistão declarou uma “guerra aberta” ao governo Talebando Afeganistão nesta quinta-feira, 26, já sexta-feira, 27, no horário local, após um série de ataques letais entre ambos os lados. “Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é uma guerra aberta entre nós e vocês”, escreveu o ministro Khawaja Asif na rede social X.
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O Paquistão realizou ataques aéreos em Cabul e em outras duas províncias afegãs na madrugada de sexta-feira, informou o porta-voz do governo do Afeganistão. Horas antes, o Afeganistão havia lançado um ataque transfronteiriço contra o Paquistão, na mais recente escalada de violência entre os vizinhos, o que torna cada vez mais frágil um cessar-fogo mediado pelo Catar.
Pelo menos três explosões foram ouvidas em Cabul, mas não havia informações imediatas sobre os locais exatos dos bombardeios na capital afegã nem sobre possíveis vítimas. O porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, afirmou que o Paquistão também realizou ataques aéreos em Kandahar, no sul, e na província sudeste de Paktia.
O Afeganistão disse que suas forças militares lançaram o ataque através da fronteira com o Paquistão na noite de quinta-feira, em retaliação aos bombardeios paquistaneses contra áreas de fronteira afegãs no domingo, 22, que deixaram mortos. O Afeganistão também alegou ter capturado mais de uma dúzia de postos do exército do Paquistão.
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O governo paquistanês, que havia descrito os ataques de domingo como uma ofensiva contra militantes abrigados na região, classificou o ataque afegão de quinta-feira como não provocado e rejeitou as alegações de que postos militares tenham sido capturados.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu para que ambos os lados protejam civis conforme exigido pelo direito internacional e continuem “buscando resolver quaisquer divergências por meio da diplomacia”, disse o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric.
Ataques afegãos foram retaliatórios
“Em resposta às repetidas rebeliões e insurreições das forças militares do Paquistão, operações ofensivas em larga escala foram lançadas contra bases e instalações militares paquistanesas ao longo da Linha Durand”, afirmou o porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, em uma publicação na rede X.
O Ministério da Defesa do Afeganistão informou que os ataques retaliatórios ocorreram ao longo da fronteira em seis províncias. A fronteira entre os dois países tem 2.611 quilômetros de extensão e é conhecida como Linha Durand, que o Afeganistão não reconhece formalmente.
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Números divergentes de vítimas
Os dois lados apresentaram números bastante diferentes de vítimas. O Ministério da Defesa do Afeganistão afirmou que 55 soldados paquistaneses foram mortos, incluindo alguns cujos corpos teriam sido levados para o Afeganistão, enquanto “vários outros foram capturados com vida”. Segundo o ministério, as próprias baixas foram de oito mortos e 11 feridos.
A pasta disse ainda ter destruído 19 postos do exército paquistanês e duas bases, acrescentando que os confrontos terminaram à meia-noite, cerca de quatro horas após o início do ataque.
Já o ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, declarou que o número de soldados paquistaneses mortos é de dois, com outros três feridos. Ele afirmou que 36 combatentes afegãos teriam sido mortos. Em publicação na rede X, ele disse que o Paquistão estava dando uma “resposta forte e eficaz” ao que chamou de disparos não provocados vindos do Afeganistão.
Mosharraf Ali Zaidi, porta-voz do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, negou que qualquer soldado paquistanês tenha sido capturado.
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Campo de refugiados atingido
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Ambos os lados também relataram trocas de tiros na área de fronteira de Torkham. Autoridades afegãs estavam retirando pessoas de um campo de refugiados próximo à passagem de fronteira de Torkham após o registro de feridos, informou Qureshi Badlon, chefe do Conselho de Informação e Conscientização Pública de Torkham.
O Ministério da Defesa disse que 13 civis ficaram feridos em um ataque com míssil contra o campo, incluindo mulheres e crianças.
Do lado paquistanês da fronteira, a polícia local informou que moradores também estavam deixando suas casas em direção a áreas mais seguras, enquanto alguns refugiados afegãos que aguardavam para cruzar de volta ao Afeganistão foram transferidos para locais protegidos.
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O Paquistão iniciou uma ampla repressão contra migrantes em outubro de 2023 e expulsou centenas de milhares de pessoas. A polícia paquistanesa afirmou que morteiros disparados a partir do Afeganistão atingiram vilarejos próximos, mas não houve relatos de vítimas civis.
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“O Paquistão tomará todas as medidas necessárias para garantir sua integridade territorial e a segurança de seus cidadãos”, disse o Ministério da Informação paquistanês em publicação na rede X.
O exército afegão divulgou imagens de vídeo mostrando veículos militares se deslocando à noite e o som de intensos disparos. O material não pôde ser verificado de forma independente.
Meses de tensão
A tensão vem sendo elevada entre os dois vizinhos há meses, com confrontos mortais na fronteira em outubro que mataram dezenas de soldados, civis e supostos militantes. A violência ocorreu após explosões em Cabul que autoridades afegãs atribuíram ao Paquistão. Na ocasião, Islamabad realizou ataques em profundidade dentro do Afeganistão para atingir esconderijos de militantes.
Um cessar-fogo mediado pelo Catar entre os dois países tem sido amplamente mantido, mas os dois lados ainda trocam tiros ocasionalmente ao longo da fronteira. Várias rodadas de negociações de paz em novembro não resultaram em um acordo formal.
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No domingo, as forças militares do Paquistão realizaram ataques ao longo da fronteira com o Afeganistão, afirmando ter matado ao menos 70 militantes.
O Afeganistão rejeitou a alegação, dizendo que dezenas de civis, incluindo mulheres e crianças, foram mortos. O Ministério da Defesa afirmou que “diversas áreas civis” no leste do Afeganistão foram atingidas, incluindo uma madrassa (escola tradicional islâmica) e várias residências. Segundo a pasta, os bombardeios violaram o espaço aéreo e a soberania afegã.
A violência militante aumentou no Paquistão nos últimos anos, algo que o governo paquistanês atribui em grande parte ao Taleban paquistanês, ou TTP, e a grupos separatistas balúchis proibidos. O TTP é separado, mas estreitamente aliado ao Taleban do Afeganistão. Islamabad acusa o TTP de operar a partir do território afegão, acusação que tanto o grupo quanto Cabul negam. / AFP E AP
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