Israel entrou em alerta máximo contra um eventual ataque que o Irã possa deslanchar para sufocar a rebelião popular em Teerã e várias cidades iranianas, provocada pela desvalorização da moeda, o Rial, que bateu o recorde de 1.450 milhão de Rials por 1 dólar.
Iniciados no domingo passado, no Grand Bazar de Teerã, os protestos se espalharam por campi universitários, atacados pela polícia. Lojistas, comerciantes e estudantes engrossam as manifestações, já com pelo menos cinco mortos.
O Departamento de Estado, em Washington, elogiou “a coragem” dos manifestantes, e disse que está com aqueles que buscam “dignidade e um futuro melhor”. O Irã esteve no topo da agenda no encontro entre o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no domingo.
Israel teria obtido o apoio dos EUA para atacar o Irã, se ameaçado. Da mesma forma como o Irã pode “distrair” a rebelião interna atacando um inimigo externo, Israel pode atiçar a revolta se atacar locais estratégicos iranianos. Em junho, os dois países se confrontaram durante 12 dias, com uma participação final de aviões F-35 carregados de superbombas para penetrar usinas nucleares subterrâneas.
Um dos bordões dos manifestantes é: “Morte ao Ditador” – o líder supremo aiatolá Ali Khamenei. Mas há um outro que chamou a atenção: “Longa Vida ao Xá” -- o xá Reza Pahlavi, destronado em 1979 pela Revolução Islâmica.
O filho do Xá, Mohammad Reza Pahlavi, que vive no exílio nos EUA, despertou ao aceno das ruas: “Estou com vocês”, ele escreveu no X. “A vitória é nossa porque nossa causa é justa e porque estamos unidos. Enquanto este regime permanecer no poder, a situação econômica do país continuará a se deteriorar”.
O Rial é a moeda oficial do Irã. Mas no dia a dia, para simplificar, os iranianos usam o Toman, que não é uma moeda física, para medir o custo de vida, bens e salários. Um Toman vale 10 Rials. É como se cortasse um zero da moeda oficial. Um quilo de carne está custando um milhão de tomans, ou 10 milhões Rials; e o salário mínimo, 12 a 15 milhões de tomans, ou 120 e 150 milhões de Rials.
Um iraniano ouvido pelo jornal Jerusalem Post contou que a ida a um café, há poucos anos, saía por 10 mil tomans. Hoje, custa entre 500 a 700 mil tomans, ou 5 a 7 milhões de Rials, ou a média de 3 dólares. “As geladeiras estão vazias”, ele acrescentou. “Nossos bolsos, vazios”. A situação econômica é consequência, principalmente, das sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos e países europeus. Mas boa parte das reservas iranianas é investida no rearmamento de mísseis balísticos e na produção de armas nucleares, além de ajuda ao Hezbollah, Houthis e Hamas, agora sem mais o apoio da Síria, sob novo governo sunita.
Embora os jornais em inglês do Irã, o Tehran Times e o Iran Daily, não deem espaço para protestos contra o regime, o presidente Masoud Pezeshkian revelou “empatia” com os manifestantes e prometeu enfrentar a crise econômica.
“De uma perspectiva islâmica”, disse o presidente, “se não resolvermos os problemas de subsistência do povo, iremos para o inferno. Devemos tentar resolver os problemas do povo de todas as maneiras possíveis. O Parlamento e o governo devem resolver essas questões juntos.” Ele aceitou a renúncia do governador do Banco Central do Irã, Mohammadreza Farzin, e nomeou para o substituir um antigo ministro das Finanças, Abdolnasser Hemmati.
Os protestos não parecem ameaçar o governo, em seu quinto dia. São os maiores em três anos, mas menores que os de 2022, quando a curda-iraniana Mahsa Amini, detida por não usar o véu obrigatório corretamente, morreu sob custódia policial numa delegacia de costumes.
A agência de notícias oficial, Fars, confirmou a morte de dois manifestantes em Lordegan, no sudoeste do país, mas uma “fonte bem informada” revelou que foram “vários mortos”. E que há muitos presos. As manifestações estão ocorrendo em Karaj, Hamedam, Qeshm, Malar, Isfahan, Kermanshah, Shiraz e Yazd