Polilaminina: substância da placenta traz avanços em casos de paralisia
otros

Polilaminina: substância da placenta traz avanços em casos de paralisia

Um tratamento experimental baseado em uma proteína extraída da placenta humana, a polilaminina, tem apresentado resultados promissores na recuperação de pacientes com paralisia. Recentemente, pessoas com lesões medulares graves conseguiram retomar movimentos musculares e sensibilidade após a aplicação da substância, que ainda aguarda autorização regulatória para testes clínicos em larga escala.

O piloto de motocross Luiz Fernando Mozer, que perdeu os movimentos após um acidente de prova, é um dos casos que apresenta evolução. Semanas após receber a aplicação, o piloto, que vive no Espírito Santo, já consegue contrair músculos do corpo. No Rio de Janeiro, outro paciente que sofreu uma queda de sacada também registrou avanços, recuperando movimentos no pé e sensibilidade apenas 13 dias após o procedimento.

Monitoramento e resultados práticos

A evolução clínica é acompanhada de perto por especialistas. Segundo o neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, os sinais de melhora costumam surgir rapidamente. O médico relata que o paciente capixaba apresentou contração na coxa com apenas dez dias de pós-operatório, indicando uma resposta positiva do organismo à intervenção com a polilaminina.

Além dos casos masculinos, a equipe médica monitora uma paciente em Minas Gerais que também recebeu a substância. O tratamento foca na regeneração de conexões interrompidas pela lesão na medula, algo que a ciência tradicionalmente considerava um desafio quase intransponível.

A judicialização do tratamento experimental

Embora os resultados sejam encorajadores, a polilaminina ainda não possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diante da ausência de registro, o acesso ao tratamento tem ocorrido exclusivamente por via judicial. Os pacientes com respostas positivas até o momento garantiram a aplicação após decisões favoráveis nos tribunais.

A pesquisa é desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e já realizou testes acadêmicos em pessoas com lesões medulares recentes. Contudo, o aumento das ações judiciais preocupa os pesquisadores, que temem que o volume de processos possa comprometer o cronograma e o rigor científico dos estudos em andamento.

Espera por testes clínicos

A Anvisa ainda não autorizou o início oficial dos testes clínicos em humanos, apesar de o pedido ter sido protocolado pela universidade há cerca de três anos. O processo é fundamental para garantir a segurança e a eficácia do medicamento antes que ele seja disponibilizado para o público geral.

Para a bióloga e pesquisadora da UFRJ, Tatiana Sampaio, a celeridade no processo regulatório é essencial. A cientista avalia que, uma vez confirmada a segurança dentro de um estudo clínico e comprovada a eficácia, o objetivo é obter o registro definitivo do medicamento para que ele deixe de ser uma exceção judicial e se torne uma opção acessível a todos.

Os próximos passos da pesquisa incluem a avaliação das respostas da polilaminina em pacientes que sofrem com a perda de movimentos há mais tempo, buscando entender os limites de regeneração em lesões crônicas.