Pesquisa com centenários brasileiros investiga longevidade
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Pesquisa com centenários brasileiros investiga longevidade

O Brasil registra um crescimento expressivo na sua população centenária, despertando o interesse da comunidade científica sobre os fatores que permitem a algumas pessoas viverem mais e com qualidade de vida. Dados do IBGE revelam que, enquanto em 2010 o país contava com pouco mais de 24 mil centenários, em 2022 esse número saltou para quase 38 mil, representando um aumento de 56%.

Entre os exemplos dessa longevidade está Noêmia Saporito Marini, de 102 anos. Ex-professora de yoga por cinco décadas, Noêmia atribui sua saúde a uma combinação de alimentação regrada, exercícios constantes e um modo de vida equilibrado. Histórias como a dela, somadas a registros de brasileiros que figuram entre os mais velhos do mundo — como um cearense de 113 anos —, servem de base para novas investigações genéticas.

O fator genético e a miscigenação brasileira

A longevidade é atualmente um dos principais objetos de estudo do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo (USP). Os pesquisadores mantêm um banco de amostras de DNA de centenários armazenado em câmaras rigorosamente climatizadas a cinco graus para garantir a estabilidade do material genético.

O objetivo central da pesquisa, liderada pelo Dr. Mateus Vidigal, é compreender como o corpo desses indivíduos consegue manter o funcionamento pleno sem comprometer a imunidade ou as funções cognitivas. Uma das hipóteses centrais do estudo é que a miscigenação da população brasileira possa desempenhar um papel protetor. A mistura de diferentes ancestralidades pode ter gerado combinações genéticas que favorecem a resistência a doenças e o retardamento do envelhecimento.

Estilo de vida e ancestralidade

O caso de Noêmia ilustra a complexidade dessa busca. Descendente de italianos, ela levanta a possibilidade de outras origens em sua linhagem, o que reforça a tese da diversidade étnica como um possível componente da "receita" para viver mais de um século.

A investigação na USP busca transformar esses achados genéticos em conhecimentos que possam, no futuro, beneficiar a saúde pública, promovendo um envelhecimento mais saudável para toda a população.