As sobreviventes dos abusos sexuais cometidos por Jeffrey Epstein intensificaram a pressão sobre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para acelerar os inquéritos e responsabilizar os envolvidos na rede do predador sexual. A movimentação ocorre após a prisão do príncipe Andrew, do Reino Unido, e a divulgação de novos arquivos que detalham o funcionamento do esquema.
O foco das críticas recai sobre a Procuradora-Geral, Pam Bondi. Em audiência recente com vítimas abusadas na infância, Bondi se recusou a pedir desculpas pela demora nas investigações conduzidas pelo governo americano. A postura gerou forte reação de parlamentares de oposição, que acusam o órgão de acobertar figuras influentes.
A ascensão e o esquema de Epstein
Jeffrey Epstein iniciou sua trajetória como professor de matemática antes de se tornar uma das figuras mais poderosas de Wall Street. Sua influência na alta sociedade norte-americana foi impulsionada nos anos 90 por Les Wexner, ex-CEO da Victoria's Secret. Em depoimento recente ao Congresso Americano, Wexner, hoje com 88 anos, afirmou ter sido "tolo e ingênuo" e acusou Epstein de desviar grandes quantias de dinheiro de sua família.
Com o capital e a rede de contatos obtidos, Epstein adquiriu mansões, jatos e uma ilha particular, onde promovia festas com artistas, políticos e autoridades globais. De acordo com as investigações, nesses encontros, menores e adolescentes eram recrutadas e abusadas sexualmente. O esquema de recrutamento era gerenciado por Ghislaine Maxwell, socialite britânica e colaboradora próxima de Epstein.
Impunidade e o colapso do sistema
Epstein permaneceu detido por apenas um mês. Em agosto de 2019, o financista cometeu suicídio dentro da cela. Sua morte interrompeu o processo criminal direto contra ele, mas aumentou a exigência das sobreviventes por justiça contra aqueles que participaram das festas ou foram omissos diante dos crimes.
Envolvimento de figuras políticas
A divulgação dos "arquivos de Epstein" nos últimos meses trouxe à tona registros fotográficos de diversas autoridades em eventos promovidos pelo predador. Entre os nomes mencionados em registros de festas e viagens estão o do atual presidente, Donald Trump, e o do ex-presidente Bill Clinton.
A presença desses nomes de alto escalão nos arquivos é apontada pelas vítimas como o principal motivo para a "marcha lenta" do inquérito atual. Elas exigem que o Departamento de Justiça trate o caso com transparência e responsabilize todos os cúmplices, independentemente do cargo ou influência política que ocupem.