'Presidente do TSE não pode ter lado na política', diz Lula após decisão de Nunes Marques de derrubar canal de apoiadores
Canal é comandado pelo deputado André Janones e tem mais de três milhões de membros
12/10/2026 11h20 Atualizado 12/10/2026 11h36
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, não pode ter lado na eleição. Neste domingo, o ministro atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro(PL) e determinou a derrubada do canal — "Exército do Lula", no WhatsApp. O canal é comandado pelo deputado André Janones (Rede) e tem mais de três milhões de membros. Mais tarde, a decisão foi suspensa e o canal foi liberado.
— Departamento jurídico da campanha vai cuidar disso. Estão que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha. Isso é visível e já foi denunciado. Não vou criar só o Exército do Lula, vou criar a Marinha, a Aeronáutica do Lula no WhatsApp. É a forma mais barata da gente fazer campanha e vamos continuar criando nossos exércitos. E vamos continuar fazendo campanha. Para ele cortar ele tem que mostrar qual é a ilegalidade que tem, onde estamos transgredindo a lei. Não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento, da igualdade de procedimentos. Tem que ter todos (os candidatos) o mesmo direito diante da Justiça Eleitora, só isso que eu quero.
Ainda no domingo, Lula já havia criticado a decisão de Kássio Nunes Marques em ato na Avenida Paulista, quando chamou o ato de "tendencioso". Kássio foi indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Eu acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com pedido de explicação. Há alguns dias estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Não vamos permitir se seja fechado um canal que um deputado que está pedindo para as pessoas votarem em mim. Não é possível que o STF não tenha um comportamento civilizado, republicano de permitir que as eleições flua sem interferência da justiça — afirmou Lula.
Após a decisão de Kássio, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do TSE, derrubou ainda no domingo a decisão do presidente da Corte e manteve no ar o canal "Exército do Lula". Na decisão mais recente, além de manter o grupo no ar, Cueva também determinou o envio do processo ao plenário do TSE. O canal, com a coordenação do deputado eleito André Janones, teve um salto de 50 mil para mais de três milhões de seguidores após o fim do primeiro turno com o intuito de distribuir áudios, vídeos e orientações aos apoiadores de Lula.
No processo que estava sob sua relatoria, Cueva já havia pedido explicações à campanha do PT sobre a eventual disseminação de informações falsas, uma acusação feita pela campanha de Flávio. Mas a condução do caso foi atropelada por despacho de Nunes Marques. O presidente do TSE apreciou outro pedido da campanha de Flávio sobre o suposto descumprimento de regras pela rede social para evitar os disparos em massa. Ambas as ações mencionam o canal "Exército do Lula".