Arábia Saudita mantém aeroporto fechado e suspende aulas presenciais em Riad após ataque matar 12 e ferir mais de 300
Medidas ocorrem em meio a ameaças de novas ofensivas dos houthis; Trump avalia participação dos EUA em ataques contra rebeldes apoiados pelo Irã
Por O Globo e agências internacionais — Riad
11/10/2026 10h36 Atualizado 11/10/2026 11h08
Um dia após um ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, deixar 12 mortos e 309 feridos, a Arábia Saudita manteve neste domingo seu principal terminal aéreo fechado e determinou a suspensão das aulas presenciais na capital, em meio a ameaças de novas ofensivas dos rebeldes houthis do Iêmen. O grupo, apoiado pelo Irã, alertou companhias aéreas para que não utilizem aeroportos e o espaço aéreo sauditas, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que avalia participar dos ataques. Os houthis também relataram dois ataques aéreos contra Sanaa, capital do Iêmen, atribuídos à Arábia Saudita.
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Autoridades sauditas anunciaram que as escolas de Riad deverão manter as atividades online até o fim da semana. O fechamento do Aeroporto Internacional Rei Khalid, que já estava em vigor, foi prolongado até pelo menos as 21h deste domingo, segundo o Flightradar24. Centenas de voos foram cancelados ou sofreram atrasos, enquanto as ameaças dos rebeldes aumentaram a preocupação de companhias aéreas, passageiros e seguradoras com a segurança das operações no país.
Em comunicado divulgado neste domingo, o porta-voz militar dos houthis, general de brigada Yahya Saree, reiterou o alerta contra a utilização de aeroportos e do espaço aéreo sauditas, afirmando que as instalações são “alvos potenciais e locais de operações de nossas forças”. O representante do grupo disse que as cidades de Meca e Medina estão excluídas das ameaças e pediu que “todos levem os alertas a sério”.
Embora os houthis não tenham reivindicado imediatamente a responsabilidade pelo ataque de sábado, o grupo reconheceu ter realizado ofensivas contra aeroportos e instalações petrolíferas sauditas nos últimos dias. A ofensiva contra o Aeroporto Rei Khalid foi a mais letal registrada no reino desde maio de 2015 e o ataque isolado com maior número de vítimas em um país árabe do Golfo desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, em fevereiro.
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Entre os mortos estão quatro cidadãos sauditas, dois de Bangladesh, um americano, um palestino, um egípcio, um jordaniano, um sírio e um sudanês. Alguns dos 309 feridos permaneciam em estado crítico. O ataque atingiu um complexo que abriga os terminais 3 e 4, destinados a voos domésticos, provocando danos generalizados. A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita classificou a ofensiva como um “crime de guerra” e prometeu responder aos rebeldes.
Intervenção americana
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, condenou as ofensivas contra o reino e confirmou a morte de um cidadão dos EUA, enquanto Trump disse, pouco depois do ataque, que os Estados Unidos poderiam se juntar à Arábia Saudita em operações militares contra os houthis. O republicano destacou que pretende conversar com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, sobre a situação.
— Talvez. Vamos analisar isso. Acabamos de saber do ataque recente, então tomaremos uma decisão. Agimos muito rapidamente — afirmou Trump, ao ser questionado sobre a possibilidade de participação americana nas ofensivas.
Uma eventual intervenção aprofundaria o envolvimento dos EUA em uma guerra regional impopular, em um momento de preocupação do Partido Republicano com as eleições legislativas de meio de mandato. A escalada também ocorre em meio à paralisação das negociações entre Washington e Teerã para encerrar o conflito iniciado em fevereiro, enquanto crescem os temores de que americanos e israelenses retomem os ataques contra o território iraniano.
Os houthis, que até recentemente haviam permanecido, em grande parte, à margem da guerra com o Irã, agora ajudam Teerã a pressionar a Arábia Saudita, um importante aliado de Washington. Além dos ataques contra instalações sauditas, o controle do grupo sobre áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb ameaça provocar novas interrupções no transporte marítimo de petróleo. A passagem é uma alternativa estratégica ao Estreito de Ormuz, onde o Irã vem atacando embarcações.
A intensificação das ofensivas ocorre após a coalizão liderada pela Arábia Saudita lançar uma grande operação militar contra os houthis, com apoio aéreo às forças do governo iemenita. O objetivo é reverter os recentes avanços territoriais dos rebeldes ao longo do Mar Vermelho, que ampliaram sua capacidade de monitorar a navegação em Bab el-Mandeb.
O Ministério da Saúde administrado pelos houthis afirma que 91 iemenitas morreram e 168 ficaram feridos em ataques da coalizão saudita nas últimas cinco semanas, sendo mulheres e crianças a maior parte.
Os confrontos entre o reino e os rebeldes remontam a 2015, quando Riad interveio na guerra civil iemenita em apoio ao governo reconhecido internacionalmente. A relativa calmaria estabelecida após um cessar-fogo em 2022 terminou em julho, quando os houthis retomaram os ataques após acusarem os sauditas de disparar contra o aeroporto de Sanaa durante a tentativa de pouso de um avião vindo do Irã.
Reação internacional
O ataque ao aeroporto saudita provocou condenações de governos e organismos internacionais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar “profundamente chocado” e classificou a ofensiva como uma “violação do direito internacional”, enquanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que o episódio representa uma “escalada perigosa” e alertou que os ataques estão desestabilizando importantes redes globais de transporte e energia.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, classificou a ofensiva como uma “grave ameaça à paz e à estabilidade regionais”. Egito, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Líbano e Síria também condenaram o ataque, com o Catar afirmando que a segurança saudita é parte integrante da segurança do país e do sistema coletivo de proteção do Conselho de Cooperação do Golfo. Já o Iraque reiterou sua oposição à escalada militar e defendeu o diálogo como alternativa à violência.
(Com AFP)