Flávio diz no horário eleitoral que vai manter programas sociais após ofensiva de Lula, que volta a criticar rival sobre aposentadoria e 6x1
Em estreia no rádio no segundo turno, candidato do PL promete reajustar Bolsa Família e reúne apoio de Zema, Caiado e Tarcísio; presidente associa adversário a uma suposta perda de direitos
09/10/2026 08h33 Atualizado 09/10/2026 08h33
Os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estrearam nesta sexta-feira no horário eleitoral de rádio do segundo turno com uma disputa em torno dos programas sociais e dos direitos dos trabalhadores. Após uma ofensiva da campanha petista sobre o futuro de benefícios sociais em um eventual governo do PL, Flávio prometeu manter e reajustar o Bolsa Família, além de preservar o Minha Casa Minha Vida e o Farmácia Popular. Lula, por sua vez, voltou a atacar o adversário na área previdenciária e na discussão sobre o fim da escala 6x1, afirmando que uma vitória do senador representaria riscos aos direitos dos trabalhadores.
No programa de Flávio, as promessas sobre os benefícios foram apresentadas em um quadro de perguntas e respostas, no qual o candidato buscou afastar dúvidas sobre a continuidade das políticas sociais. Ao ser questionado sobre o Farmácia Popular, respondeu que o programa seria mantido. Fez a mesma promessa em relação ao Minha Casa Minha Vida e acrescentou que pretende reduzir o valor das prestações habitacionais.
— Eu vou manter e reajustar o Bolsa Família. E quem tem emprego não perde o benefício — afirmou Flávio.
O senador também prometeu ampliar os recursos destinados ao atendimento pelo SUS, criar um voucher-creche e adotar medidas para reduzir o endividamento das famílias e os preços dos alimentos. Na área de segurança pública, defendeu classificar o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas, construir cinco presídios federais de segurança máxima e acabar com as saídas temporárias de presos.
A propaganda também explorou o resultado do primeiro turno e reuniu declarações de apoio dos presidenciaveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A estratégia foi apresentar a candidatura como parte de um movimento de mudança que, segundo a campanha, já teria começado nas urnas.
— A gente não está começando aqui uma nova campanha. A gente está dando o passo final de uma mudança que já começou. No primeiro turno, o Brasil já decidiu, votou na mudança. E agora, no segundo turno, o Brasil não está mais dividido, está todo mundo do mesmo lado. O Brasil está do lado da mudança — disse Flávio.
Tarcísio destacou o resultado das eleições em São Paulo e afirmou que o estado terá papel decisivo na disputa presidencial.
— Elegemos o governador, elegemos o senador e agora São Paulo vai ser decisivo, pode ter certeza. Vai eleger Flávio Bolsonaro presidente da República — afirmou.
O programa também apresentou críticas à permanência de Lula no poder. Flávio disse que o petista disputa a Presidência pela sétima vez, em busca de um quarto mandato, e reiterou a promessa de acabar com a possibilidade de reeleição.
— Eu não quero ser presidente por projeto de poder. Eu quero ser presidente por projeto de país. É por isso que eu vou acabar com a reeleição — afirmou.
Já a propaganda de Lula começou recuperando notícias sobre o governo Jair Bolsonaro. A campanha utilizou os episódios para contrapor o histórico da gestão anterior às promessas de Flávio e defender a continuidade das políticas do atual governo.
Em uma conversa com apresentadores, Lula afirmou não enxergar no adversário condições de oferecer um futuro de prosperidade à população e associou a disputa eleitoral a uma escolha entre democracia e retrocesso.
— Eu não vejo no meu adversário qualquer oportunidade de fazer alguma coisa que seja um futuro promissor para a sociedade brasileira. Alguma coisa que possa significar prosperidade para as pessoas. Então a gente pode fazer uma comparação com a sociedade para poder ter noção do que está em jogo nesse país — disse.
Em outro momento, o presidente afirmou que pretende ampliar investimentos em educação, construir universidades e institutos federais, manter o Bolsa Família e universalizar o Pé-de-Meia. O petista também defendeu a continuidade da política de valorização do salário mínimo acima da inflação.
O ataque mais direto a Flávio ocorreu em uma locução que associou o candidato do PL à possibilidade de perda de direitos previdenciários e trabalhistas.
— É hora de fazer com que o salário mínimo continue crescendo acima da inflação. Hora de garantir que não acabem com a sua aposentadoria, como o Flávio Bolsonaro quer fazer. Hora de continuar batendo recorde de geração de emprego. E, claro, hora de garantir o fim da escala 6x1. Se depender dos Bolsonaro, você vai morrer de tanto trabalhar — afirmou a locução.
A acusação sobre a aposentadoria contrasta com declarações do próprio Flávio, que já afirmou defender reajustes dos benefícios previdenciários acima da inflação.
A discussão sobre a escala 6x1 também se tornou um dos principais pontos de confronto entre as campanhas na reta final da eleição. O governo tenta avançar no Senado com uma proposta que prevê a redução da jornada semanal de trabalho, enquanto Flávio critica a iniciativa e defende um modelo de jornada flexível. O candidato do PL, porém, tem evitado antecipar como votaria a proposta em análise no Congresso.
Ao encerrar sua participação, Lula pediu que os eleitores comparassem os candidatos antes de decidir o voto.
— Pense em você, pense na sua cabeça, qual é o mundo que você quer, qual é o mundo que você sonha — afirmou o presidente.