Edinho diz que campanha de Lula vai mudar 'enfoque' e prevê ida a debates após ausência no primeiro turno
Uma mudança de nomes na equipe é descartada, por ora, pelo dirigente
05/10/2026 16h16 Atualizado 05/10/2026 16h18
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai mudar o "enfoque" para o segundo turno e que o petista deverá participar do maior número possível de debates contra Flávio Bolsonaro. Segundo o dirigente, a nova fase da disputa será marcada por uma comparação mais direta entre os dois candidatos e por mudanças na forma da campanha se comunicar com os eleitores.
Ao ser questionado sobre possíveis mudanças na equipe após o resultado do primeiro turno, Edinho descartou, neste momento, uma troca de nomes e disse que o principal ajuste deverá ocorrer na estratégia.
— Nunca conversamos sobre isso. A questão não é mudar nomes, é mudar enfoque, forma de dialogar com o povo brasileiro — disse Edinho, em entrevista à GloboNews. — Evidente, o segundo turno é uma outra eleição. É uma eleição que pressupõe o confronto direto. Não há como, no segundo turno, fugir desse confronto. Estamos confiantes nesse embate.
Lula não participou dos debates do primeiro turno. O último encontro previsto, que seria promovido pela TV Globo, acabou cancelado após uma série de decisões judiciais sobre as regras e a desistência dos principais candidatos. Antes disso, a estratégia de Lula de evitar parte dos confrontos havia sido defendida por integrantes da campanha.
— Ele vai aos debates no segundo turno. Não consigo dizer a quantos. Não sei quantos convites vão chegar. Dentro das possibilidades, ele vai ao maior número possível — garantiu Edinho.
Flávio e Lula avançaram ao segundo turno depois de uma disputa apertada no domingo. O candidato do PL terminou à frente do presidente, e os dois passam agora a disputar, além dos eleitores que escolheram outros nomes, uma parcela expressiva do eleitorado que não compareceu às urnas.
Edinho evitou classificar o desempenho da campanha como resultado de uma sequência de erros. Ele atribuiu parte do desgaste de Lula à percepção da população sobre as instituições e disse que o presidente teria absorvido insatisfações que, na avaliação do dirigente, não se limitam ao Executivo.
— Aos olhos da sociedade, e a gente tem que entender a sociedade civil, não há uma diferenciação entre o que é Judiciário, Legislativo e Executivo. Essa crise institucional, por mais que Lula tenha se posicionado, aos olhos da sociedade o maior representante do Estado brasileiro é o presidente Lula. Ele pagou o preço desse desgaste institucional.
Para o segundo turno, o PT pretende explorar de forma mais intensa diferenças entre Lula e Flávio. O dirigente afirmou ainda que a estratégia deverá buscar tanto os eleitores que escolheram outros candidatos quanto quem não foi votar no domingo. Para ele, a disputa não deverá se limitar a uma comparação das trajetórias pessoais dos dois concorrentes.
— Queremos o debate franco, direto, o confronto desses dois projetos — disse Edinho. — Não é um confronto de biografias. O Brasil, no segundo turno, vai ter que fazer uma escolha.
Lula também indicou, após a divulgação do resultado, que pretende intensificar a comparação com Flávio nesta nova etapa da campanha e buscar eleitores que não compareceram às urnas.