Em último dia de campanha, Lula convoca eleitores idosos em ato na capital paulista e Flávio defende ‘voto de protesto’ em motocarreata pelo interior de SP
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Em último dia de campanha, Lula convoca eleitores idosos em ato na capital paulista e Flávio defende ‘voto de protesto’ em motocarreata pelo interior de SP

Menos de 24 horas antes da abertura das urnas, candidatos falaram a apoiadores sobre temas como as investigações que miram o Banco Master, reeleição e endividamento da população

03/10/2026 15h15 Atualizado 03/10/2026 15h45

Os candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), escolheram o estado de São Paulo para encerrar as atividades de campanha das Eleições 2026. O petista esteve na região central da capital paulista e desceu a Rua Augusta em uma caminhada que contou com trios elétricos. Já Flávio reuniu apoiadores em uma 'motocarreata' iniciada em Santa Bárbara d´Oeste, no interior, e chegou a Americana cerca de duas horas depois.

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  • Ao lado do candidato ao governo Fernando Haddad (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), das candidatas ao senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (REDE), e de Márcio França (PSB), vice na chapa de Haddad, Lula falou de temas como as investigações acerca do Banco Master, a proibição das bets e fez um apelo para que pessoas acima de 70 anos compareçam às eleições.

    — Nós precisamos convencer as pessoas de 70 anos que elas têm que votar pelo seu filho, pelo seu pai, pelo seu irmão. Ninguém pode se considerar incapaz de 70 anos. Eu tenho 80 e me sinto um menino de 15 anos — afirmou Lula.

    Não é sem motivo que Lula acenou aos eleitores de mais idade. Conforme pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, ele tem justamente ganhado mais aderência entre os votantes acima de 60 anos. Na comparação com a rodada anterior, o petista passou de 42% para 49% entre os idosos. Além disso, acima de 70 anos, o voto é facultativo, o que pode reduzir sua presença frente às urnas. O grupo que já passou dessa faixa etária é relevante, representa mais de 10% dos votantes.

    Reeleição e STF

    Em cima de um carro de som, Flávio, o postulante à reeleição Tarcísio (Republicanos), e os candidatos ao Senado por São Paulo Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) percorreram a Rodovia Luiz de Queiroz acenando para seus apoiadores que os seguiram em carros e motos. Depois, desceram no Parque De Eventos de Americana. No local, havia um grupo de apoiadores esperando a comitiva.

    A jornalistas, Flávio voltou a afirmar que, caso eleito, não vai tentar a reeleição. Em fevereiro, Flávio apresentou no Senado uma PEC sobre o fim da reeleição, mas depois deu sinais dúbios sobre o assunto.

    — Um compromisso com o fim da reeleição. Eu sou o único candidato que está abrindo mão de tentar uma reeleição. Porque eu quero, em um mandato só, me concentrar nos problemas da população brasileira, e ajudar de verdade a resolvê-los da forma mais rápida possível — afirmou o candidato.

    Ele ainda falou da possibilidade de vencer no primeiro turno e prometeu fazer um governo de pacificação, ao mesmo tempo em que criticou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), atrelando-os a Lula.

    — Eu quero fazer um governo de pacificação. Temos que ajustar muitas coisas no Brasil. O poder está completamente desequilibrado (...) Ministros não podem ser assessores. Ministros do STF não podem ser agentes políticos do governo Lula. E nem de um movimento que é ideológico. Então está tudo depravado nesse país. É por isso que eu peço que o eleitor vá pra rua. E dê o seu voto de protesto —disse Flávio.

    Endividamento

    O presidente Lula voltou ao tema das apostas esportivas e o endividamento das famílias. Lula afirmou que, apesar da pressão de setores como o esportivo, pretende manter a proibição das bets. Em relação ao crédito, criticou as taxas cobradas pelos bancos e defendeu mais responsabilidade do sistema financeiro.

    — Cartão de crédito é responsabilidade, porque o juro do cartão de crédito é uma roubalheira. Tem que ter responsabilidade. Por isso, nós vamos moralizar essa coisa do crédito. O sistema financeiro quer ganhar dinheiro? Ganhe dinheiro investindo na produção, não extorquindo o povo brasileiro com taxas de juros impagáveis — afirmou.

    Tensão com a PM na capital

    A concentração do ato de Lula teve um princípio de tensão entre a organização e a Polícia Militar. Organizadores da caminhada reclamaram que a PM estava impedindo o ato de percorrer o trajeto combinado. Também houve um desentendimento porque os agentes estavam pedindo pros veículos andarem antes da chegada de Lula para desobstruir as vias.

    O presidente municipal do PT, Laércio Ribeiro, orientou os participantes a permanecerem na frente do caminhão de som enquanto a PM pedia que a estrutura avançasse. Houve um princípio de confusão, logo apartado. De acordo com a corporação, os policiais faziam o balizamento para manter a circulação de veículos. A PM afirmou ainda ter recebido a informação preliminar de que uma mulher de 64 anos teria sido atropelada durante a movimentação e levada ao Hospital Beneficência Portuguesa.

    A realização do ato chegou a ser questionada pela Prefeitura de São Paulo, que havia informado que a Paulista não poderia receber eventos nos dias 3 e 4 de outubro, em razão de orientações do TRE-SP para garantir a circulação durante o período eleitoral. Na sexta-feira, porém, o tribunal autorizou a caminhada, desde que as vias não fossem bloqueadas e que a organização seguisse as orientações da PM e da CET. O trajeto, então, foi da Avenida Paulista até a Praça Roosevelt, através da Rua da Consolação.

    Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (2) mostrou Flávio tecnicamente empatado com Lula (PT) em São Paulo. O candidato do PL registra 39% das intenções de voto, enquanto o petista marca 38% no maior colégio eleitoral do país. O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo.

    Há razões para a escolha do endereço das últimas atividades de campanha dos candidatos. São Paulo concentra cerca de 21% do eleitorado do país e é considerado fundamental para os resultados nacionais. Historicamente, o PT perde no estado, ainda que tenha bons resultados na capital.

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