Estudante de Medicina morto por bombeiro em Taubaté foi baleado quatro vezes; tiros atingiram pescoço, tórax e braço
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Estudante de Medicina morto por bombeiro em Taubaté foi baleado quatro vezes; tiros atingiram pescoço, tórax e braço

O estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, foi atingido por quatro tiros durante uma discussão de trânsito em Taubaté (SP). Segundo o encaminhamento médico, um dos disparos atingiu o pescoço, dois atingiram o tórax e outro atingiu o braço esquerdo.

Bruno foi baleado na manhã de quarta-feira (30), na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo. Mesmo ferido, ele conseguiu sair do carro e correr por cerca de 70 metros, segundo imagens de câmeras de segurança. O estudante foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas morreu no Hospital Regional de Taubaté.

O bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, chegou a ser preso em flagrante, conseguiu liberdade provisória e é investigado pelos disparos. Ele estava em um Jeep Renegade e Bruno dirigia um Chevrolet Prisma.

Novas imagens de câmeras de segurança ajudam a reconstruir os momentos que antecederam o crime - assista acima. Às 6h59 da manhã, os dois veículos aparecem trafegando pela Avenida do Povo. O carro de Bruno segue à frente, mas os veículos ficam lado a lado pouco depois.

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  • Em uma das imagens, é possível ver Marcos gesticulando enquanto os dois carros se aproximam de um semáforo.

    Os veículos param lado a lado. O bombeiro desce do Jeep, mas uma placa de trânsito impede que a câmera registre o que aconteceu naquele momento.

    Na sequência, Bruno sai do carro pelo lado do passageiro e corre. As imagens registram os últimos momentos do estudante antes de ele cair ferido.

    A dinâmica dos disparos ainda é investigada pela Polícia Civil. O bombeiro afirmou à polícia que acreditou estar diante de uma tentativa de assalto.

    Segundo a defesa, a esposa de Marcos teria ouvido xingamentos e visto Bruno com um objeto que parecia ser uma arma. O advogado Cláudio Rodrigues Moreira afirma que, posteriormente, foi constatado que o objeto era uma faca.

    Ainda segundo a versão apresentada pela defesa, Marcos teria descido do veículo, se identificado como militar e pedido que Bruno saísse do carro. O advogado afirma que o estudante teria quebrado o vidro do veículo e avançado contra o bombeiro com a faca. Marcos teria então efetuado os disparos.

    Uma testemunha ouvida pela Polícia Civil apresentou uma versão diferente. Segundo o depoimento, o bombeiro teria descido do carro, ido até o veículo de Bruno e quebrado o vidro da porta do motorista. A testemunha afirmou que o estudante permaneceu dentro do carro e não fez movimentos de agressão ou ameaça antes dos disparos.

    A testemunha também relatou que Marcos sacou a arma depois de quebrar o vidro e atirou contra Bruno.

    A polícia ainda analisa imagens de câmeras de segurança, depoimentos e laudos periciais para esclarecer a dinâmica da ocorrência.

    Marcos foi preso em flagrante após o crime e levado para o Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo.

    Na quinta-feira (1º), ele passou por audiência de custódia e recebeu liberdade provisória mediante o cumprimento de medidas cautelares.

    Entre as medidas determinadas pela Justiça estão o comparecimento periódico em juízo, o recolhimento domiciliar noturno nos fins de semana e dias de folga e a proibição de contato com os familiares de Bruno.

    O bombeiro também está proibido de deixar a comarca por período superior a 15 dias sem autorização judicial. A Justiça determinou ainda a suspensão do porte de arma e o afastamento das atividades operacionais, com transferência para funções administrativas.

    O Ministério Público recorreu da decisão e pediu a prisão preventiva do bombeiro. O recurso ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

    Bruno era estudante do quarto semestre de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau). Natural de Jacareí, ele era casado e tinha um filho de dois anos.

    Ele havia iniciado a trajetória no curso de Medicina na Argentina e também estudado em uma universidade no Pará antes de se transferir para Taubaté, onde estudava havia cerca de um ano.

    Familiares e amigos descrevem Bruno como um jovem alegre, otimista e dedicado aos estudos. O sonho de se tornar médico foi interrompido aos 23 anos.

    Após a morte, estudantes e professores da Unitau participaram de uma missa e de uma vigília em homenagem ao jovem. As aulas do curso de Medicina foram suspensas, e a universidade disponibilizou atendimento psicológico para alunos e professores.

    Bruno foi velado e enterrado na quinta-feira (1º), em Jacareí.

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